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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Dança Macabra - Stephen King


Sempre soube que as minhas impressões sobre a obra de Stephen King tinham uma grande chance de estarem erradas, afinal meus únicos contatos com o tão aclamado "Mestre do Terror" sempre foram através das adaptações de seus livros e contos para o cinema e tv.
Por essa visão de segunda mão sempre tive a percepção de que as melhores adaptações de seus livros eram os que não envolviam terror e focavam mais no elemento humano, como: "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de Um Milagre" ambos adaptados por Frank Darabont e "Conta Comigo" de Rob Reiner.
Também tinha consciência de que mergulhar nesse universo "Kingniano" poderia ser uma tarefa bastante árdua já que ele tem se mostrado um escritor prolífico nos seus mais de 40 anos de carreira e seus leitores tem o hábito de não se restringir a apenas uma obra do autor.
Por onde exatamente começar então?

Gosto de livros, mas sou um cinéfilo em primeira lugar, então gosto de ler livros que tenham adaptações para o cinema (minhas mais recentes compras foram Tubarão de Peter Benchley e Jurassic Park de Michael Crichton). Chega a ser  quase difícil encontrar algum trabalho de King que não tenha sido adaptado para o cinema ou tv. Então esse requisito seria fácil de cumprir, mesmo assim ainda não sabia exatamente iniciar.
Acabei por encontrar um livro que justamente parecia entregar o "feeling" cinematográfico que eu procurava juntamente com o sabor da escrita de King: Dança Macabra. Dos 54 livros escritos por King apenas 6 são não-ficção e Dança Macabra é justamente um deles.

Trata-se de um "estudo sobre o terror" onde King apresenta como as histórias de terror foram abordadas nas diversas mídias (rádio,cinema, tv e literatura) ao longo das décadas de 50, 60 e 70 e sua influência e repercussão na sociedade e a resposta da crítica.

A princípio eu considerei uma pena que o período analisado por King não fosse um com o qual eu me identificasse naturalmente. Obviamente para mim, nascido em 85, as referências naturais são os anos 90 e 2000, enquanto King, nascido em 47, aborda o período entre os anos de 1951 até 1980.
Quando King aborda os programas de rádio da época a maior parte de suas referências é completamente obscura para mim, porém quando ele começa abordar os filmes de terror eu tive a ideia de pesquisá-los e para minha surpresa a maior parte deles está disponível para visualização na internet (alguns até mesmo completos no YouTube).
Foi então que o livro se tornou absolutamente interessante para mim. Descobri várias pérolas e clássicos recomendados por King e realmente comecei a entender e ficar fascinado pela avalanche de referências e comparações despejadas pelo Mestre do Terror.

O livro foi originalmente escrito e publicado em 1981 e em muitos momentos se torna bastante datado, mas dada a forma e o tema abordados essa seria uma condição difícil de se evitar.

King constrói uma teoria bastante sólida de que filmes de terror bem sucedidos transformam medos sociais e intangíveis em projeções concretas. Alguns fazem de propósito enquanto outros acabam acertando por acaso, provavelmente também inconscientemente influenciados pelos mesmos medos que afetavam a sua geração.


O livro é conduzido mais como uma conversa entre amigos, do que como alguém determinado a convencer o seu interlocutor de algum ponto específico. Ele não martela suas opiniões, ele apenas planta sementes de conceitos e passa para a próxima antes mesmo de ter a certeza de que a última ideia apresentada realmente se afixou.

Um dos defeitos do livro para mim é que os filmes mencionados são apresentados sempre com seu nome de lançamento no Brasil, quando na verdade eu estou bem mais familiarizado com o título original, em inglês, e também porque muitos dos filmes tiveram seus títulos modificados em re-lançamentos posteriores. Por exemplo, eu estava familiarizado com Omega Man, um filme com Charlton Heston, mas eu não sabia que o título no Brasil era "A Última Esperança da Terra". A inclusão do titulo original como nota de rodapé ou mesmo ao lado da tradução teria ajudado bastante a leitura.

Um comentário que deve ser valorizado é que a tradução feita por Louisa Ibañez é perfeita. Não percebi nenhum erro de tradução, o que infelizmente tem sido uma constante mesmo em grandes lançamentos editoriais.

Devo admitir que essa não é de fato uma introdução à obra de King, mas serviu para me mostrar o quanto o autor é apaixonado pelo seu tema principal e como seu conhecimento não se restringe apenas a literatura mas também a toda uma gama de outras mídias. Com um total de 463 páginas é uma leitura pesada e que requer atenção, eu recomendaria que o leitor tenha acesso a internet enquanto lê pois a pesquisa das citações de King tornam o livro infinitamente mais interessante.
Agora com licença, mas Christine me espera...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Livros que Mudam a Vida: Eu sou Malala


Eu levei quase um ano para ler a biografia da jovem paquistanesa alvejada com um tiro na cabeça pelo Talibã por defender a educação de meninas no Paquistão. A minha falta de interesse se deve ao fato de o livro não ter um foco ou um senso de desenvolvimento muito grande.
Malala começa descrevendo sua terra natal, o lindo vale do Swat no Paquistão, apresenta sua família, fala de assuntos e problemas corriqueiros na vida de uma jovem adolescente, como as brigas com os irmãos irmãos e suas amizade e competições com jovens da mesma idade. Isso tudo é muito singelo, porém apresentados com uma humildade e apego cativantes. Eu sabia que eventualmente a história atingiria o ponto no qual Malala seria baleada, mas até chegar a esse ponto o livro acaba não prendendo o leitor.
Os pontos mais interessantes para mim são os momentos nos quais Malala descreve a realidade do Paquistão, tão diferente do Ocidente, bem como as peculiaridades de sua vida como muçulmana.
O livro foi escrito em coautoria com a jornalista britânica Christina Lamb. A eloquência de Malala e a fluidez de suas ideias me fizeram considerar que o envolvimento de Lamb seja mais do que o indicado para que possamos acreditar na veracidade do que lemos, principalmente porque o livro é escrito em primeira pessoa. Mas eu felizmente acompanhei diversas entrevistas de Malala para verificar que ela é de fato uma excelente oradora e que sua capacidade na escrita deve ser igualmente desenvolvida, somado a isso o fato de a mesma se mostrar uma aluna dedicada e uma campeã do direito a educação é possível acreditar que o livro seja honesto e transmita realmente a linguagem de uma adolescente eloquente de uma cultura bastante diferente da nossa.
O que mais me decepcionou no livro são os momentos nos quais Malala defende sua religião com os mesmos argumentos cansados que já vimos antes, porém ainda sim é interessante ver essas idiossincrasias se manifestarem na mente de alguém tão jovem que já está doutrinada a defender a própria religião das perguntas que ela mesmo manifesta e ao mesmo tempo a exime sem nenhuma justificativa.
"Nosso país estava enlouquecendo. Como era possível que agora festejássemos os assassinos?" a menina pergunta. Mas apesar de sua astúcia intelectual precoce nunca parece considerar o papel deturpador e potencialmente perigoso da religião em seu mundo.
Malala tem uma mensagem inspiradora e uma determinação inabalável de que todas as meninas do mundo tenham acesso a educação, porém ela não parece considerar porque ela precisa lutar contra organizações religiosas (como o Talibã) para que isso aconteça.
Infelizmente o Talibã que atirou em uma menina indefesa é um seguidor mais fiel da religião islâmica do que a inocente menina vítima da violência e que tem uma luta tão nobre pela frente.

Ps: Uma observação na versão brasileira, na contra-capa ao lado da recomendação do livro feita pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, está uma recomendação de Luciano Huck. O porque isso deveria ser algo positivo eu realmente não entendo.



domingo, 27 de abril de 2014

Livros que Mudam a Vida: Cash: A Autobiografia


Quando eu já estava na metade da leitura de Cash - A Autobiografia percebi que essa era apenas a segunda biografia que leio e a primeira autobiografia. Minhas expectativas quanto a esse tipo de livro estavam corretas, quando você conta a própria história as partes mais feias são varridas para baixo do tapete e a sensação de que a história ficou incompleta é inevitável. O fato de essa não ser a primeira autobiografia de Cash agrava ainda mais esse cenário e a impressão é que esse livro se propõe apenas a preencher algumas lacunas deixadas pelo seu antecessor.
Os grandes focos do livro são o cenário da música country entre as décadas de 50 e 60 e a relação de Cash com outras figuras famosas do mesmo período. 
Cash menciona sua relação com as drogas e sua personalidade destrutiva de forma extensa porém superficial. Ele se abstém dos detalhes em relação a destruição que causou e as pessoas que magoou. A própria relação com June Carter não é mencionada tanto quanto se imaginaria. O início da relação, quando ambos ainda eram casados com outras pessoas, não é bem explicado e fica a impressão de que foi suprimido para não causar uma má impressão ou porque o assunto já foi abordado no livro anterior. 
Cash se mostra um pai e avô coruja e relata detalhadamente os integrantes de seu clã e sua relação com todos eles. Ele sempre tem algum elogio para seus filhos, genros e netos, a maioria deles com laços na industria musical. 
Sua relação com as gravadoras e seu ostracismo nos anos 80 são mencionados e tem algumas histórias interessantes sobre o período. Ele conta rapidamente sobre o inicio de sua relação com Rick Rubin e o lançamento de American Records (minha fase favorita de Cash). 
O aspecto mais interessante do livro para mim é o retrato de Cash como um artista inovador, responsável por diversos álbuns conceituais que inúmeras vezes forçou sua opinião e estilo sobre o das gravadoras e estúdios e que isso somado ao seu envolvimento com as drogas pode ter lhe custado um estrelato ainda maior do que ele eventualmente acabou atingindo. 
No geral "Cash" acaba parecendo mais um amontoado de "causos" contados por Cash do que uma sequência cronológica fiel da vida do famoso músico. 
Enquanto biografias escritas por terceiros podem ser mais fiéis (e intrusivas) no que diz respeito as partes mais comprometedoras da vida de uma personalidade, uma autobiografia nos fornece o "insight" da mente genial por trás da obra e no caso de "Cash" alguns desses momentos são bem interessantes se você se interessa pelos pensamentos de um cantor e compositor que tem uma carreira que se estendeu por mais de 50 anos. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Livros que Mudam a Vida: Carcereiros


Eu devo começar o meu post sobre esse livro esclarecendo a motivação para comprá-lo. Primeiramente eu gosto do fato de o autor Drauzio Varella ser um ateu assumido, ainda que ele não faça disso uma bandeira. Eu já vi ele mencionando em uma entrevista ter sofrido preconceito por seu ateu e eu de alguma forma acredito estar dando algum tipo de contribuição para que esse tipo de preconceito acabe ao comprar livros do autor. Um pouco romântico da  minha parte, é verdade, mas ainda sim motivação suficiente para eu pegar o livro na livraria e considerar a compra. Evidente que o assunto em si me parece bastante interessante por si só, uma visão da vida dos carcereiros contada através da experiência de um médico que tem mais de 23 anos de trabalho voluntário em presídios do Brasil.
O livro é praticamente um complemento à Estação Carandirú, best-seller do mesmo autor que acabou gerando o filme Carandirú. Porém desta vez acompanhamos as histórias pelo ponto de vista daqueles que tentam manter a ordem e a segurança dentro dos presídios: os carcereiros.
Esse foi o primeiro livro de Varella que eu li e fiquei feliz em descobrir que o estilo do escritor é bastante agradável. O ritmo rápido e objetivo proporciona uma leitura envolvente e fascinante. Eu inclusive sugiro ele como re-introdução à leitura de livros de pessoas que perderam o hábito da leitura. Cada capítulo contem uma história ou assunto e o desfecho quase sempre é rápido, eficaz e contundente.
Varella apresenta uma grande obra quando fala sobre as condições precárias das cadeias brasileiras, a tratamento desumano dos prisioneiros e suas crueldades praticamente indescritíveis, os perigos constantes da profissão de carcereiro, os momentos de heroísmo de colegas de profissão, e o destino dos que sucumbem ao suborno.
Infelizmente a leitura acaba se tornando um pouco confusa quando Varella se dispõe a narrar acontecimentos vivenciados por carcereiros que por sua vez lhe contaram suas histórias, em algumas a transição dos pensamentos e impressões do autor para o relato em si não é tão fluído quanto se esperaria e fica ainda pior quando ele relata situações mais tensas que tem um desenrolar mais imediato e cuja a impressão é de que, apesar de extremamente interessantes, pertecem a outro livro.
Mas não se engane quanto a qualidade do livro, esses são erros menores que não comprometem o valor do conhecimento aqui passado.
Eu fiquei com a clara impressão de que o médico sobrepõe o escritor no caso de Varella e ele é na maioria das vezes conciso , claro e direto em suas informações. E quando ele decide usar esse connhecimento para deixar clara sua opinião sobre o problema das cadeias ele o faz com uma clareza e senso de realidade assustadores.

Eu sempre fui o tipo de criança que me fascinava com as histórias de vida de pessoas mais velhas e sempre adorava passar horas ouvindo um tio ou amigo dos meus pais relatar sobre sua profissão ou outros relatos que para mim traziam informações de um mundo desconhecido. Se você tinha um avô ou tio contador de histórias com uma vida interessante então você sabe exatamente o que encontrar no livro de Varella, um relato de vida que fascina aqueles que não tem conhecimento do que acontece por trás dos muros dos presidíos e possivelmente educa aqueles com uma simplória opinião pronta para esse tipo de problema.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Chronological Review of Forgotten Realms Novels


Due to the massive number of novels that use Forgotten Realms as setting I've always had problems to keep proper track of all the stories that took place in Toril. Fortunately, I've just found out this series of audio reviews of several Forgotten Realms books on YouTube.
"Realms Remembered" is very helpful, especially if you have no intention of reading all the novels published in this cenario, but as DM is more interested in finding out general information and the chronological order of some of the events that take place in the books. It also helps a lot to define wich books are more relevant (and easy to read) to the period of the Toril history that you are running your game.
Keep in mind that there are more than 270 novels published about Forgotten Realms and that the author chose to gloss over a lot of them, but he usually explain why he did it and you may decide to read the ones he didn't.


Ps: I've put only the link to the first video, you can find the rest in the RoleReviesal channel on YouTube.

sábado, 16 de novembro de 2013

Livros que Mudam a Vida: Guerra Mundial Z


Eu já havia lido o Guia de Sobrevivência Zumbi de Max Brooks e assistido ao filme de homônimo de Brad Pitt. Vamos rapidamente deixar o filme de lado pois ele quase não tem nenhum ligação com o livro.
Como o próprio subtítulo deixa bem claro essa é uma transcrição de entrevistas feitas com sobreviventes de uma guerra mundial contra zumbis.
O livro é uma compilação dos relatos de sobreviventes, todos narrados pelos próprios personagens e cada um com apenas um pequeno parágrafo de introdução pelo repórter que compila todas as histórias.
As história apresentadas são as mais variadas possíveis e conseguem prender a atenção do leitor ao fazer você perceber que os acontecimentos sendo narrados estão acontecendo em escala global mas sendo apresentados com um olhar intimista sobre cada situação. Esse, além de três ou quatro relatos mais inspirados, é a grande qualidade do livro: ser épico sem se apresentar em uma escala gigantesca. Você lê o relato de um único soldado sobre uma batalha específica ou de um refugiado em alguma parte inóspita do mundo ou mesmo o esforço desesperado de uma família em deixar alguma cidade e começa a perceber que estas histórias menores são tão abrangentes quanto qualquer batalha a nível global.
Assim como em seu livro anterior Max Brooks (que eu viria a descobrir é filho do diretor Mel Brooks e de Anne Bancroft, a senhora Robinson de A Primeira Noite de Um Homem) mantém um ironia sutil em quase todas as histórias. Não que isso seja necessariamente ruim, o trecho que descreve o que aconteceu com Cuba é certamente inspirado, mas o livro só brilha quando o autor leva algumas histórias mais a sério.
Alguns relatos são bem desinteressantes, porém há alguns que realmente são muito bem construídos e deixam claro todo o potencial do livro.
Um ótimo exemplo disso é o relato da piloto americana obrigada a ejetar de seu avião e que tem que sobreviver em uma corrida frenética para a segurança enquanto recebe orientações de alguém bem familiar através de seu rádio. Outras duas histórias que fazem com que você fique querendo que elas fossem mais desenvolvidas são a da tripulação chinesa que rouba um submarino e acaba enfrentando a grande ameaça dos zumbis no mar e a história do velho cego que sobrevive em meio a natureza enquanto enfrenta a invasão zumbi.
O que acaba sendo um pouco frustrante no livro é o fato das personalidades dos sobreviventes serem bastante parecidas, as vezes durante a leitura eu começava a confundir o narrador atual com o da história anterior.
Levando em conta o preço (R$ 28,80 na Saraiva) eu recomendo para aqueles que gostam do gênero zumbi e guerra mas considerando a diversidade dos relatos há um pouco para todos aqui.

 Dica de trilha sonora para a leitura: World War Z e Crysis 2 Soundtrack


domingo, 10 de março de 2013

Livros que Mudam a Vida: A Magia da Realidade


O subtítulo de "A Magia da Realidade", o último livro de Richard Dawkins, diz "como sabemos o que é verdade" e essa é uma descrição adequada sobre o conteúdo do livro porém há mais por trás das descrições de como a ciência e o método científico nos deram informações que não são tão simples de verificarmos através da observação mais simplista e cotidiana.
Dawkins, um reconhecido escritor anti-religião, está tomando a rota da sutileza aqui e focando, como foi sugerido por muitos de seus leitores, nos benefícios da ciência aos invés dos malefícios da religião.
O tema central do livro é apresentar conceitos científicos bastante básicos sobre assuntos que foram dominados por séculos por respostas incorretas ou místicas.
Uma das maiores qualidades do livro são as ilustrações inspiradas de Dave McKean, ao mesmo tempo em que elas evocam uma identidade visual única elas também conseguem passar exatamente a idéia de um conceito abrangente e dinâmico como é o caso da maioria das explicações de Dawkins.
Eu acabei ouvindo o audiobook em inglês antes de ler o livro em português e as ilustrações de McKean tornaram a experiência mais agradável e os conceitos mais complexos mais fáceis de serem assimilados.
O livro tem um apelo muito forte aos mais jovens porém tem uma temática um pouco desequilibrada. Enquanto a maioria dos capítulos se propõe a responder questões básicas e que parecem mais apropriadas a pré-adolescentes (como "quem foi a primeira pessoa?" ou "do que são feitas as coisas?) as respostas algumas vezes não conseguem ser tão dinâmicas a ponto de prender a atenção do leitor mais jovem.
Dawkins inicia cada capítulo enumerando as "explicações" religiosas e supersticiosas para todos os fenômenos para os quais ele se dispõe a explicar e depois apresenta a explicação científica para eles. Ainda que o tom de Dawkins seja menos combativo do que em Deus, Um Delírio, a inevitável comparação é avassaladora e acaba se revelando um dos mais eficientes ataques a religião. O grande trunfo do livro é deixar que essa percepção ecoe sozinha na mente do leitor sem necessariamente forçá-la "goela abaixo" algo que outros livros anti-teístas podiam (ainda que injustamente) ser acusados. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Livros Que Mudam A Vida: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Eu sou uma criança. Sei disso por que depois de passar quase toda a minha uma hora de intervalo de almoço escolhendo um livro na Saraiva escolhi o com a capa mais colorida.
Eu me devo uma certa indulgência e admitir que essa não era a minha intenção inicial. Eu queria comprar a biografia de Johnny Cash, quando isso não foi possível tentei algum livro de Christopher Hitchens. Quando essa possibilidade também não se concretizou me liberei em um safári literário que normalmente não trás bons resultados.
Avistei uma coleção de livros denominados "politicamente incorretos". Aparentemente eles estão tendo um bom volume de vendas pois não é a primeira vez que eu avisto um exemplar dessa coleção em um local de
destaque nas livrarias (mais tarde eu descobriria que eles estão na lista de mais vendidos da Revista Veja, isso teria despertado algumas desconfianças). Dei uma olhada no “Guia” da América Latina (havia também um sobre o Brasil) e identifiquei rapidamente algumas bobagens de direita sobre personalidades que construíram a história da América Latina. Quando eu digo bobagem eu não quero dizer que necessariamente duvido da informação de que Che Guevara queria matar trabalhadores vagabundos, apenas estou ciente de que a informação está ali para invalidar outras ações do homem, cuja validade poderiam ou não estar associadas a esse fato. Não que eu acredite que haja uma explicação válida para matar trabalhadores, independente de sua produtividade, mas isso não invalida automaticamente tudo que o homem fez ou pensou.
Sendo assim dispensei esse título e me interessei pelo “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, obviamente da mesma série, mas de um autor diferente. A contra-capa trazia novamente algumas informações bizarras sobre grandes filósofos. A última vez que me interessei por esse tipo de informação (curiosidades sobre grandes figuras históricas) descobri que Darwin tinha crises de vômito com medo da Teoria da Evolução e que Marx pedia dinheiro emprestado a amigos. Essas informações não me ajudaram no entendimento de seus
respectivos textos mas ajudaram a desmistificar essas personalidades para que eu pudesse ter mais confiança em entender (e analisar criticamente) o que eles diziam. Imaginei que seria positivo aplicar o mesmo princípio a Nietzsche, Platão e Foucault.
Eu estava redondamente enganado com o conteúdo do livro.
Em minha defesa eu devo dizer que obviamente a intenção do livro é de induzir o possível leitor ao mesmo erro que eu cometi. A arte da capa e mesmo as citações selecionadas na aba do livro tem a intenção de apresentar a obra como sendo um guia "no nonsense" sobre a história da filosofia.
Me decepcionei ao descobrir ainda na introdução que o o livro se trata de um caso contra o "politicamente correto" por parte do autor Luiz Felipe Pondé.
A lógica de Pondé pode ser resumida como "toda a forma de politicamente correto é hipócrita". Essa é uma analise cruel porém honesta e funciona razoavelmente bem. Infelizmente Pondé "estica" essa lógica para abraçar toda uma outra argumentação que não tem base alguma.
 Ele se identifica como politicamente incorreto, explica que tudo que é politicamente correto é errado e passa a entender que como ele é politicamente incorreto tudo que ele não gosta é politicamente correto, portanto errado... Entendeu? Essa lógica infantil é aplicada à esquerda política, as feministas, aos negros, aos gays, aos indíos, aos pobres e a todo grupo cujo senhor Pondé acredite (em uma esfera pessoal) que tem posições políticas de "mulherzinha". Tudo isso é classificado como "Politicamente Incorreto" ou "Praga PC" como ele chama. 
Não vem como surpresa perceber que o autor homem, rico, branco e heterossexual. Não que isso seja errado por si só, apenas não pode ser concebido como coincidência que tudo que é contrário a esse padrão apresentado pelo autor seja (na opinião dele) erroneamente apoiado por uma sociedade infestada pelo politicamente correto. 
Há pontos válidos comentados por Pondé como a menção de que os fundamentos da democracia (liberdade e igualdade) são contra-pontos que jamais permitirão um tipo de estrutura democrática eficiente. Porém esse lampejos de inteligência são soterrados por pérolas da imbecilidade como: "Todas as feministas são feias, por isso são feministas".
Há uma arrogância palpável que causa um certo repúdio muito real ao se ler o livro. Aparentemente ser politicamente incorreto perdeu todo o seu charme e foi substituído por simplesmente ser desagradável.
O tipo de atitude arrogante é até esperado de pessoas que dominam seu assunto com maestria, eu já me referia a pessoas que "conquistaram o direito de ser arrogantes", esse não é o caso de Pondé. Em determinado momento ele menciona ao que as americanas se referem a um homem considerado um bom partido como "keeper" e que isso se daria ao fato de este ser um homem que apresenta o perfil "mantenedor". Alguém teria a capacidade de mantê-las, sustentá-las e protegê-las. Sendo conhecedor do termo e já tendo ouvido a expressão proferida por diversas mulheres que não tinham essa visão eu posso com segurança afirma que a expressão "keeper" se refere a alguém ao qual se deve "manter", ou "segurar" devido a ser alguém bom demais. Isso poderia ser um simples erro de tradução mas Pondé constrói todo um capítulo e um conceito machista sobre essa tradução equivocada.
Eu poderia simplesmente dizer que o livro fosse evitado a qualquer custo mas o fato é que ele é ótimo para pensar. Normalmente leio livros com os quais eu concordo de antemão e percebi que quando discordamos do autor somos instigados a um pensamento mais crítico.
O grande valor desse livro reside em uma frase de Dudley Field Malone: "Eu nunca em minha vida aprendi nada de algum homem que concordasse comigo."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livros Que Mudam a Vida - Deus Não é Grande: Como a Religião Envenena Tudo

Quando eu li Christopher Hitchens pela primeira vez eu fiquei genuinamente emocionado. Hitchens resgata o sentimento de indignação com as barbáries cometidas pela religião e nos ajuda a perceber como, de fato, a religião envenena tudo, incluindo nossa capacidade crítica a respeito dela.
Se você for ler apenas um livro esse ano, o que infelizmente será verdade para a maioria dos brasileiros, já que uma pesquisa recente aponta que o brasileiro lê em media apenas dois livros completos por ano e que o livro mais lido é a Biblía, eu recomendaria que você lesse esse livro.
Separei algumas passagens de cada capítulo.

Capítulo 1: Colocando Gentilmente
E aqui está o ponto, sobre mim e meus colegas pensadores. Nossa crença não é uma crença. Nossos princípios não são uma fé. Nós não confiamos exclusivamente na ciência e na razão, porque estes são necessários, em vez de fatores suficientes, mas desconfiamos de tudo que contradiga a ciência ou ultraje a   razão. Podemos divergir sobre muitas coisas, mas o que respeitamos é a indagação livre, a mente aberta, e a busca de idéias para seu próprio bem. Não temos convicções dogmáticas.


Capítulo 2: Religião Mata
Certa vez ouvi o falecido Abba Eban, um dos diplomatas e estadistas mais polido e pensativo de Israel, dar uma palestra em Nova York. A primeira coisa a bater o olho sobre o conflito israelo-palestino, disse ele, foi a facilidade de sua solubilidade. A partir deste início cativante ele passou a dizer, com a autoridade de um ex-chanceler e representante da ONU, que o ponto essencial era simples. Dois povos de tamanho equivalente tinha um crédito a mesma terra. A solução seria, obviamente, a criação de dois Estados lado a lado. Certamente, algo tão evidente estava dentro do espírito do homem para abranger? E assim teria sido, décadas atrás, se os rabinos e mulás messiânicos e padres pudessem ter sido mantidos fora da questão. Mas os clamores exclusivos para a autoridade dada por Deus, feita por clérigos histéricos de ambos os lados e ainda mais felizmente por cristãos que esperam trazer o Apocalipse (precedido pela morte ou a conversão de todos os judeus), tornaram a situação insuportável, e colocaram toda a humanidade na posição de refém de uma briga que apresenta agora a ameaça de guerra nuclear. A religião envenena tudo. Bem como uma ameaça à civilização, tornou-se uma ameaça à sobrevivência humana.


Capítulo 3: Uma pequena digressão sobre o porco, ou, por que o céu odeia presunto?
A atração e repulsão simultânea é derivado de uma raiz antropomórfica: o olhar do porco, e com o sabor do porco, e os moribundos gritos do porco, e a inteligência evidente do porco, eram de uma demasiada e incômoda reminiscência do ser humano.

Capítulo 4: Uma nota sobre a saúde, para qual a religião pode ser perigosa
Feche os olhos e tente imaginar o que você diria se você tivesse que infligir o maior sofrimento possível no menor número de palavras.
"... Durante o carnaval no Brasil, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Rafael Llano Cifuentes, disse à sua congregação em um sermão que "a igreja é contra o uso do preservativo. As relações sexuais entre um homem e uma mulher tem que ser natural. Eu nunca vi um cãozinho usar um preservativo durante a relação sexual com um outro cão." Figuras clericais experientes de vários outros países, como o cardeal Obando y Bravo da Nicarágua, o arcebispo de Nairobi, no Quênia, e o Cardeal Emmanuel Wamala de Uganda, tem todos ditos aos seus rebanhos que as camisinhas transmitem AIDS.


Capítulo 5: As afirmações metafísicas da religião são falsas
Todas as tentativas de conciliar a fé com a ciência e a razão estão fadadas ao fracasso e ao ridículo por precisamente estas razões. Eu li, por exemplo, de alguma conferência ecumênica dos cristãos que desejam mostrar sua mente aberta e convidar alguns físicos para participarem. Mas sou obrigado a lembrar o que eu sei, que é que não haveriam tais igrejas, em primeiro lugar, se a humanidade não tivesse temido coisas como o clima, o escuro, a peste, o eclipse, e toda sorte de outras coisas agora facilmente explicáveis. E também se a humanidade não tivesse sido obrigada, sob pena de consequências extremamente agonizantes, a pagar os dízimos e impostos exorbitantes que elevaram os edifícios imponentes da religião.

Capítulo 6: Argumentos sobre Design
Ceticismo e descoberta libertaram (os religiosos) do fardo de ter que defender seu deus de ser absurdo, desajeitado, um cientista louco, e também de ter que responder perguntas perturbadoras sobre quem infligiu o bacilo da sífilis ou criou o leproso ou a criança deficiente, ou concebeu os tormentos do trabalho. O fiel repousa absolvido dessa acusação: não temos mais qualquer necessidade de um deus para explicar o que não é mais misterioso. O que os crentes vão fazer, agora que sua fé é opcional e privada é irrelevante, é uma questão para eles. Nós não deve se preocupar, desde que eles não façam  nova tentativa de forçar a religião sob qualquer forma de coerção.


Capítulo 7: Apocalipse: O pesadelo do "Antigo" Testamento
Em Deuteronômio Moisés dá ordens para os pais que seus filhos sejam apedrejados até a morte por indisciplina (que parece violar pelo menos um dos mandamentos) e continuamente faz pronunciamentos demêntes ("Aquele que está ferido nas pedras, ou tem o seu membro cortado , não entrará na congregação do Senhor "). Em Números, ele aborda seus generais depois de uma batalha e se enfurece com eles por poupar tantos civis: "Agora, pois, matem todos os meninos entre as crianças, e matai toda mulher que tiver conhecido homem, deitando-se com ele. Mas todas as mulheres-crianças que não tem conhecido um homem, deitando-se com ele, manter as viva para vós."

Capítulo 8: O "Novo" Testamento excede o mal da"Velho"
Muitos dos ensinamentos de Jesus são ininteligíveis e mostram uma crença na magia, vários são absurdos e mostram uma atitude primitiva para com a agricultura (isso se estende a todas as menções de arar e semear, e todas as alusões a árvores de mostarda ou figueira), e muitos são claramete imorais. A analogia de seres humanos para os lírios, por exemplo, sugere juntamente com muitas outras passagens, que coisas como economia, inovação, vida familiar, e assim por diante são uma pura perda de tempo. ("Não fazeis plano para o dia de amanhã.")

Capítulo 9: O Corão é uma cópia de mitos judaicos e cristãos.
Em vinte e cinco anos de discussões, muitas vezes ferrenhas, apenas uma vez fui ameaçado com violência real. Isso ocorreu em Washington, DC quando eu estava jantando com alguns funcionários e apoiadores da Casa Branca de Clinton. Um dos presentes, um na época conhecido democrata arrecadador de fundos para o partido, questionou-me sobre a minha mais recente viagem ao Oriente Médio. Ele queria a minha opinião sobre a razão pela qual os muçulmanos eram tão "tudo nervosos, malditos fundamentalistas." Eu descrevi meu repertório de explicações, acrescentando que muitas vezes é esquecido que o Islã é uma fé relativamente jovem, e ainda no calor da sua auto-confiança. Os muçulmanos ainda não tiveram tempo de sofrer a crise de insegurança que havia superado o cristianismo ocidental. Acrescentei que, por exemplo, enquanto havia pouca ou nenhuma evidência para a vida de Jesus, a figura do Profeta Maomé era ao contrário pessoa significativamente documentada na história. O homem mudou de cor mais rápido do que eu já havia visto. Depois de gritar que Jesus Cristo tinha mais significado para as pessoas mais do que eu jamais poderia imaginar, e que eu era nojento acima de qualquer insulto por falar tão casualmente de Cristo, ele recuou o pé e mirou um pontapé que só a sua decência, concebivelmente seu cristianismo, o impediu de desferir contra minha perna. Ele então ordenou que sua esposa o acompanhasse enquanto se retirava.

Capítulo 10: O enfeite barato do milagroso e o declínio do Inferno
Depoimento de Ken Macmillan, o cinegrafista do documentário "Algo Bonito Para Deus":
"Durante as filmagens, houve um episódio em que fomos levados para um prédio que Madre Teresa chamava de Casa dos Moribundos. Peter Chafer, o diretor, disse: "Ah, bem, é muito escuro aqui. Você acha que podemos conseguir alguma coisa?" E nós tínhamos acabado de receber na BBC um novo filme feito pela Kodak, que não tivemos tempo para testar antes de sairmos, então eu disse a Pedro: "Bem, nós podemos tentar e pode dar certo."Então, nós filmamos. E quando voltamos, algumas semanas depois, um mês ou dois mais tarde, nós estamos sentados na sala de projeção no Ealing Studios e, eventualmente, se vêm as imagens da Casa dos Moribundos. E foi surpreendente. Você podia ver todos os detalhes. E eu disse: "Isso é incrível. Isso é extraordinário." E eu ia dizer, você sabe, três vivas para a Kodak. Eu não tive a chance de dizer isso, porém, porque Malcolm, sentado na primeira fila, virou-se e disse: ".. É luz divina. É Madre Teresa. Você verá que é a luz divina, meu velho" E três ou quatro dias depois eu estava recebendo telefonemas de jornalistas de jornais de Londres que diziam coisas como: ". Ouvimos dizer que você acabou de voltar da Índia com Malcolm Muggeridge e que você testemunhou um milagre"
Assim nascia uma estrela. . .


Capítulo 11: "O Selo humilde de sua origem": O começo corrupto da Religião
Não são os livros sagrados do monoteísmo oficial absolutamente encharcado de desejo material e com descrições - quase de dar água na boca- das riqueza de Salomão, das pastagens e rebanhos prósperos e bem sucedidos dos fiéis, as recompensas para um bom muçulmano no paraíso, para não falar de muitos, muitos contos sombrios de pilhagem e saque? Jesus, é verdade, não mostra nenhum interesse pessoal no ganho, mas ele fala de um tesouro no céu e até mesmo de "mansões" como um incentivo para segui-lo. Não é mais verdade que todas as religiões ao longo dos tempos têm mostrado um grande interesse no recolhimento de bens materiais no mundo real?

Capítulo 12: Um Epílogo: Como a Religião Acaba
Pode ser igualmente útil e instrutivo vislumbrar o encerramento de religiões ou movimentos religiosos. Os mileritas, por exemplo, não existem mais. E nós não ouviremos falar novamente, a não ser de forma vestigial e nostálgica, de Pan ou Osíris ou qualquer um dos milhares de deuses já escravizaram pessoas absolutamente.

Capítulo 13: A Religião Faz as Pessoas Comportarem-se Melhor?
A primeira coisa a ser dita é que o comportamento virtuoso de um crente não é prova da verdade de sua crença de forma alguma, não é nem mesmo um argumento a seu favor. Eu poderia, vamos imaginar, agir de forma mais caridosa se ​​eu acreditasse que Buda nasceu de uma fenda no lado de sua mãe. Mas isso não faria o meu impulso de caridade dependente de algo muito tênue? Da mesma forma, não digo que se eu pegar um sacerdote budista roubando todas as oferendas deixadas pelo povo simples em seu templo, o budismo é, assim, desacreditado. E esquecemos em qualquer caso, como tudo isto é contingente. Das milhares de religiões possíveis que haviam no deserto, assim como haviam milhões de espécies potenciais, um ramo criou raízes e cresceu. Passando por suas mutações judáicas até a sua forma cristã, que foi adotado por motivos políticos pelo Imperador Constantino, e transformada em uma fé oficial com (eventualmente) a forma codificada e aplicável ​​de seus muitos livros caóticos e contraditórios. Já para o Islã, ele se tornou a ideologia de uma conquista de grande sucesso que foi adotado por dinastias de sucesso, codificados e estabelecido por sua vez, e promulgado como lei da terra.

Capítulo 14: Não há Solução "Oriental"
A espécie humana é uma espécie animal sem muita variação dentro dela, e é ingênuo e inútil imaginar que uma viagem ao Tibete, por exemplo, vai revelar uma harmonia inteiramente diferente com a natureza ou com a eternidade. O Dalai Lama, por exemplo, é inteiramente e facilmente reconhecível para um secularista. Exatamente da mesma maneira como um príncipe medieval, ele faz a afirmação não só que o Tibete deve ser independente da hegemonia chinesa - uma solicitação aceitável -  mas que ele próprio é um rei hereditário nomeado pelo próprio céu.Que conveniente! Seitas dissidentes dentro de sua fé são perseguidas; seu governo de um homem em um enclave indiano é absoluto, ele faz declarações absurdas sobre sexo e dieta e quando em suas viagens para Hollywood os principais doadores como Steven Segal e Richard Gere são ungidos com o status de "santos" dentro da religião budista. (Na verdade, mesmo Gere foi forçado a reclamar  um pouco quando o Sr. Segal foi reconhecido como "tulku',ou "pessoa de alta iluminação". Deve ser chato  ser derrotado em um leilão tão espiritual.)

Capítulo 15: Religião Como Um Pecado Original
Há, de fato, várias formas nas quais a religião não é apenas amoral, mas definitivamente imoral. E estas falhas e crimes não estão a ser encontradas no comportamento dos seus adeptos (que às vezes pode ser exemplar), mas em seus preceitos originais.

Capítulo 16: Seria a Religião Abuso de Menores
Como podemos saber quantas crianças tiveram suas vidas físicas e psicológicas irreparavelmente ​​mutiladas pela inoculação compulsória da fé? Isso é quase tão difícil de determinar como o número de sonhos e visões espirituais e religiosos e que se tornaram "verdade", que a fim de possuir ainda uma verificação real teria que ser medido contra todos os sonhos não registrados e esquecidos que não se realizaram. Mas podemos ter certeza de que a religião sempre exerceu sua influência sobre as mentes disformes e indefesas dos jovens, e tem feito grandes sacrifícios para certificar-se deste privilégio, fazendo alianças com os poderes seculares no mundo material.

Capítulo 17: Uma Objeção Antecipada: O último argumento contra o secularismo
Se eu não posso provar definitivamente que a utilidade da religião está no passado, e que seus livros fundamentais são fábulas transparentes, e que é uma imposição feita pelo homem, e que tem sido um inimigo da ciência e da investigação, e que tem subsiste em grande parte a mentiras e medos e foi cúmplice da ignorância e da culpa, bem como da escravidão, do genocídio, do racismo e da tirania, posso certamente afirmar que a religião está agora plenamente consciente dessas críticas. E também está plenamente consciente da evidência sempre crescente, sobre as origens do cosmo e da origem das espécies, coisas que ela tenta levar à marginalidade, se não tão somente à irrelevância.

Capítulo 18: Uma Tradição Melhor: A Resistência do Racional
É fato que alguns seres humanos sempre notaram a improbabilidade de Deus, o mal feito em seu nome, a probabilidade de que ele é feito pelo homem, e a disponibilidade de crenças alternativas menos prejudiciais e outras explicações. Não podemos saber os nomes de todos estes homens e mulheres,porque eles foram, em todos os tempos e todos os lugares, objetos de repressão implacável. Por motivo idêntico, nem podemos saber quantas pessoas ostensivamente devotas eram secretamente descrentes. No final dos séculos XVIII e XIX, em sociedades relativamente livres, como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, os incrédulos, mesmo seguros e prósperos como James Mill e Benjamin Franklin sentiram que seria aconselhável manter as suas opiniões privadas. Assim, quando lemos sobre as glórias da pintura "cristã" e da arquitetura, astronomia ou da medicina "islâmica", nós estamos falando sobre os avanços da civilização e da cultura (alguns deles previstos pelos astecas e chineses) que têm tanto a ver com "fé", como seus predecessores tinham a ver com sacrifício humano e imperialismo. E nós não temos meios de saber, exceto em alguns poucos casos especiais, quantos desses arquitetos e pintores e cientistas decidiram preservar seus pensamentos mais íntimos do escrutínio dos fiéis.

Capítulo 19: Conclusão: A Necessidade de uma nova iluminação
Acima de tudo, temos necessidade de uma iluminação renovada, que vai basear-se na proposição de que o estudo apropriado da humanidade é o homem e mulher. Este esclarecimento não vai precisar depender, como seus antecessores, dos avanços heróicos de poucas pessoas talentosas e extremamente corajosas. Está ao alcanço da pessoa comum. O estudo da literatura e da poesia, tanto para seu próprio bem como para as eternas perguntas éticas da qual eles tratam, agora podem facilmente derrubar o exame dos textos sagrados que foram provados ser corruptos e inventados. A busca da investigação científica desenfreada, e da disponibilidade de novas descobertas para as massas por fáceis meios electrónicos, vai revolucionar nossos conceitos de pesquisa e desenvolvimento. Muito importante, o divórcio entre a vida sexual e o medo, e a vida sexual e as doenças,e a vida sexual e tirania, pode agora, finalmente, ser tentada, sob a única condição de que todas as religiões sejam banidas da questão. Tudo isto e muito mais está, pela primeira vez em nossa história, ao alcance de todos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Livros Que Mudam a Vida - O Poderoso Chefão

No fim de fevereiro eu completei 27 anos e recebi alguns presentes de amigos meus. Entre esses presentes estava o livro "O Poderoso Chefão". Ele me foi presenteado pelo meu bom amigo Derek, que deve ter se preparado para esse aniversário com uma antecipação incrível já que eu havia visto esse livro pelo menos um ano antes na estante da casa dele.
Obviamente, o livro é a história original de Mario Puzo que foi adaptada por Francis Ford Coppola em um dos melhores filmes de todos os tempos. Minha primeira impressão foi de que não haveria nada de muito interessante em ler um livro cuja história eu já conheço tão bem. Achei que se houvessem partes que não foram transportadas para a tela elas seriam menores e de pouca qualidade. De fato as melhores partes estavam no filme, mas há muita informação e material extremamente interessante no livro.
Diversos personagens são melhor delineados e tem suas motivações melhor explicadas (como era de se esperar em uma versão de bolso com mais de 600 páginas). Alguns como Luca Brasi, Lucy Mancini e Johnny Fontane passam de mera aparições no filme à personagens essenciais à trama.
Além de mais alguns detalhes da família Corleone, uma melhor definição da hierarquia da família e uma visão melhor da dinâmica deles, também há uma compreensão melhor da passagem de tempo do que no filme. Dez anos se passam entre o casamento de Connie e o assassinato dos chefões à mando de Michael no final da história.
Algumas tramas paralelas (mas ainda sim diretamente ligadas a família Corleone) são apresentadas em profundidade. Johnny Fontane tem toda a sua história contada e o autor ainda se aprofunda em sua carreira após a produção do filme no qual ele ganhou o papel graças a Tom Hagen. No livro ele ganha até o Oscar de Melhor Ator por sua interpretação graças a influência de Don Corleone. Lucy Mancini que no filme apenas é vista "escapulindo" com Sonny Corleone durante a festa de casamento de Connie também tem seus detalhes esclarecidos, incluindo alguns bastante intímos. Isso é muito interessante porque eu nunca havia notado que ela é a mãe de Vincent Mancini, o personagem de Andy Garcia em O Poderoso Chefão III.
Outra grande surpresa foi descobrir que grande parte da trama de O Poderoso Chefão II (os flashbacks mostrando Vito Corleone se envolvendo com Téssio e Clemenza e assassinando Fanucci) são originalmente deste livro.
Apesar de ser extremamente difícil para mim analisar o livro como uma obra separada, sendo que a comparação com o filme é inevitável, o livro cresceu em mim e me vi cada vez mais compelido a terminar de ler a história. Puzo tem uma narrativa sólida que consegue descrever o "clima" de determinado local através dos diferentes personagens que ele apresente na história, um mais interessante do que o outro. Puzo cria um clima onde cada diálogo pode ser mais interessante do que um tiroteio e isso prende o leitor.
O único grande defeito do livro é a tradução capenga. Algumas gírias soam bobas e fora de lugar, "parents" é traduzido como "parentes" e erros do tipo são encontrados a cada 10 ou 15 páginas. Mas no geral isso não estraga a compreensão da história.
Fiquei impressionado como Don Corleone ainda consegue ensinar importante lições de vida mesmo tantos anos depois que ele nos foi apresentado pela primeira vez. Quando Don Corleone ensina Michael a dizer "não" sem nunca proferir a palavra em si eu fiquei boquiaberto. É uma lição simples, prática e completamente realista mesmo vindo de um livro sobre a máfia da década de 40.
Acima de tudo fiquei extremamente feliz com meu presente e satisfeito com o livro. Talvez depois de 14 anos de amizade eu deva finalmente dar ao Derek um presente de aniversário além do boneco do Pete Fedido.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Livros Que Mudam a Vida - A Posição missionária: Madre Teresa na Teoria e na Prática


"Quem seria tão vil para implicar com uma velhinha mirrada, encolhida, bem avançada em anos, que consagrou a sua vida inteira para os necessitados e desvalidos? Por outro, quem seria tão desinteressado a ponto de deixar de escrutinar a influência e as motivações de uma mulher que disse certa vez operar mais de quinhentos conventos em mais de 105 países - 'sem contar com a Índia'? Mártir solitária e fanática, ou presidente de uma multinacional missionária?
A escala se altera com a perspectiva, e a perspectiva se altera com a escala."
Assim se inicia o livro de Christopher Hitchens que propõe analisar as verdades por trás do mito da Madre Teresa. Publicado em 1995, bem no meio de uma década na qual Madre Teresa era figura constante quando se mencionavam trabalhos humanitários respaldados por celebridades como Princesa Diana, Hillary Clinton e Charles Keating. Hitchens disseca o fenômeno "Madre Teresa" e expõe várias facetas não tão nobres do trabalho da missionária e nos faz pensar em como atribuímos valor automático, a alguém que conhecemos tão pouco, apenas por causa da máscara da religião.



Introdução
Hitchens demonstra a facilidade com que Madre Teresa se desprendia de seu meio religioso e circulava pelo cenário político mundial enquanto apoiava e promovia déspotas e vigaristas notórios em troca de doações a sua cruzada.  Hitchens menciona (dois anos antes da morte de Madre Teresa) de que ela já era amplamente divulgada como forte candidata a beatificação a futuramente a santidade dada a amplitude de sua fama. Isso de fato ocorreria em 2003, quando o Vaticano reconheceu um suposto milagre dela na cura de um tumor de uma mulher indiana. Foi amplamente divulgado que o marido e alguns médicos da mulher informaram que o problema que afligia a mulher não era de fato um tumor e sim um cisto causado por uma tuberculose e que a cura havia se dado através de tratamento médico convencional, o que não impediu o Vaticano de continuar com o processo de beatificação. 


Um Milagre
Hitchens reconta seu encontro pessoal com Madre Teresa e explica a forma como ela e sua imagem se popularizaram a nível mundial. Ele demonstra que apesar das enormes dificuldades e de uma pobreza difícil de subestimar Calcutá não tem a apatia tão amplamente divulgada por Madre Teresa. Apesar de sua vida cotidiana difícil os "mais pobres dos pobres" não mendigam. Algo que sempre foi vendido pelo marketing de Madre Teresa e das Irmãs da Caridade.  
Enquanto Madre Teresa se opunha estoicamente a qualquer opção de controle de natalidade ela mantinha um pequeno orfanato que servia 12 camas a crianças que de outra forma teriam efetivamente morrido. O problema óbvio aqui é que a missionária acreditava que isso a permitia (de um ponto de vista moral) sua campanha incessante e a utilização de todo o seu "poder de celebridade" contra os metódos contraceptivos e isso em um país e em uma cidade que lidam com problemas extremos de super-população. 
Ainda que o trabalho de Madre Teresa tenha seus momentos de fascínio inegável sua orientação de que altruísmo e humanismo são "tentações" e que seu trabalho com os pobres só se da por única e exclusiva obediência a Deus, sendo que não pode haver gratificação no sentimento de realizar o trabalho em si acabam 
ofuscando o que poderia de fato ser uma qualidade redentora do trabalho da missionária.



Trabalho de Deus e Virtudes Heróicas
Nesse capítulo vemos a prática da teoria de Madre Teresa de que o sofrimento dos pobres é algo que ajuda o mundo. Hitchens mostra o relato do Dr. Fox, editor da The Lancet, uma das maiores publicações de medicina do mundo e que se interessou pelos aspectos médicos da ajuda oferecida passa a verificar o "tratamento", propriamente dito, oferecido pela missionária para os enfermos tratados. Eu achei tão impactante o relato que resolvi traduzi-lo na integra aqui: 
"Há médicos que ligam de vez em quando, mas geralmente as irmãs e voluntários (alguns dos quais
tem conhecimentos médicos) tomam decisões da forma que acham mais adequada. Eu vi um homem jovem que tinha sido admitido em más condições, com febre alta, e os medicamentos prescritos
tinham sido tetraciclina e paracetamol. Mais tarde um médico que o visitava o diagnosticou com malária. Não foi possível alguém ter verificado seu sangue? As investigações clínicas, foi-me dito, são
raramente permitidas. Que tal verificações simples que possam ajudar as irmãs e voluntários distinguir
o curável do incurável? Novamente não. Tal sistemática e abordagens são estranhos ao modo de operar da casa. Madre Teresa prefere providência ao planejamento, suas regras foram criadas para evitar qualquer tendência para o materialismo: as irmãs devem permanecer em condições de igualdade com os pobres. . . . Finalmente, o quão competentes são as irmãs em controlar a dor? Em uma visita curta, eu não poderia julgar o poder de sua abordagem espiritual, mas eu estava perturbado ao saber que o formulário não inclui analgésicos fortes. Junto com a negligência de diagnóstico, a falta de boa abordagem analgésica demonstram que Madre Teresa está claramente separada da condição de ajuda a pessoas doentes ou morrendo."
Uma observação contundente de Hitchens é que essas condições não eram encontradas em um hospital improvisado no meio de um campo de batalha mas em um hospital gerido por Madre Teresa por mais de quatro décadas e meia nas quais mais de três ela havia recebido generosas quantias de doações do mundo todo. 
Talvez o posicionamento da missionária seja facilmente revelado pela sua declaração de que: " o dom mais bonito que uma pessoa pode receber é poder compartilhar do sofrimento de Jesus Cristo". 
Em certa entrevista uma vez a própria Madre Teresa se traiu ao recontar o caso de uma mulher que tinha câncer terminal, sofria de dores insuportáveis "Você está sofrendo como Jesus na Cruz. Então ele deve estar te beijando." Alheia à ironia gritante do que estava dizendo a própria Madre Teresa disse a resposta da pobre mulher: "Então por favor peça para ele para de me beijar."
É interessante notar que ao se deparar com as doenças da velhice e problemas de coração a Madre Teresa se internou nas melhores e mais caras clínicas do Ocidente.  
Hitchens mostra o relato de Susan Shields ex-irmã da caridade que entre as diversas revelações diz que as irmãs eram instruídas a batizar secretamente aqueles que estavam morrendo e a sempre alegar pobreza mesmo que a conta bancária da instituição já tivesse mais do que 50 milhões de dólares dos quais nada era gasto em benefícios dos doentes. 
Hitchens também menciona nesse capitulo o envolvimento de Madre Teresa com Charles Keating que armou um dos maiores golpes de investimento da história americana e doou 1,4 milhões de dólares para o trabalho de Madre Teresa. Durante o julgamento dele Madre Teresa escreveu uma carta para a promotoria e para o juiz pedindo que o Sr. Keating fosse perdoado pelo que fez e que se perguntassem o que Jesus faria em seu lugar. 
O promotor do caso, Sr. Paul Turley, respondeu a Madre Teresa informando que Keating estava sendo julgado por roubar mais de US $ 250 milhões de mais de 17.000 investidores em seu negócio. Entre eles diversos pessoas humildes sem qualquer conhecimento do mercado financeiro, inclusive de um pobre carpinteiro que não falava inglês e que havia sido roubado das economias de uma vida toda. Ele concluiu sua carta perguntando a Madre Teresa:
"Pergunte a si mesmo o que Jesus faria se tivesse recebido os frutos de um crime, o que Jesus faria se estivesse na posse de dinheiro que havia sido roubado, o que Jesus faria se estivesse sendo explorado por um ladrão para aliviar sua consciência? Eu diria que Jesus teria prontamente e sem hesitações devolvido a propriedade roubada aos seus legítimos proprietários. Você deve fazer o mesmo. Você recebeu dinheiro obtido através de roubo e fraude. Não permita que ele a "indulgência" que ele deseja. Não guarde o dinheiro. Devolva-o para aqueles que trabalharam por ele e que o mereceram! Se você entrar em contato comigo eu vou colocar você em contato direto com os legítimos proprietários do dinheiro em sua posse." 
O Sr. Turley jamais recebeu resposta. 


Ubiquidade
Aqui vemos a história de Madre Teresa e suas ligações com a Albania e com a política do local. Hitchens questiona posicionamento claramente político de Madre Teresa em diversas questões polêmicas e bilaterais mesmo quando ela alega estar além de qualquer posicionamento político. E ao contrário do que poderiam defender seus seguidores e fãs, ela não se via envolvida nessas situações mas buscava ativamente envolvimento em questões polêmicas exaltando o sofrimento alheio, como quando em 1984 voou a cidade indiana de Bhopal para discursar a uma população que havia sido vítima de um grave crime perpetrado pela política irresponsável de uma empresa que acabou matando e vitimando milhares de pessoas. Antes mesmo de que qualquer culpado pudesse ser averiguado Madre Teresa estava no aeroporto da cidade dizendo aos outros: "Perdoem, Perdoem". Entretanto a sua mensagem de perdão universal não era tão facilmente aplicada já que ela anunciava publicamente que jamais permitiria a um casal ou mulher que houvesse praticado um aborto a possibilidade de adotar uma das crianças "dela".    


Posfácio
Finalmente Hitchens deixa claro, assim como no ínicio do livro, de que sua iniciativa de julgar a reputação de Madre Teresa por suas ações e palavras ao invés de julgar suas ações e palavras através de sua reputação, não se devem a implicância cega contra uma indefesa senhora que tenta simplesmente melhorar o mundo mas sim de alguém que agiu por mais de quarenta anos de uma forma que não é completamente clara para o mundo e influenciou (ou tentou influenciar) profundamente a política e costumes de várias sociedades, que acumulou amizades com vigaristas e opressores, que recebeu milhões em doações e nunca foi questionada sobre a utilização do dinheiro e que principalmente fez tudo isso sem necessariamente ajudar aos que realmente precisavam e contavam com ela, enquanto promovia um culto de dor e sofrimento e ajudava a tornar a vida daqueles em mais necessidade e mais desesperados cada vez mais atrasada e difícil.  

Madre Teresa morreu em 1997, em 2007 foram publicadas correspondências nas quais Madre Teresa havia deixado clara uma grave crise de fé que ela jamais havia comentado. 
"Onde está minha fé? Mesmo lá no fundo ... não há nada além do vazio e da escuridão ... Se Deus existe, por favor me perdoe. Quando tento elevar meu pensamento ao céu, há um vazio de convencimento tal que esses pensamentos retornam como facas afiadas a ferir minha alma ... Como é dolorosa esta dor desconhecida, eu não tenho fé. Repulsa, vazio, sem fé, sem amor, sem zelo, ... O que eu trabalho para? Se não há Deus, não pode haver alma. Se não houver alma então, Jesus, você também não é verdadeiro.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Livros Que Mudam a Vida: Deus, Um Delírio


Faz muito tempo que eu deveria ter escrito sobre esse livro, e principalmente agora que eu estou absolutamente fascinado por Christopher Hitchens é hora de prestar tributo a quem realmente deu sentido e vóz as idéias que sempre perambulavam pela minha cabeça: Richard Dawkins.
Deus, Um Delírio é o livro mais famoso de Dawkins. Tendo ficado por diversas semanas na lista de Best Sellers do The New York Times, o livro não apenas despertou o interesse em outros autores atéistas como também aumentou o número de vendas de bíblias em 120%.
Para mim é um pouco difícil esclarecer o quanto esse livro significa. Ao mesmo tempo em que ele mostra várias coisas nas quais eu sempre acreditei ele também me demonstra que devo pensar por mim mesmo, análisar as hipóteses, dados e fatos e tomar decisões conscientes e responsáveis, algo que religião alguma faz. A minha indignação com a religião vem de longa data e guardarei esses pontos para outro post. Por enquanto vamos ao livro de Dawkins cuja explicação dos capítulos deve demonstrar por si só a razão de minha admiração pela obra.

Capítulo 1 - Um Descrente Profundamente Religioso
Usando Einstein como exemplo Dawkins demontra o tipo de interpretação de Deus que merece respeito ,apesar de ele não acreditar nele de qualquer maneira, e o tipo mundano que não pode se esconder atrás do mesmo sentimento. Como Einstein definiu: "Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordenada daquilo que existe, não num Deus que se preocupe com os destinos e ações dos seres humanos".

Capítulo 2 - A hipótese que Deus Existe
Nesse capítulo Dawkins discute a improbabilidade da existência de Deus e a pobreza do agnosticismo. Demonstrando que mesmo que algo não possa ser provado ou desprovado com 100% de certeza isso não significa que as duas hipóteses dividem esses 100% de probabilidade igualmente.

Capítulo 3 - Argumentos Para a Existência de Deus
No terceiro capítulo do livro Dawkins contrapõe os diversos argumentos utilizados para provar a existência de Deus. Desde a aposta de Pascal até o argumento da "experiência" pessoal Dawkins expõe as falácias óbvias e sútis desses argumentos.

Capítulo 4 - Por que quase com certeza Deus não existe
Nesse cápitulo Dawkins demonstra as fraquezas do "Design Inteligente" e que a outra opção para ele não é o acaso e sim a Evolução Natural.
Segundo Dawkins aceitar a explicação de que "Deus nos fez assim" não passa de preguiça intelectual e isso acaba por nos deixar ignorantes em muitas áreas.
Dawkins concluí o capítulo com a sua explicação para o princípio antrópico. Este é o
conceito de que o universo parece "feito" para a vida, o que implicaria um criador.
Dawkins argumenta que ao termos conhecimento de bilhões de planetas na amostra do universo, tornando a vida estatisticamente fadada a acontecer em algum lugar.

Capítulo 5 - As raízes da religião
Aqui Dawkins teoriza sobre a religião ser um sub-produto do processo evolutivo, algo que foi útil quando erámos primitivos mas que deixou sua utilidade e benefícios em nosso passado. Ao mesmo tempo ele argumenta que a religião sobrevive tão fortemente até hoje também como um sub-produto de outras características intrínsecas ao ser humano, como a crença na dualidade entre mente e corpo e o desejo de que tenhamos um propósito na vida.

Capítulo 6 - As raízes da moralidade: Por que nós somos bons?
Nesse capítulo Dawkins discorre sobre a moralidade baseada no ganho de uma vida após a morte ou para agradar a Deus, enquanto há notáveis traços de uma moralidade universal que não é baseada na religião.

Capítulo 7 - O Livro do "bem" e o zeitgeist moral mutante?
O cápitulo trata sobre a inconsistência moral não apenas da bíblia mas também de vários conflitos religiosos. Dawkins também demonstra como Hitler e Stalin, que acreditava-se serem ateus, e como não foi o ateísmo deles que influenciou suas ações.

Capítulo 8 - O que a religião tem de mal? Por que ser tão hostil?
Aqui Dawkins demonstra e exemplifica como a religião é intolerante e absolutista, como a posição da religião em relação ao aborto é contraditória e como a religião dita "moderada" incentiva o fanatismo.

Capítulo 9 - Infância, abuso e a fuga da religião
Aqui Dawkins trata dos abusos físicos e psicológicos perpretados contra crianças pela religião. Não apenas o abuso físico, notoriamente praticado por padres da Igreja Católica, mas o abuso psicológico perpretado pela maioria das religiões aos infantes que ainda não podem contradizer ou questionar as idéias que lhe são apresentadas.

Capítulo 10 - Uma lacuna muito necessária?
No último cápitulo do livro Dawkins se dispõe a tratar dos aspectos que, supostamente, dependeriam da religião e caso ela fosse refutada sofreriam consequências. Desde a falsa necessidade da religião para a inspiração até a falso consolo oferecido de forma execrável o biólogo consegue demonstrar que não há nada de insubstituível ou sequer necessário na religião.

Se você é uma pessoa que acredita na lógica e sempre desconfiou da religião mas nunca conseguiu reunir a força de vontade para conseguir analisar a situação com uma perspectiva suficientemente imparcial eu aconselho esse livro.

Trilha Sonora Recomendada para a Leitura: Inception Movie Soundtrack - Michael Clayton Soundtrack

terça-feira, 19 de abril de 2011

Livros Que Mudam A Vida - Mais Pesado Que O Céu

Bom, já fazia algum tempo que eu não lia um livro bom e interessante e Mais Pesado Que o Céu, a biografia de Kurt Cobain, resolveu o problema. Para dizer a verdade eu sou um grande fã de biografias, mas nunca tinha lido nenhuma de um astro do rock. A conturbada vida (e morte) do líder do Nirvana certamente é uma história interessante, e a leitura fica ainda mais fluída graças ao talento do escritor Charles R. Cross que consegue construir uma narrativa realista e romântica ao mesmo tempo. O título do livro é o mesmo da turnê que o Nirvana fez na Europa junto com o TAD, sendo uma referência tanto ao peso do vocalista do TAD quanto ao som pesado do Nirvana.
Com todo o cínico prazer que acompanha a leitura da biografia de um astro podemos aprender detalhes obscuros e lamentáveis de Kurt Cobain. Eu não tinha a menor idéia que o envolvimento de Kurt com a heroína havia sido tão grande, ou que ele sentia uma profunda aversão pela maioria dos compromissos sociais do Nirvana. Esses e outros detalhes são esmiuçados com esmero por Cross que entrega uma história pesada mas fácil de ler. O único porém fica justamente por conta do detalhamento excessivo. O livro foi bastante critícado por Cross incluir suas impressões pessoais sobre como Kurt estaria se sentindo como fato. Ainda que isso realmente leve a uma impressão parcial da história, funciona muito bem pois é realizada de forma competente por Cross. Há muitos comentários na Internet dizendo que essa seria a versão da história  "aprovada" por Courtney Love, e de fato o retrato pintado da rockeira é bem mais afetuoso do que se viu na mídia na década de 90. Uma decepção do livro, mas não necessariamente uma falha, é que o lado musical é bastante ignorado. Acredito que o que mais me interessava na leitura era descobrir como certas músicas e letras se "encaixavam" na vida do ícone de uma geração, mas infelizmente fora algumas citações sobre About a Girl e Smells Like Teen Spirit o assunto passa bastante desapercebido. Além dos dados curiosos (e quase inacreditáveis) sobre a vida de Cobain, ele morava dentro do carro pois não tinha dinheiro para alugar uma casa quando "Smells Like Teen Spirit" estava no topo das paradas, o que realmente impressiona no livro é o envolvimento de Cobain com as drogas. Nos últimos 20 anos aprendemos a contra-gosto a ter uma tolerância maior a casos extremos como o de Kurt (que acabou se suicidando), aprender a história de alguém desde o nascimento até o fundo do poço do vício de heróina de certa forma traz de volta o choque da questão de um assunto que há muito tempo deixou de ser novidade.

Dica de trilha sonora para leitura: obviamente Nevermind e In Utero.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

1001 Coisas Para Fazer Antes de Morrer

Como eu mencionei em um post anterior muito recentemente eu incluí a lista de filmes presentes no livro "1001 Filmes para Assistir Antes de Morrer" aos posts do site e levei a sério a proposta do livro de assistir a todos antes de morrer.
Eu posso dizer que a proposta tem sido uma maravilha para mim. Na hora que eu preciso escolher um filme para assistir ou para fazer um download (Ahhhhh!) eu simplesmente consulto o o livro e já tenho uma idéia de filme para assistir. A lista também me ajuda a focar os posts do blog em relação a filmes. Eu sempre ficava indeciso sobre qual filme postar ou qual merecia realmente destaque. Com a definição da lista esse problema acabou e postar no blog a respeito de filmes tem sido algo bem mais satisfatório que antes.
Quando eu comprei o livro eu vi que haviam alguns outros volumes da série 1001, e o de filmes sempre pareceu o mais óbvio para mim. Mas existem vários outros volumes e apesar de achar que a maioria das pessoas faria a mesma escolha que eu, acho interessante considerar outras listas para concluir. Veja qual se encaixa mais com você.
1001 Pinturas Para Se Ver Antes de Morrer.
Esse me parece bem interessante e mais contemplativo do que o de filmes que na comparação me parece um pouco óbvio. Porém uma dúvida pertinente, nesse caso, é se o livro instiga o leitor a de fato observar as pinturas in loco ou reproduz em suas páginas as pinturas mencionadas. Eu acredito na primeira opção e isso faz com que o objetivo do livro se torne bem mais inacessível, porém não tão distante da realidade quanto outras opções da lista. Afinal, há sempre a esperança de viajarmos aos países que guardam esse obras de arte e podermos nos perder nas cores e linhas das 1001 pinturas indispensáveis. Uma dica para aqueles que escolherem esse livro seria visitarem aquelas obras que estiverem na sua cidade ou estado ou mesmo país e relaxar olhando um bom monitor de pelo menos umas 40 polegadas Full HD para as demais.
    1001 Jardins Para Ver Antes de Morrer
Bom, aqui uma opção mais natural, indicada principalmente para os amantes da natureza e paisagismo. Acho que ter a oportunidade de apreciar um jardim em toda a sua plenitude é algo único e raro. Esse é um caso específico em que não há substituto para a necessária presença no local. Desculpem, mas nesse caso não há download que resolva, nem foto que ajude. Ainda sim, de todas as opções economicamente inviáveis para mim essa é aquela que eu mais acho interessante.

 
1001 Prédios Para Ver Antes de Morrer
Uma das opções mais agradáveis para turistas tirando o incomodo de ter que viajar por todo o mundo parece ser uma grande pedida. Obviamente que nada substitui a presença no local, mas dá para se ter uma ideia do estilo de arquitetura através de fotos. A descrição dos prédios, suas histórias e detalhes da construção tornam esse volume da coleção bastante interessante ainda que distante da realidade do ser humano comum.

 
1001 Cervejas Para Provar Antes de Morrer
Ah esse aqui sim, aposto nele como o favorito da maioria das pessoas para se começar uma campanha de 1001 coisas para fazer antes de morrer. Além de ser uma ótima desculpa para se beber indiscriminadamente também sempre pega bem você poder argumentar que uma determinada cerveja obscura é boa ou não. Pode não ser o volume mais popular ou o mais fácil de se completar da série, mas com certeza parece ser o mais divertido.  

1001 Dias Que Moldaram o Mundo
 Com certeza o livro mais acessível da série e um dos poucos que não necessita nenhuma atividade para ser completada.  Basicamente ler o livro é o suficiente. Ainda sim parece ser uma lista interessante e ajuda a perceber como vários acontecimentos distintos nos levaram onde estamos hoje.

1001 Fugas Para Fazer Antes de Morrer
Recheado de locais inesquecíveis e fora do comum esse volume é ideal para quem procura uma indicação única para aquelas férias do sonho. Planeja deixar tudo para trás por uma temporada ou um feriadão? Provavelmente aqui há uma bela sugestão para se apresentar. Apesar de não ser uma lista possível de se completar em uma única vida é um daqueles livros para se ter a mão quando você começa a sonhar que ganhou na Mega-Sena e não sabe para onde iria.

1001 Vinhos Para Beber Antes de Morrer
Aqui uma versão mais requintada do que a cerveja, e também obviamente mais dispendioso, o guia dos vinhos pode parecer um pouco elitizado mas pode ser uma surpresa agradável encontrar um vinho que você já provou nessa lista. Há algo de muito mais pessoal no mundo dos vinhos do que no do cinema ou da cerveja. Sempre quis fazer aquele curso de sommellier e nunca teve tempo? Bom, eu sou da politica do "aprenda bebendo".

1001 Buracos de Golfe Para Jogar Antes de Morrer
O mais exclusivo dos livros dessa coleção é esse provável livro de cabeceira de Tiger Woods. Eu não acredito que seria possível alguém completar essa listagem antes de morrer (depois então, mais difícil ainda...). Indicado apenas para entusiastas do esporte e curiosos.

1001 Invenções Que Mudaram O Mundo
Mais um que não exige nenhum esforço do leitor além do número de páginas a ser lido. Funciona como um bem-vindo complemento ao "1001 Dias Que Moldaram O Mundo" pois apresenta a influência da tecnologia no nosso desenvolvimento histórico. Uma leitura interessante com toda certeza, nem que seja para percebermos que o notebook e o iPod não são as maiores invenções desde a roda. 

 
1001 Maravilhas Naturais Para Ver Antes De Morrer
A capa do livro já deixa claro que essa é uma lista que infelizmente está fora da realidade da maioria de nós simples mortais completar, o que de fato é uma pena, pois essa é justamente aquela a qual temos mais direito. É raro podermos apreciar toda a beleza e  imponência da natureza de nosso planeta mas os 1001 exemplos apresentados nesse livro nos dão uma boa ideia do que herdamos de nossos pais e deveríamos preservar para nossos filhos.

 
1001 Livros Para Ler Antes de Morrer
Com tantos lançamentos anuais e requisitos acadêmicos de leitura fica difícil decidirmos quais serão os poucos livros que leremos por puro prazer. Essa lista vem bem a calhar para quem quer adquirir um conhecimento maior sobre os livros realmente relevantes (e não apenas os clássicos antiguissimos). 
É bom verificar que foi levado em consideração o fato de bons escritores produzirem mais de um (em muitas vezes vários) ótimos livros e a lista não se resume a um único livro por autor. Na verdade apenas 225 autores estão presentes na obra e cada um deles vale a pena. Eu achei a listagem na internet, dado o tamanho dos arquivos e que a maioria deles já é de domínio publico, é o mais fácil de baixar e pretendo me aprofundar nessa lista durante os próximos anos. 

1001 Livros Infantis Para Você Ler Antes de Crescer
Em uma época em que entretenimento voltado para crianças significa colocar um dvd de animação para o seu filho assistir repetidamente até que o cérebro da criança derreta, esse livro é um oásis em meio ao deserto. Muitos brasileiros admitem não terem o hábito da leitura e não percebem que não fazem o menor esforço para mudar essa realidade para a próxima geração. 1001 Livros Infantis Para Você Ler Antes de Crescer apresenta uma listagem que vai motivar qualquer pessoa (independente da idade) e reconsiderar o hábito da leitura. 

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer
Essa seria a minha segunda opção para uma listagem que eu tentaria completar e tem o bônus de eu já ter ouvido vários dos álbuns indicados aqui. A listagem é fácil de encontrar para download na internet e em uma época em que a industria fonográfica mudou radicalmente é bom voltarmos ao velhos clássicos. Mas não pense que a lista é composta unicamente por velharias e há novidades que mesmo tendo poucos anos de vida já influenciaram muita gente.

Agora é só uma questão de escolher a sua lista e começar a jornada.
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