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domingo, 6 de outubro de 2013

O Preço do Ateísmo

Como já me foi alertado os meus textos que abordam religião sempre tendem a focar mais nos defeitos da religião do que nos aspectos positivos do ateísmo. Eu tenho minhas próprias convicções de porque isso acontece, porém ao invés de falar sobre as pseudo-maravilhas de um grupo praticamente inexistente de tão heterogêneo, eu vou direto para os problemas que o ateísmo tráz. Talvez problema não seja a palavra adequada, apesar de certamente haverem inconveniências, há um preço a ser pago quando você se define como ateu e passa a ter ações que corroboram essa visão.
Primeiro deixem-me eliminar logo de início os problemas causados pelo preconceito ou pelo fato de que vivemos em um mundo predominantemente religioso, essas infelizes situações não são culpa do ateísmo e não me interessa abordá-las agora. 
O foco aqui é aquilo que seria o preço a ser pago mesmo que a utopia ateística fosse atingida e os ateus fossem tratados igualmente e as religiões não tivessem influências trágicas na politica e na sociedade. 
A "falta de sentido" da vida é algo que pode ser bastante inquietante quando não nos consideramos parte de uma criação com um propósito transcedental e sem um deus particular para atender as nossas preces ou nos proteger de injustiças ou mesmo nos recompensar por nossas virtudes. Tudo pode perder o sentido se não existirem outras influências benignas na vida da pessoa. Diversas vezes eu ouvi o argumento de que sem Deus nada nos impede de cometer os crimes mais hediondos ou sucumbir às mais degradantes tentações. De fato, nada nos impede. O ateísmo não é uma doutrina, ele não oferece absolutamente nada em troca do que ele tira e essa é exatamente a sua proposta. 
Acreditem em mim quando eu digo que essa é uma questão bem mais presente na vida do ateu do que o céu ou o inferno  a vida daquele que acredita. 
O fato de que só temos uma vida para viver e nenhuma esperança de eternidade após isso põe em perspectiva toda a sua vida todos os dias. Nossa rápida existência nesse pequeno planeta azul é bastante insignificante e quando consideramos que esse é possivelmente o único intervalo que a sua consciência vai existir esse é um pensamento bastante perturbador e potencialmente depressivo. Esse tipo de percepção fica exponencialmente maior com a idade. Quanto mais velhos ficamos mais desolador passa a ser esse pensamento. É bastante triste descobrir que sua existência vai cessar e você não vai ter realizado a maioria dos seus sonhos, que o seu nome não será lembrado, que você nunca terá a chance de corrigir certos erros e nunca mais verá as pessoas que você ama. 
Acima de tudo o preço do ateísmo é que ele expõe exatamente quem você é. Ele retira as fantasias e não põe nada no lugar. Só resta você ali. Se isso é bom ou ruim cabe a cada um de nós preencher essa lacuna. 
O ateísmo é a pessoa que rudemente te diz que você está feia quando você só quer ouvir que está bonita. Que te dá um tapa na cara quando você só quer um abraço. É o único que te diz a verdade quando tudo o que você quer ouvir é uma mentira. 

domingo, 10 de março de 2013

Livros que Mudam a Vida: A Magia da Realidade


O subtítulo de "A Magia da Realidade", o último livro de Richard Dawkins, diz "como sabemos o que é verdade" e essa é uma descrição adequada sobre o conteúdo do livro porém há mais por trás das descrições de como a ciência e o método científico nos deram informações que não são tão simples de verificarmos através da observação mais simplista e cotidiana.
Dawkins, um reconhecido escritor anti-religião, está tomando a rota da sutileza aqui e focando, como foi sugerido por muitos de seus leitores, nos benefícios da ciência aos invés dos malefícios da religião.
O tema central do livro é apresentar conceitos científicos bastante básicos sobre assuntos que foram dominados por séculos por respostas incorretas ou místicas.
Uma das maiores qualidades do livro são as ilustrações inspiradas de Dave McKean, ao mesmo tempo em que elas evocam uma identidade visual única elas também conseguem passar exatamente a idéia de um conceito abrangente e dinâmico como é o caso da maioria das explicações de Dawkins.
Eu acabei ouvindo o audiobook em inglês antes de ler o livro em português e as ilustrações de McKean tornaram a experiência mais agradável e os conceitos mais complexos mais fáceis de serem assimilados.
O livro tem um apelo muito forte aos mais jovens porém tem uma temática um pouco desequilibrada. Enquanto a maioria dos capítulos se propõe a responder questões básicas e que parecem mais apropriadas a pré-adolescentes (como "quem foi a primeira pessoa?" ou "do que são feitas as coisas?) as respostas algumas vezes não conseguem ser tão dinâmicas a ponto de prender a atenção do leitor mais jovem.
Dawkins inicia cada capítulo enumerando as "explicações" religiosas e supersticiosas para todos os fenômenos para os quais ele se dispõe a explicar e depois apresenta a explicação científica para eles. Ainda que o tom de Dawkins seja menos combativo do que em Deus, Um Delírio, a inevitável comparação é avassaladora e acaba se revelando um dos mais eficientes ataques a religião. O grande trunfo do livro é deixar que essa percepção ecoe sozinha na mente do leitor sem necessariamente forçá-la "goela abaixo" algo que outros livros anti-teístas podiam (ainda que injustamente) ser acusados. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ateus são o grupo que mais causa repulsa e antipatia

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre preconceito no Brasil mostra que aversão aos não-crentes é maior do que a dedicada aos usuários de drogas, travestis e prostitutas.

Vinícius Carvalho
vcarvalho@odiariomaringa.com.br

Eles não dizem amém, não batem na madeira e só jejuam antes de exames clínicos, ou para emagrecer. São sempre minoria, rejeitados pela esmagadora massa de cristãos, muçulmanos e outros crentes do mundo. A maior parte deles não está interessada em conflito, contudo os ateus são o grupo que causa maior repulsa no brasileiro, de acordo com pesquisa da Fundação Perseu Abramo, publicada em fevereiro.
Numa análise detalhada sobre o preconceito no Brasil, o levantamento aponta a existência de intolerância relacionada à orientação sexual, crença religiosa, dependência química e situação econômica.
O grupo apontado como mais odiado, na opinião dos entrevistados, é a “gente que não acredita em Deus”. Eles despertam repulsa ou ódio em 17% das pessoas e antipatia em outros 25%, superando a aversão causada por usuários de drogas, garotos de programa, transexuais, travestis, e prostitutas.

Nem ver
Entre as pessoas que os entrevistados afirmaram ter menos vontade de ver ou encontrar na rua, os ateus aparecem em segundo lugar, com 25% – atrás apenas dos usuários de drogas (35%).
A discriminação contra o não-crente é aberta e exercida livremente. No Dicionário Houaiss, entre os sinônimos atribuídos ao verbete “ateu”, estão “ímpio” e “herege”. No entanto, os descrentes, em geral, não estão interessados em atacar nenhuma religião ou profanar os símbolos sagrados da maior parte da humanidade.
“Muitas pessoas acham que se você não tem um pastor, não é ovelha, e se não é ovelha, então é lobo”, diz o estudante de Farmácia no Cesumar, Gustavo Silva Santos, ateu e morador de Maringá.Ele afirma que, quando fala sobre o assunto, as reações são quase sempre negativas. “Os olhares são feios, os comentários desconfiados”, comenta.

Fora do manual
Para Gustavo, a aversão aos ateus se deve ao fato de muita gente acreditar que as concepções de bem/mal e certo/errado estarem necessariamente associadas à crença religiosa.
“O ateísmo é tido como fora dos padrões clássicos de bom comportamento, fora dos ritos sociais comuns. Não nos enquadramos do manual de como ser bom, segundo a Igreja: cultuar a Deus, casar, batizar os filhos, crismá-los e manter talões de dízimo”, diz Gustavo. “Como esse padrão é muito mais forte em pequenos centros, ser ateu ou até agnóstico em Maringá é problema grave”, destaca.
Segundo apurou O Diário, discriminação contra ateus é sentida até no meio jurídico. Muitos daqueles que não creem em Deus, como é o caso de um advogado ouvido pela reportagem, começaram a questionar as religiões com ajuda da ciência.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Preces e Resoluções


“Senhor Deus, por favor ajude-me. Por favor, eu imploro. Ajude um pobre pecador como eu. Por favor me dê forças para enfrentar essa prova tão dolorosa e pesada que se coloca diante de mim nesse momento.”
Eu me encontro em um dos momentos que levam as pessoas a pronunciar esse tipo de frase e ainda sim escrevê-la exige um esforço criativo legítimo para que eu possa sequer considerar quais as palavras preencheriam esse tipo de mensagem.
Eu não gostaria de me encontrar em uma situação desesperadora, porém esse tipo de acontecimento me fornece uma visão particular desses momentos e um contato mais próximo com a motivação de pessoas nessas condições.
A minha falta de motivação para que eu não acredite nesse tipo de prece/súplica não vem de um mal direcionado sentimento de orgulho, ainda que eu acredite que esse tipo de mensagem necessite de desnecessária identificação do solicitante como alguém simplório, errado e arrependido, porém a minha indisposição para esse tipo de solicitação desesperada é a simples falta de propósito para isso.
Não haverá uma intervenção divina para mim ou para quem eu proponho, e isso independe da maneira como eu levei a minha vida ou como ele tenha levado a dele, e em algum lugar do mundo alguém que tenha vivido seguindo fielmente todas as arbitrárias e ilógicas (e muitas vezes cruéis) regras da religião poderia fazer as mesmas súplicas e mesmo assim não receberia qualquer tipo de intervenção sobrenatural.
Qualquer tipo de mudança inesperada na ordem natural é fruto da mera chance estatística de isso acontecer de qualquer outra maneira. Vez após vez percebemos o que é estatisticamente improvável como sendo sobrenatural. O que nos leva a imaginar se não temos como alterar as chances do que seria improvável de acontecer a nosso favor. E qual a única coisa que podemos fazer? Qual a única coisa que podemos fazer para transformar algo intangível e improvável em algo concreto e certeiro? Desejar. Desejar que isso se torne realidade. Mas talvez desejar seja algo muito simples. Nós estamos acostumados a desejar diversas coisas simples durante o dia e nenhuma delas acontece. Talvez a resposta seja um pouco mais além. Talvez não seja apenas desejar que seja verdade, talvez nós devêssemos dar o benefício da dúvida ao destino e acreditar que isso irá de fato se tornar realidade. Talvez a resposta seja acreditar em algo como se fosse verdade antes mesmo de sabermos se isso é verdade. Isso é a fé.
Mas ainda sim isso não concretiza o desejo. Talvez por que estejamos acreditando de antemão em algo simples de se acreditar. Talvez nossa fé pudesse ser melhor demonstrada se acreditarmos em algo mais improvável. Talvez se acreditarmos em mitos que desafiam tudo aquilo que presenciamos e verificamos desde o nosso nascimento... Talvez então nossa fé seja o suficiente para que possamos mudar as probabilidades o suficiente para que um evento extremamente improvável ocorra em nosso favor.
No fundo trocamos a possibilidade de um favor extremamente improvável (a vida de um filho, a cura de um pai, a vida eterna) pela crença inquestionável em algo absurdo.
Coincidentemente, o método utilizado acaba tornando a realização do favor inverificável, e a crença absurda em algo que pode ser facilmente monetizado.
Uma das características de um golpe é que ele funciona melhor quando a vitima esta mais fragilizada e nunca em minha vida eu fui tão procurado por religiosos tentando me converter quanto nesse momento.
Peço desculpas aos leitores mas depois de considerar alguns minutos percebi que não há outra maneira de explicar a minha situação a não ser descrevê-la diretamente.
Meu pai está internado em estado grave na UTI do Hospital Dom João Becker de Gravataí  há alguns dias e no último domingo ele foi desenganado.
Ele é o que eu definiria como ateu não-praticante, ele não acredita em Deus mas procura não interferir com a crença de ninguém. Escrevendo isso percebo que jamais sofri qualquer tipo de influência dele em relação a religião. Quando minha mãe insistia que eu fosse a missa ou a catequese ele jamais proferiu uma palavra de incentivo ou de reprovação e a própria revelação de que ele era ateu só foi feita para mim muitos anos depois que eu mesmo já havia me definido como tal para toda a família.
Quando eu vejo ele no leito da UTI e trocamos olhares temos um entendimento, talvez único em nossa família, de que nossa história acabará lamentavelmente ali. Não há promessas de continuações, ou ilusões de nuvens e harpas, há apenas a importância do que foi feito e construído até aquele momento. Estamos comprometidos com nossa consistência e esse é o legado de nossa relação, pelo menos no que diz respeito a nossa escolha religiosa. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livros Que Mudam a Vida - Deus Não é Grande: Como a Religião Envenena Tudo

Quando eu li Christopher Hitchens pela primeira vez eu fiquei genuinamente emocionado. Hitchens resgata o sentimento de indignação com as barbáries cometidas pela religião e nos ajuda a perceber como, de fato, a religião envenena tudo, incluindo nossa capacidade crítica a respeito dela.
Se você for ler apenas um livro esse ano, o que infelizmente será verdade para a maioria dos brasileiros, já que uma pesquisa recente aponta que o brasileiro lê em media apenas dois livros completos por ano e que o livro mais lido é a Biblía, eu recomendaria que você lesse esse livro.
Separei algumas passagens de cada capítulo.

Capítulo 1: Colocando Gentilmente
E aqui está o ponto, sobre mim e meus colegas pensadores. Nossa crença não é uma crença. Nossos princípios não são uma fé. Nós não confiamos exclusivamente na ciência e na razão, porque estes são necessários, em vez de fatores suficientes, mas desconfiamos de tudo que contradiga a ciência ou ultraje a   razão. Podemos divergir sobre muitas coisas, mas o que respeitamos é a indagação livre, a mente aberta, e a busca de idéias para seu próprio bem. Não temos convicções dogmáticas.


Capítulo 2: Religião Mata
Certa vez ouvi o falecido Abba Eban, um dos diplomatas e estadistas mais polido e pensativo de Israel, dar uma palestra em Nova York. A primeira coisa a bater o olho sobre o conflito israelo-palestino, disse ele, foi a facilidade de sua solubilidade. A partir deste início cativante ele passou a dizer, com a autoridade de um ex-chanceler e representante da ONU, que o ponto essencial era simples. Dois povos de tamanho equivalente tinha um crédito a mesma terra. A solução seria, obviamente, a criação de dois Estados lado a lado. Certamente, algo tão evidente estava dentro do espírito do homem para abranger? E assim teria sido, décadas atrás, se os rabinos e mulás messiânicos e padres pudessem ter sido mantidos fora da questão. Mas os clamores exclusivos para a autoridade dada por Deus, feita por clérigos histéricos de ambos os lados e ainda mais felizmente por cristãos que esperam trazer o Apocalipse (precedido pela morte ou a conversão de todos os judeus), tornaram a situação insuportável, e colocaram toda a humanidade na posição de refém de uma briga que apresenta agora a ameaça de guerra nuclear. A religião envenena tudo. Bem como uma ameaça à civilização, tornou-se uma ameaça à sobrevivência humana.


Capítulo 3: Uma pequena digressão sobre o porco, ou, por que o céu odeia presunto?
A atração e repulsão simultânea é derivado de uma raiz antropomórfica: o olhar do porco, e com o sabor do porco, e os moribundos gritos do porco, e a inteligência evidente do porco, eram de uma demasiada e incômoda reminiscência do ser humano.

Capítulo 4: Uma nota sobre a saúde, para qual a religião pode ser perigosa
Feche os olhos e tente imaginar o que você diria se você tivesse que infligir o maior sofrimento possível no menor número de palavras.
"... Durante o carnaval no Brasil, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Rafael Llano Cifuentes, disse à sua congregação em um sermão que "a igreja é contra o uso do preservativo. As relações sexuais entre um homem e uma mulher tem que ser natural. Eu nunca vi um cãozinho usar um preservativo durante a relação sexual com um outro cão." Figuras clericais experientes de vários outros países, como o cardeal Obando y Bravo da Nicarágua, o arcebispo de Nairobi, no Quênia, e o Cardeal Emmanuel Wamala de Uganda, tem todos ditos aos seus rebanhos que as camisinhas transmitem AIDS.


Capítulo 5: As afirmações metafísicas da religião são falsas
Todas as tentativas de conciliar a fé com a ciência e a razão estão fadadas ao fracasso e ao ridículo por precisamente estas razões. Eu li, por exemplo, de alguma conferência ecumênica dos cristãos que desejam mostrar sua mente aberta e convidar alguns físicos para participarem. Mas sou obrigado a lembrar o que eu sei, que é que não haveriam tais igrejas, em primeiro lugar, se a humanidade não tivesse temido coisas como o clima, o escuro, a peste, o eclipse, e toda sorte de outras coisas agora facilmente explicáveis. E também se a humanidade não tivesse sido obrigada, sob pena de consequências extremamente agonizantes, a pagar os dízimos e impostos exorbitantes que elevaram os edifícios imponentes da religião.

Capítulo 6: Argumentos sobre Design
Ceticismo e descoberta libertaram (os religiosos) do fardo de ter que defender seu deus de ser absurdo, desajeitado, um cientista louco, e também de ter que responder perguntas perturbadoras sobre quem infligiu o bacilo da sífilis ou criou o leproso ou a criança deficiente, ou concebeu os tormentos do trabalho. O fiel repousa absolvido dessa acusação: não temos mais qualquer necessidade de um deus para explicar o que não é mais misterioso. O que os crentes vão fazer, agora que sua fé é opcional e privada é irrelevante, é uma questão para eles. Nós não deve se preocupar, desde que eles não façam  nova tentativa de forçar a religião sob qualquer forma de coerção.


Capítulo 7: Apocalipse: O pesadelo do "Antigo" Testamento
Em Deuteronômio Moisés dá ordens para os pais que seus filhos sejam apedrejados até a morte por indisciplina (que parece violar pelo menos um dos mandamentos) e continuamente faz pronunciamentos demêntes ("Aquele que está ferido nas pedras, ou tem o seu membro cortado , não entrará na congregação do Senhor "). Em Números, ele aborda seus generais depois de uma batalha e se enfurece com eles por poupar tantos civis: "Agora, pois, matem todos os meninos entre as crianças, e matai toda mulher que tiver conhecido homem, deitando-se com ele. Mas todas as mulheres-crianças que não tem conhecido um homem, deitando-se com ele, manter as viva para vós."

Capítulo 8: O "Novo" Testamento excede o mal da"Velho"
Muitos dos ensinamentos de Jesus são ininteligíveis e mostram uma crença na magia, vários são absurdos e mostram uma atitude primitiva para com a agricultura (isso se estende a todas as menções de arar e semear, e todas as alusões a árvores de mostarda ou figueira), e muitos são claramete imorais. A analogia de seres humanos para os lírios, por exemplo, sugere juntamente com muitas outras passagens, que coisas como economia, inovação, vida familiar, e assim por diante são uma pura perda de tempo. ("Não fazeis plano para o dia de amanhã.")

Capítulo 9: O Corão é uma cópia de mitos judaicos e cristãos.
Em vinte e cinco anos de discussões, muitas vezes ferrenhas, apenas uma vez fui ameaçado com violência real. Isso ocorreu em Washington, DC quando eu estava jantando com alguns funcionários e apoiadores da Casa Branca de Clinton. Um dos presentes, um na época conhecido democrata arrecadador de fundos para o partido, questionou-me sobre a minha mais recente viagem ao Oriente Médio. Ele queria a minha opinião sobre a razão pela qual os muçulmanos eram tão "tudo nervosos, malditos fundamentalistas." Eu descrevi meu repertório de explicações, acrescentando que muitas vezes é esquecido que o Islã é uma fé relativamente jovem, e ainda no calor da sua auto-confiança. Os muçulmanos ainda não tiveram tempo de sofrer a crise de insegurança que havia superado o cristianismo ocidental. Acrescentei que, por exemplo, enquanto havia pouca ou nenhuma evidência para a vida de Jesus, a figura do Profeta Maomé era ao contrário pessoa significativamente documentada na história. O homem mudou de cor mais rápido do que eu já havia visto. Depois de gritar que Jesus Cristo tinha mais significado para as pessoas mais do que eu jamais poderia imaginar, e que eu era nojento acima de qualquer insulto por falar tão casualmente de Cristo, ele recuou o pé e mirou um pontapé que só a sua decência, concebivelmente seu cristianismo, o impediu de desferir contra minha perna. Ele então ordenou que sua esposa o acompanhasse enquanto se retirava.

Capítulo 10: O enfeite barato do milagroso e o declínio do Inferno
Depoimento de Ken Macmillan, o cinegrafista do documentário "Algo Bonito Para Deus":
"Durante as filmagens, houve um episódio em que fomos levados para um prédio que Madre Teresa chamava de Casa dos Moribundos. Peter Chafer, o diretor, disse: "Ah, bem, é muito escuro aqui. Você acha que podemos conseguir alguma coisa?" E nós tínhamos acabado de receber na BBC um novo filme feito pela Kodak, que não tivemos tempo para testar antes de sairmos, então eu disse a Pedro: "Bem, nós podemos tentar e pode dar certo."Então, nós filmamos. E quando voltamos, algumas semanas depois, um mês ou dois mais tarde, nós estamos sentados na sala de projeção no Ealing Studios e, eventualmente, se vêm as imagens da Casa dos Moribundos. E foi surpreendente. Você podia ver todos os detalhes. E eu disse: "Isso é incrível. Isso é extraordinário." E eu ia dizer, você sabe, três vivas para a Kodak. Eu não tive a chance de dizer isso, porém, porque Malcolm, sentado na primeira fila, virou-se e disse: ".. É luz divina. É Madre Teresa. Você verá que é a luz divina, meu velho" E três ou quatro dias depois eu estava recebendo telefonemas de jornalistas de jornais de Londres que diziam coisas como: ". Ouvimos dizer que você acabou de voltar da Índia com Malcolm Muggeridge e que você testemunhou um milagre"
Assim nascia uma estrela. . .


Capítulo 11: "O Selo humilde de sua origem": O começo corrupto da Religião
Não são os livros sagrados do monoteísmo oficial absolutamente encharcado de desejo material e com descrições - quase de dar água na boca- das riqueza de Salomão, das pastagens e rebanhos prósperos e bem sucedidos dos fiéis, as recompensas para um bom muçulmano no paraíso, para não falar de muitos, muitos contos sombrios de pilhagem e saque? Jesus, é verdade, não mostra nenhum interesse pessoal no ganho, mas ele fala de um tesouro no céu e até mesmo de "mansões" como um incentivo para segui-lo. Não é mais verdade que todas as religiões ao longo dos tempos têm mostrado um grande interesse no recolhimento de bens materiais no mundo real?

Capítulo 12: Um Epílogo: Como a Religião Acaba
Pode ser igualmente útil e instrutivo vislumbrar o encerramento de religiões ou movimentos religiosos. Os mileritas, por exemplo, não existem mais. E nós não ouviremos falar novamente, a não ser de forma vestigial e nostálgica, de Pan ou Osíris ou qualquer um dos milhares de deuses já escravizaram pessoas absolutamente.

Capítulo 13: A Religião Faz as Pessoas Comportarem-se Melhor?
A primeira coisa a ser dita é que o comportamento virtuoso de um crente não é prova da verdade de sua crença de forma alguma, não é nem mesmo um argumento a seu favor. Eu poderia, vamos imaginar, agir de forma mais caridosa se ​​eu acreditasse que Buda nasceu de uma fenda no lado de sua mãe. Mas isso não faria o meu impulso de caridade dependente de algo muito tênue? Da mesma forma, não digo que se eu pegar um sacerdote budista roubando todas as oferendas deixadas pelo povo simples em seu templo, o budismo é, assim, desacreditado. E esquecemos em qualquer caso, como tudo isto é contingente. Das milhares de religiões possíveis que haviam no deserto, assim como haviam milhões de espécies potenciais, um ramo criou raízes e cresceu. Passando por suas mutações judáicas até a sua forma cristã, que foi adotado por motivos políticos pelo Imperador Constantino, e transformada em uma fé oficial com (eventualmente) a forma codificada e aplicável ​​de seus muitos livros caóticos e contraditórios. Já para o Islã, ele se tornou a ideologia de uma conquista de grande sucesso que foi adotado por dinastias de sucesso, codificados e estabelecido por sua vez, e promulgado como lei da terra.

Capítulo 14: Não há Solução "Oriental"
A espécie humana é uma espécie animal sem muita variação dentro dela, e é ingênuo e inútil imaginar que uma viagem ao Tibete, por exemplo, vai revelar uma harmonia inteiramente diferente com a natureza ou com a eternidade. O Dalai Lama, por exemplo, é inteiramente e facilmente reconhecível para um secularista. Exatamente da mesma maneira como um príncipe medieval, ele faz a afirmação não só que o Tibete deve ser independente da hegemonia chinesa - uma solicitação aceitável -  mas que ele próprio é um rei hereditário nomeado pelo próprio céu.Que conveniente! Seitas dissidentes dentro de sua fé são perseguidas; seu governo de um homem em um enclave indiano é absoluto, ele faz declarações absurdas sobre sexo e dieta e quando em suas viagens para Hollywood os principais doadores como Steven Segal e Richard Gere são ungidos com o status de "santos" dentro da religião budista. (Na verdade, mesmo Gere foi forçado a reclamar  um pouco quando o Sr. Segal foi reconhecido como "tulku',ou "pessoa de alta iluminação". Deve ser chato  ser derrotado em um leilão tão espiritual.)

Capítulo 15: Religião Como Um Pecado Original
Há, de fato, várias formas nas quais a religião não é apenas amoral, mas definitivamente imoral. E estas falhas e crimes não estão a ser encontradas no comportamento dos seus adeptos (que às vezes pode ser exemplar), mas em seus preceitos originais.

Capítulo 16: Seria a Religião Abuso de Menores
Como podemos saber quantas crianças tiveram suas vidas físicas e psicológicas irreparavelmente ​​mutiladas pela inoculação compulsória da fé? Isso é quase tão difícil de determinar como o número de sonhos e visões espirituais e religiosos e que se tornaram "verdade", que a fim de possuir ainda uma verificação real teria que ser medido contra todos os sonhos não registrados e esquecidos que não se realizaram. Mas podemos ter certeza de que a religião sempre exerceu sua influência sobre as mentes disformes e indefesas dos jovens, e tem feito grandes sacrifícios para certificar-se deste privilégio, fazendo alianças com os poderes seculares no mundo material.

Capítulo 17: Uma Objeção Antecipada: O último argumento contra o secularismo
Se eu não posso provar definitivamente que a utilidade da religião está no passado, e que seus livros fundamentais são fábulas transparentes, e que é uma imposição feita pelo homem, e que tem sido um inimigo da ciência e da investigação, e que tem subsiste em grande parte a mentiras e medos e foi cúmplice da ignorância e da culpa, bem como da escravidão, do genocídio, do racismo e da tirania, posso certamente afirmar que a religião está agora plenamente consciente dessas críticas. E também está plenamente consciente da evidência sempre crescente, sobre as origens do cosmo e da origem das espécies, coisas que ela tenta levar à marginalidade, se não tão somente à irrelevância.

Capítulo 18: Uma Tradição Melhor: A Resistência do Racional
É fato que alguns seres humanos sempre notaram a improbabilidade de Deus, o mal feito em seu nome, a probabilidade de que ele é feito pelo homem, e a disponibilidade de crenças alternativas menos prejudiciais e outras explicações. Não podemos saber os nomes de todos estes homens e mulheres,porque eles foram, em todos os tempos e todos os lugares, objetos de repressão implacável. Por motivo idêntico, nem podemos saber quantas pessoas ostensivamente devotas eram secretamente descrentes. No final dos séculos XVIII e XIX, em sociedades relativamente livres, como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, os incrédulos, mesmo seguros e prósperos como James Mill e Benjamin Franklin sentiram que seria aconselhável manter as suas opiniões privadas. Assim, quando lemos sobre as glórias da pintura "cristã" e da arquitetura, astronomia ou da medicina "islâmica", nós estamos falando sobre os avanços da civilização e da cultura (alguns deles previstos pelos astecas e chineses) que têm tanto a ver com "fé", como seus predecessores tinham a ver com sacrifício humano e imperialismo. E nós não temos meios de saber, exceto em alguns poucos casos especiais, quantos desses arquitetos e pintores e cientistas decidiram preservar seus pensamentos mais íntimos do escrutínio dos fiéis.

Capítulo 19: Conclusão: A Necessidade de uma nova iluminação
Acima de tudo, temos necessidade de uma iluminação renovada, que vai basear-se na proposição de que o estudo apropriado da humanidade é o homem e mulher. Este esclarecimento não vai precisar depender, como seus antecessores, dos avanços heróicos de poucas pessoas talentosas e extremamente corajosas. Está ao alcanço da pessoa comum. O estudo da literatura e da poesia, tanto para seu próprio bem como para as eternas perguntas éticas da qual eles tratam, agora podem facilmente derrubar o exame dos textos sagrados que foram provados ser corruptos e inventados. A busca da investigação científica desenfreada, e da disponibilidade de novas descobertas para as massas por fáceis meios electrónicos, vai revolucionar nossos conceitos de pesquisa e desenvolvimento. Muito importante, o divórcio entre a vida sexual e o medo, e a vida sexual e as doenças,e a vida sexual e tirania, pode agora, finalmente, ser tentada, sob a única condição de que todas as religiões sejam banidas da questão. Tudo isto e muito mais está, pela primeira vez em nossa história, ao alcance de todos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Livros Que Mudam a Vida - A Posição missionária: Madre Teresa na Teoria e na Prática


"Quem seria tão vil para implicar com uma velhinha mirrada, encolhida, bem avançada em anos, que consagrou a sua vida inteira para os necessitados e desvalidos? Por outro, quem seria tão desinteressado a ponto de deixar de escrutinar a influência e as motivações de uma mulher que disse certa vez operar mais de quinhentos conventos em mais de 105 países - 'sem contar com a Índia'? Mártir solitária e fanática, ou presidente de uma multinacional missionária?
A escala se altera com a perspectiva, e a perspectiva se altera com a escala."
Assim se inicia o livro de Christopher Hitchens que propõe analisar as verdades por trás do mito da Madre Teresa. Publicado em 1995, bem no meio de uma década na qual Madre Teresa era figura constante quando se mencionavam trabalhos humanitários respaldados por celebridades como Princesa Diana, Hillary Clinton e Charles Keating. Hitchens disseca o fenômeno "Madre Teresa" e expõe várias facetas não tão nobres do trabalho da missionária e nos faz pensar em como atribuímos valor automático, a alguém que conhecemos tão pouco, apenas por causa da máscara da religião.



Introdução
Hitchens demonstra a facilidade com que Madre Teresa se desprendia de seu meio religioso e circulava pelo cenário político mundial enquanto apoiava e promovia déspotas e vigaristas notórios em troca de doações a sua cruzada.  Hitchens menciona (dois anos antes da morte de Madre Teresa) de que ela já era amplamente divulgada como forte candidata a beatificação a futuramente a santidade dada a amplitude de sua fama. Isso de fato ocorreria em 2003, quando o Vaticano reconheceu um suposto milagre dela na cura de um tumor de uma mulher indiana. Foi amplamente divulgado que o marido e alguns médicos da mulher informaram que o problema que afligia a mulher não era de fato um tumor e sim um cisto causado por uma tuberculose e que a cura havia se dado através de tratamento médico convencional, o que não impediu o Vaticano de continuar com o processo de beatificação. 


Um Milagre
Hitchens reconta seu encontro pessoal com Madre Teresa e explica a forma como ela e sua imagem se popularizaram a nível mundial. Ele demonstra que apesar das enormes dificuldades e de uma pobreza difícil de subestimar Calcutá não tem a apatia tão amplamente divulgada por Madre Teresa. Apesar de sua vida cotidiana difícil os "mais pobres dos pobres" não mendigam. Algo que sempre foi vendido pelo marketing de Madre Teresa e das Irmãs da Caridade.  
Enquanto Madre Teresa se opunha estoicamente a qualquer opção de controle de natalidade ela mantinha um pequeno orfanato que servia 12 camas a crianças que de outra forma teriam efetivamente morrido. O problema óbvio aqui é que a missionária acreditava que isso a permitia (de um ponto de vista moral) sua campanha incessante e a utilização de todo o seu "poder de celebridade" contra os metódos contraceptivos e isso em um país e em uma cidade que lidam com problemas extremos de super-população. 
Ainda que o trabalho de Madre Teresa tenha seus momentos de fascínio inegável sua orientação de que altruísmo e humanismo são "tentações" e que seu trabalho com os pobres só se da por única e exclusiva obediência a Deus, sendo que não pode haver gratificação no sentimento de realizar o trabalho em si acabam 
ofuscando o que poderia de fato ser uma qualidade redentora do trabalho da missionária.



Trabalho de Deus e Virtudes Heróicas
Nesse capítulo vemos a prática da teoria de Madre Teresa de que o sofrimento dos pobres é algo que ajuda o mundo. Hitchens mostra o relato do Dr. Fox, editor da The Lancet, uma das maiores publicações de medicina do mundo e que se interessou pelos aspectos médicos da ajuda oferecida passa a verificar o "tratamento", propriamente dito, oferecido pela missionária para os enfermos tratados. Eu achei tão impactante o relato que resolvi traduzi-lo na integra aqui: 
"Há médicos que ligam de vez em quando, mas geralmente as irmãs e voluntários (alguns dos quais
tem conhecimentos médicos) tomam decisões da forma que acham mais adequada. Eu vi um homem jovem que tinha sido admitido em más condições, com febre alta, e os medicamentos prescritos
tinham sido tetraciclina e paracetamol. Mais tarde um médico que o visitava o diagnosticou com malária. Não foi possível alguém ter verificado seu sangue? As investigações clínicas, foi-me dito, são
raramente permitidas. Que tal verificações simples que possam ajudar as irmãs e voluntários distinguir
o curável do incurável? Novamente não. Tal sistemática e abordagens são estranhos ao modo de operar da casa. Madre Teresa prefere providência ao planejamento, suas regras foram criadas para evitar qualquer tendência para o materialismo: as irmãs devem permanecer em condições de igualdade com os pobres. . . . Finalmente, o quão competentes são as irmãs em controlar a dor? Em uma visita curta, eu não poderia julgar o poder de sua abordagem espiritual, mas eu estava perturbado ao saber que o formulário não inclui analgésicos fortes. Junto com a negligência de diagnóstico, a falta de boa abordagem analgésica demonstram que Madre Teresa está claramente separada da condição de ajuda a pessoas doentes ou morrendo."
Uma observação contundente de Hitchens é que essas condições não eram encontradas em um hospital improvisado no meio de um campo de batalha mas em um hospital gerido por Madre Teresa por mais de quatro décadas e meia nas quais mais de três ela havia recebido generosas quantias de doações do mundo todo. 
Talvez o posicionamento da missionária seja facilmente revelado pela sua declaração de que: " o dom mais bonito que uma pessoa pode receber é poder compartilhar do sofrimento de Jesus Cristo". 
Em certa entrevista uma vez a própria Madre Teresa se traiu ao recontar o caso de uma mulher que tinha câncer terminal, sofria de dores insuportáveis "Você está sofrendo como Jesus na Cruz. Então ele deve estar te beijando." Alheia à ironia gritante do que estava dizendo a própria Madre Teresa disse a resposta da pobre mulher: "Então por favor peça para ele para de me beijar."
É interessante notar que ao se deparar com as doenças da velhice e problemas de coração a Madre Teresa se internou nas melhores e mais caras clínicas do Ocidente.  
Hitchens mostra o relato de Susan Shields ex-irmã da caridade que entre as diversas revelações diz que as irmãs eram instruídas a batizar secretamente aqueles que estavam morrendo e a sempre alegar pobreza mesmo que a conta bancária da instituição já tivesse mais do que 50 milhões de dólares dos quais nada era gasto em benefícios dos doentes. 
Hitchens também menciona nesse capitulo o envolvimento de Madre Teresa com Charles Keating que armou um dos maiores golpes de investimento da história americana e doou 1,4 milhões de dólares para o trabalho de Madre Teresa. Durante o julgamento dele Madre Teresa escreveu uma carta para a promotoria e para o juiz pedindo que o Sr. Keating fosse perdoado pelo que fez e que se perguntassem o que Jesus faria em seu lugar. 
O promotor do caso, Sr. Paul Turley, respondeu a Madre Teresa informando que Keating estava sendo julgado por roubar mais de US $ 250 milhões de mais de 17.000 investidores em seu negócio. Entre eles diversos pessoas humildes sem qualquer conhecimento do mercado financeiro, inclusive de um pobre carpinteiro que não falava inglês e que havia sido roubado das economias de uma vida toda. Ele concluiu sua carta perguntando a Madre Teresa:
"Pergunte a si mesmo o que Jesus faria se tivesse recebido os frutos de um crime, o que Jesus faria se estivesse na posse de dinheiro que havia sido roubado, o que Jesus faria se estivesse sendo explorado por um ladrão para aliviar sua consciência? Eu diria que Jesus teria prontamente e sem hesitações devolvido a propriedade roubada aos seus legítimos proprietários. Você deve fazer o mesmo. Você recebeu dinheiro obtido através de roubo e fraude. Não permita que ele a "indulgência" que ele deseja. Não guarde o dinheiro. Devolva-o para aqueles que trabalharam por ele e que o mereceram! Se você entrar em contato comigo eu vou colocar você em contato direto com os legítimos proprietários do dinheiro em sua posse." 
O Sr. Turley jamais recebeu resposta. 


Ubiquidade
Aqui vemos a história de Madre Teresa e suas ligações com a Albania e com a política do local. Hitchens questiona posicionamento claramente político de Madre Teresa em diversas questões polêmicas e bilaterais mesmo quando ela alega estar além de qualquer posicionamento político. E ao contrário do que poderiam defender seus seguidores e fãs, ela não se via envolvida nessas situações mas buscava ativamente envolvimento em questões polêmicas exaltando o sofrimento alheio, como quando em 1984 voou a cidade indiana de Bhopal para discursar a uma população que havia sido vítima de um grave crime perpetrado pela política irresponsável de uma empresa que acabou matando e vitimando milhares de pessoas. Antes mesmo de que qualquer culpado pudesse ser averiguado Madre Teresa estava no aeroporto da cidade dizendo aos outros: "Perdoem, Perdoem". Entretanto a sua mensagem de perdão universal não era tão facilmente aplicada já que ela anunciava publicamente que jamais permitiria a um casal ou mulher que houvesse praticado um aborto a possibilidade de adotar uma das crianças "dela".    


Posfácio
Finalmente Hitchens deixa claro, assim como no ínicio do livro, de que sua iniciativa de julgar a reputação de Madre Teresa por suas ações e palavras ao invés de julgar suas ações e palavras através de sua reputação, não se devem a implicância cega contra uma indefesa senhora que tenta simplesmente melhorar o mundo mas sim de alguém que agiu por mais de quarenta anos de uma forma que não é completamente clara para o mundo e influenciou (ou tentou influenciar) profundamente a política e costumes de várias sociedades, que acumulou amizades com vigaristas e opressores, que recebeu milhões em doações e nunca foi questionada sobre a utilização do dinheiro e que principalmente fez tudo isso sem necessariamente ajudar aos que realmente precisavam e contavam com ela, enquanto promovia um culto de dor e sofrimento e ajudava a tornar a vida daqueles em mais necessidade e mais desesperados cada vez mais atrasada e difícil.  

Madre Teresa morreu em 1997, em 2007 foram publicadas correspondências nas quais Madre Teresa havia deixado clara uma grave crise de fé que ela jamais havia comentado. 
"Onde está minha fé? Mesmo lá no fundo ... não há nada além do vazio e da escuridão ... Se Deus existe, por favor me perdoe. Quando tento elevar meu pensamento ao céu, há um vazio de convencimento tal que esses pensamentos retornam como facas afiadas a ferir minha alma ... Como é dolorosa esta dor desconhecida, eu não tenho fé. Repulsa, vazio, sem fé, sem amor, sem zelo, ... O que eu trabalho para? Se não há Deus, não pode haver alma. Se não houver alma então, Jesus, você também não é verdadeiro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Últimas Ceias

Aparentemente é um passatempo comum recriar a "Última Ceia" conforme pintada por DaVinci. Selecionei as minhas preferidas:








sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Morre Christopher Hitchens, autor de "Deus Não é Grande"

Foi com muita tristeza que comecei o dia de hoje tomando conhecimento da notícia do falecimento daquele que foi uma grande influência para mim: Christopher Hitchens.
Hitchens era um crítico mordaz, ferrenho, irrascível da religião organizada e um debatedor sem igual. Hitchens era tão avasssalador como debatedor que o termo "Hitchslap" (algo como bofetada de Hitchens) foi cunhado em sua homenagem.
Hitchens morreu de câncer na noite de ontem nos Estados Unidos, ele tinha 62 anos. Hitchens, apesar de bastante fragilizado pelo câncer continuou produzindo textos e ensaios até seus momentos finais.
Para mim seu livro mais influente foi "Deus Não é Grande" porém todos os seus livros eram interessantes e compunham leitura praticamente obrigatórias para qualquer ateísta. Seu livro o "Ateu Portátil" era uma leitura esclarecedora sobre os grandes pensadores e como suas visões se entrelaçavam e davam base a vários argumentos ateístas e seculares. Desde Sócrates e Platão, até Mark Twain e Salman Rushdie, passando por Thomas Hobbes e Spinoza, Hicthens soube incorporar argumentos e provocar reflexões sobre as origens e a própria natureza da religião.
Em sua homenagem eu coloco um vídeo com os melhores momentos dele disponíveis no YouTube.

Ps: Eu lamento não poder disponibilizar ele com legenda mas os melhores momentos de Hitchens não estão disponíveis legendados.






quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como Foi Formada a História do Velho Testamento.

Há algum tempo atrás encontrei esse video sobre a história da criação dos mitos que formam o Velho Testamento. Achei uma teoria tão importante e esclarecedora que pensei eu mesmo em legendar o video. Felizmente alguém mais teve a mesma idéia e eu posso compartilhar com vocês através do blog. O video é dividido em duas partes e um pouco complexo, afinal a própria junção de diferentes mitos que compõem esse livro é bastante complexa, mas com um pouco de atenção podemos ter uma versão bem mais interessante e realista do que veio a formar o Velho Testamento.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Jesus, O Imoral (Os ensinamentos imorais de Jesus)

Aqueles que acompanham o blog sabem que eu estou em uma instigante discussão com meus bons amigos Derek Scheifler Moreira (agnóstico) e João Colombo (teísta) sobre religião. Em um dos meus úlitmos posts eu afirmei que os ensinamentos de Jesus eram não somente amorais, como também imorais. Afirmei que trataria do assunto em um post subsequente e este é o post. Porém antes de irmos ao nosso tópico, cabem alguns esclarecimentos sobre Jesus e religião.
Os argumentos contra o Cristianismo são numerosos e inegáveis. Mas, como o João Colombo gosta de me lembrar, se aplicam apenas a Instituição Religiosa da Igreja Católica. Sendo assim a mensagem original (Jesus Cristo) seria completamente inocente das barbaridades perpetradas em seu nome nos séculos que se sucederam.
Nesse eixo teísta-ateísta em que depositamos nossa discussão há algumas posições nas quais classificar a posição de cada um para com os ensinamentos e a figura de Jesus Cristo.

1º A pessoa acredita que Jesus é o filho de Deus e portanto que tudo o que ele diz é correto e verdadeiro.

2º A pessoa é agnóstica em relação à divindade de Jesus, mas acredita que independente disso sua mensagem é positiva. 

3º A pessoa é agnóstica em relação à divindade de Jesus e julga o que ele diz pelo próprios méritos dos seus argumentos.


4ºA pessoa não acredita que Jesus é o filho de Deus e julga o que ele diz pelos próprios méritos dos seus argumentos.


5º A pessoa não acredita na divindade de Jesus, e portanto acredita que seus argumentos estão errados.



Eu acredito que a 1º e 5º opções estão igualmente equivocadas. Não se pode concluir que os ensinamentos de Cristo são simplesmente errados ou certos baseados em sua divindade. E eu acredito que todos os que discutem comigo concordam com essa postura.
 
Mas um detelhe interessante a se considerar aqui é quantas pessoas você conhece que pensam como a 1º opção e quantas pensam como a 5º opção?
Eu posso honestamente dizer que eu conheço absolutamente ninguém que pensa como a última e que a maioria das pessoas que eu conheço pensa como a primeira.
 
Porém na 2º opção é onde reside o mistério: porque tantas pessoas não sabem mais do que um ou dois ensinamentos de Jesus e são tão ávidos em dizer que sua mensagem é universal e inegavelmente positiva?
 
Primeiro, Jesus tem uma campanha de Marketing que deixaria a Coca-Cola com inveja. Eu mesmo, me questionei, quando o meu atéismo enveredou para a validade dos argumentos de Cristo, de onde vinha a impressão positiva que eu tinha dele, mesmo sem lembrar de uma parábola do suposto filho de Deus. Quando eu era pequeno eu assistia a Desenhos Bíblicos no SBT. Eu fiz catequese e o primeiro ano da Crisma e não aprendi absolutamente nada sobre a Bíblia ou Jesus, mas sempre que eu me pegava considerando os ensinamentos de Cristo eu pensava naquele desenho. Obviamente o bordão jesuítico "me entregue a criança antes dos 10 anos e eu te entregarei o homem" tem seu sentido.
 Mais tarde Mel Gibson me encantou com "A Paixão de Cristo". Eu lembro de o filme ter causado um profundo impacto em mim. Eu assisti o filme duas vezes, uma com o Derek e me lembro de eu o ter repreendido por rir das pessoas que choravam na saída do filme. Eu disse a ele que deveriamos respeitar aquelas pessoas. O que eu estava querendo dizer é que deveriamos respeitar a crença delas e isso é algo que eu não acredito mais. Hoje eu consigo identificar o que me abalou na história de Mel Gibson sobre os momentos finais de Cristo. A violência e o sofrimento causados são elementos suprimidos da história (ainda que sejam a moral da mesma) quando ela é repassada às crianças. Todo nós aprendemos ainda jovens que Jesus morreu pelos nossos pecados mas nenhum pai adiciona uma violência tão gráfica a uma história que nos é tão familiar.


Obviamente os méritos da produção de Mel Gibson não atribuem ou definem qualquer valor a história original mas atestam o quanto ela nos é entregue de forma pessoal e nos é familiar e imediatamente reconhecível. A identificação com a foto acima (de Jesus com um carneirinho) não é algo imediato?
O meu ponto aqui é que entre os Desenhos Bíblicos quando eu era jovem e A Paixão de Cristo já adulto o marketing de Jesus é forte e (uma das poucas vezes na qual podemos atribuir essa palavra a religião de forma realista) onipresente.

Antes de eu enveredar pelo caminho da 3º e 4º opções que é onde reside a minha convicção eu devo salientar uma pequena circunstância sobre essas posições:

Infelizmente não espaço para uma posição do tipo: "6º A pessoa não acredita que Jesus é o filho de Deus e mesmo assim que tudo o que ele diz é correto e verdadeiro."

Há uma lógica (ainda que eu discorde dela) em dizer que Jesus está certo em tudo porque ele é o filho de Deus. Quando tentamos analisar o que ele diz tentando não atribuir a ele qualquer divindade a possibilidade de lhe atribuir qualquer mérito se torna quase impossível.

C. S. Lewis definiu muito bem a possibilidade de que Jesus tivesse sido um grande líder moral sem ser divino: " Essa é a única coisa que nós não devemos dizer. Um homem que era apenas um homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande professor moral. Ele seria ou um lunático, no mesmo nível que o homem que diz que é um ovo cozido ou então ele seria o Diabo do Inferno. Você deve fazer sua escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus, ou então um louco e coisa pior. Você pode tê-lo por um tolo, pode cuspir Nele e matá-Lo como um demônio, ou você pode cair a Seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não vamos vir com algum disparate sobre ele ser um grande mestre humano. Ele não deixou essa possibilidade aberta para nós. Ele não teve esta intenção." 

Mesmo concordando com Lewis (e essa seria uma rara ocasião já que ele é o maior dos defensores do Cristianismo do século 20) eu ainda me vejo compelido a ir adiante com a minha proposta e demonstrar
que vários dos ensinamentos de Cristo eram imorais. Mas obviamente eu admito que nem todos eram imorais, alguns deles eram válidos, ainda que impraticáveis em uma sociedade justa e moderna  e outros simplesmente derivativos ou irrelevantes e só receberam alguma atenção já que teriam vindo de uma fonte divina e alguns de fato bons conselhos.

Mas finalmente vamos aos ensinamentos de Cristo que eu acho são imorais e/ou denotam uma hipocrisia tremenda:

Em Lucas 22:36 Jesus diz a seus discípulos para comprarem espadas. Nada contra a ação em si, mas isso soa estranho para o maior pacifista de todos os tempos. No contexto da frase ela obviamente tem em mente apenas auto-defesa, mas o que aconteceu com "dê a outra face"?

Em Apocalipse 2:22 Jesus deixa claro sua raiva contra a profetisa Jezabel: "Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações". Toda essa Ira vinda justamente do Princípe da Paz?
Em Mateus 10:34 Jesus passa uma mensagem um tanto quanto distoante de seus outros ensinamentos mais pacíficos: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada."


Em João 2:15 se dá a famosa passagem na qual Jesus vendo comerciantes no templo expulsa os animais e os homens a chicotadas, derruba as mesas e as moedas dos comerciantes: "E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derrubou as mesas."



Em Mateus 8:32 Jesus, ao expulsar demônios de dois homens os "transfere" para uma manada de porcos, que em seguida se atira de um penhasco em um lago abaixo e morre afogada.
Ainda que eu saiba que várias religiões odeiam porcos, isso me parece um tanto quanto cruel.
 

Em Mateus 15:22 ocorre a passagem que eu acho mais revoltante desse suposto "mais perfeito exemplo de moral". Jesus inicialmente se recusa a expulsar um demônio da filha de uma mulher cananéia, chamando a mulher de "cachorro". Depois de muito pedir, ele finalmente concorda em expulsar o demônio.


Em Lucas 14:26 Jesus diz: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo."

Em Mateus 12:30 Jesus diz a famosa frase "Ou você está comigo ou contra mim". Bom, nosso grande filósofo Obi-Wan Kenobi teria algo a dizer sobre isso:

Se você fizer algo pecaminoso com a sua mão/olho, corte o fora. (Mateus 5:29-30, contexto sexual).

Casar com uma mulher divorciada é adultério. (Mateus 5:32)

Não faça planos para o futuro. (Mateus 6:34)

Não junte dinheiro. (Mateus 6:19-20)

Não se torne rico (na terra), no céu tudo bem... (Mateus 10:21-25)

Venda tudo e dôe aos pobres. (Lucas 12:33)

Não trabalhe para obter comida. (João 6:27)

Não tenha desejos sexuais. (Mateus 5:28)

Se alguém roubar de você não tente reaver o que foi roubado. (Luke 6:30)

Se alguém te der um soco convide-o a fazer novamente. (Mateus 5:39)

Se você perder um processo dê mais do que foi determinado. (Mateus 5:40)

Eu até entendo a beleza de alguns dos ensinamentos acima, mas convenhamos eles não são apenas impraticáveis são também contrários a nossa própria natureza e instinto de preservação.



Umas das provas do quanto Jesus é hipócrita é a passagem na qual ele diz que caso alguém chame outra pessoa de "tolo" essa pessoa poderá ir para o Inferno (Mateus 5:22) e mesmo assim ele chama outras pessoas de "tolo" (Mateus 23:17).
Nenhum personagem da Bíblia aterroriza tanto outras pessoas com a certeza do Inferno como Jesus. Há ainda o agravante de várias vezes Jesus deixar claro que o Inferno com todos os seus sofrimentos está reservado para aqueles que não acreditarem no que ele fala, ou não escolherem ele como salvador.

Muitas pessoas afirmam que apesar de O Velho Testamento apresentar uma sucessão de genocídios ordenados por um Deus infantil, ciumento e irado, o Novo Testamento, através da figura de Jesus Cristo, seria a grande redenção do Cristianismo. Bom, infelizmente Jesus já no começo do Novo Testamento demonstra seu compromisso com a ideologia do Velho Testamento ao não apenas reforçar os 10 mandamentos mas ainda "aprimorá-los".
Jesus relembra o mandamento de "não cometerás adultério" porém complementa: "Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela."



Além dessas passagens específicas, que eu não chamaria necessáriamente de imorais, apenas problemáticas,  há doutrinas centrais que Jesus defendeu que eu realmente considero imorais:
 
Amor compulsório: Segundo os ensianamentos de Jesus você DEVE amar ao próximo, você DEVE amar o seu vizinho, você DEVE amar os seus inimigos. Instintivamente essa condição é impossível para nós. Nós não somos capazes de amar indiscriminadamente e dizer que a única alternativa para esse dever é queimar eternamente no fogo do inferno é completamente imoral e esse tipo de ensinamento não deve ser passado as nossas crianças.
 
Livre Arbítrio Unilateral: Nós temos a ilusão de livre arbítrio no caso apresentado por Jesus. Nós até podemos escolher não segui-lo mas então qual a opção que nos resta? Fogo eterno! Ele não diz: " me siga por causa dos meus argumentos" ou "me siga por que eu sou a melhor opção". Ele diz me siga e me aceite incondicionalmente ou você será eternamente amaldiçoado.
 
Pecado Original: Mesmo não estando presentes quando o fruto proibido foi comido ou quando Jesus foi crucificado (os dois grandes pecados da humanidade), e independente de nossas reações a eles nós carregamos essa culpa conosco desde o nascimento. E temos de nos arrepender disso. Não temos em nenhum momento a opção de não ter pecado. Não, essa é uma caracteristica exclusivamente divina. Não importa quem você seja ou o que você faça, você tem que se arrepender desses pecados que você nem ao menos cometeu.  
 
Perdão a Terceiros: Jesus redimiu os pecados de todos os seres-humanos, anteriores a ele e posteriores a ele. Isso significa que ele perdoou todas as ofensas que cometemos contra ele e Deus (ele mesmo). Até aí tudo bem e significativamente nobre. Mas ele perdoou também as ofensas cometidas contra outras pessoas. Se alguém te ofendeu, cometeu um crime contra você, independentemente da gravidade do assunto e independete do que você acha da situação Jesus perdoou essa pessoa. Esse conceito de perdoar uma terceira parte, quando a questão nem ao menos envolve você é imensamente presunçosa e nem um pouco humilde, como sempre ouvimos que Jesus era.  
 
Redenção e responsabilidade: O pior dos ensinamentos de Cristo é que podemos pegar toda a nossa culpa e jogarmos em cima de outra pessoa por que um ritual de sacrifício humano foi realizado. Não há uma alegoria que seja mais bárbara e imoral do que essa e no entanto ela é mundialmente aceita e celebrada. Jesus corrompe o nosso próprio senso de moralidade e nós nos negamos a observar isso porque simplesmente nos acostumamos com a estória.
 
Crime de Pensamento: Como bem exemplificado nas passagens acima Jesus reconhece o direito de Deus de te julgar e punir (ainda que ele pregue que um cristão não deva julgar os outros, embora ele faça isso a todo momento) baseado no seu pensamento. Isso é a classificação de um estado totalitário e injusto.
 
Recompensa: Jesus nunca diz: faça o bem simplesmente por fazer, faça o bem simplesmente para deitar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila. Ele promete riquezas no pós-vida. Agora me parece que não é um objetivo muito nobre quando você quer ser bom pensando apenas na recompensa (póstuma ou não) que você ira ter. E é justamente aqui que toda a mensagem positiva de Jesus afunda. Seus grandes ensinamentos como fazer caridade sem a necessidade de se exibir para os outros, se mostram simplesmente articulações de um sistema diferente de lucro. Você investe agora e é recompensado no pós-vida. A lógica da situação pode ser posta a prova, mas fazer o bem aqui para ganhar dinheiro ali não é nem um pouco nobre. E só para constar quanto aqueles que possam argumentar que Jesus falava de riquezas espirituais ele sempre deixava transparecer que as riquezas espirituais deveriam ser buscadas aqui na Terra e as riquezas mais mundanas no Reino dos Céus.


Infelizmente na conclusão desse longo texto (e eu agradeço profundamente os que se dispuseram a ler até aqui) eu sou obrigado a admitir que isso tudo é desnecessário se observarmos o que é óbvio nessa situação. Os ensinamentos de Jesus, e a Bíblia como um todo, não passam de invenção, folclore e bravata religiosa. Eu só consigo apontar essas inconsistências e erros porque os livros que formam a Bíblia são o fruto de diversos autores, ao longo de séculos e escritos centenas de anos após os eventos que supostamente relatam. Não há nada de divino na Bíblia e pelo que eu acredito ter demonstrado há diversas mensagens que podem ser consideradas imorais. Porém se as inconsistências apontadas na Bíblia fossem retiradas, como ocorrem ainda hoje pois nessa minha pesquisa eu consultei diversas traduções e as mais novas assumem uma linguagem cada vez mais diferente e amenizadora dos absurdos escritos e cada vez mais longe do texto original, ainda sim estariamos com um livro que de mentiras e absurdos que sabemos não serem possíveis.
Se nós nos atermos ao aspecto da Bíblia que demonstra sua divindade estamos lidando com um Deus amoral e francamente intolerante, um Jesus com uma mensagem duvidosa e com aquilo que sabemos ser completamente impossível de acontecer. Do momento em que nascemos até o momento em que morremos todas as provas, todos os dias, apontam para que o que está escrito na Bíblia ser completamente impossível de acontecer e mesmo assim as pessoas acreditam baseadas no testemunho de um livro que foi escrito por pessoas que ouviram de outras pessoas que ouviram essas histórias ao redor de fogueiras no Oriente Médio durante centenas de anos. Se considerarmos apenas os ensinamentos morais da Bíblia e deixarmos de lado a parte fantástica da história podemos ver diversos valores na mensagem de Cristo, mas de forma alguma a mensagem dele está acima de críticas. Vários dos ensinamentos dele não nos servem hoje, vários dos ensinamentos dele não devem ser seguidos ou ensinados a nossos filhos e isso não é um atestado de que somos impuros e precisamos de absolvição ou que precisamos melhorar para chegar ao nível impossível exigido por Jesus. Pelo contrário, nossa inobservância de vários dos seus mandamentos deve ser interpretada como um sinal de nossa evolução moral e nosso compromisso para com valores reais.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ateu X Crente X Agnóstico


Eu continuo sendo honrado com a presença de meus caros amigos Derek Scheifler e João Colombo em nossa aparentemente interminável discussão sobre religião. Nos dois últimos posts nos quais tratamos disso (Fanatísmo Ateu e Fanatísmo Ateu: Um Debate) eu recebi respostas de ambos sobre as questões levantadas e me apresento para mais uma réplica.

Primeiro o argumento do Derek:

Resolvi voltar do meu "oásis agnóstico" (não recomendo!) para algumas colocações.

Primeiramente meu comentário sobre o teu fanatismo surgiu pelo primeiro motivo (não entediar nossos demais amigos) e não pelo segundo (te achar uma criatura de mente fechada).

A questão é que o João levantou ai uma coisa interessante, que já notei por diversas vezes na tua argumentação, e que isso sim é de praxe em qualquer retórica fanática: desenvolver e expandir o seu argumento, enquanto restringe e limita os dos demais. Deus não é só o da igreja católica. Isso por si só é um grande dado. Existindo a figura de Deus em outras religiões e doutrinas por si só já afirma isso. Restringir Deus a visão católica e/ou protestante é negligência, que prefiro acreditar que tu não cometa de forma consciente, e sim por ser o nosso exemplo mais “cotidiano”. Deus é em essência um ser de poder incomparável que criou todas as coisas. Isso para qualquer religião ou visão. Só. O que os homens incluíram em sua “lenda” não é de Sua autoridade. O que os homens dizem que é Sua vontade ou Suas leis não são Dele, e sim do homem. Crer em Deus é só crer que um ser criou tudo que existe, e não o acaso. Se qualquer maluco acha que subiu no morro e Deus entregou para ele umas pedras com “textos divinos” é OUTRA história. Bom, ai sim vamos as doutrinas que tentam então nos aproximar Dele. As doutrinas, tanto religiosas quanto de qualquer outra natureza, são muito perigosas, pelo simples fato que todas ditam o que é certo e o que é errado, impondo assim sua vontade sobre os demais e ao afirmar o que é certo, automaticamente reduz todos os demais a erros. Tudo que é imposto envolve poder. Tudo que envolve poder tem grande potencial construtivo e destrutivo. Acreditar em Deus não envolve necessariamente ter uma postura ativa diante disso. Creditar a Deus as calamidades que grupos religiosos cometeram em Seu nome não é válido. A humanidade já se mostrou, em diversas ocasiões, ser intolerante e violenta a tudo que é diferente, não apenas no campo religioso. Concordo sim que as religiões já causaram muitas destruições, mas também nos ajudaram a construir outras tantas (já expliquei isso exaustivamente em outro lugar aqui no blog) como muitas das expressões humanas. Porque a religião nada mais é do que uma expressão humana. Dizer que hoje existem leis é um argumento falho, pois TODAS ELAS se originaram de doutrinas religiosas, pois até mesmo o que o estado laico considera certo e errado veio delas. É importante, contudo, separar definitivamente duas coisas: deus e religião. Podemos sim acreditar em Deus em não seguir a nenhuma doutrina. O oposto obviamente não. Ser ateu e dizer que Deus é ruim por causa de algumas religiões é tão leviano e malicioso quanto dizer que alguém cometeu algum crime porque era ateu e “não tinha Deus no coração”. Acreditar em deus é acreditar em algum grande plano, em alguma lei ou ordem das coisas, e não que a vida é um emaranhado caótico de encontros e acontecimentos, surgidos de um acidente evolutivo. Eu, claro, queria ter algumas dessas duas certezas comigo...

Primeiro eu concordo com várias coisas que você falou e discordo de apenas algumas.
Talvez seja um mau planejamento meu, mas eu considero que o desenvolvimento e expansão do meu argumento é compátivel com o espaço que cedo ao desenvolvimento e expansão do argumento de vocês (ou de qualquer outro colaborador que venha a se manifestar).  Eu entendo que você está mencionando o conteúdo e racionalização da minha própria retórica. Mas se há falhas ou incoerências nela, provocadas por falta de espaço que eu mesmo cedo na contra-argumentação das minhas idéias, isso é algo que eu adoraria que vocês continuassem apontando, afinal eu não me furto das mesmas ações quando eu respondo o argumento de vocês.
Quando você considera que eu limito a minha discussão ao Deus da igreja católica/ e ou protestante de forma inconsciente eu posso assegurar que esse não é o caso. Eu escolho partir desse princípio, justamente por ser o nosso exemplo mais cotidiano, e por partilhar extremas semelhanças com o Deus judaico e islâmico, porém a minha  questão contra a religião (ou instituição religiosa como o João gostaria que eu chamasse) é que eu nunca conheci nenhuma religião que causasse qualquer tipo de benefício sem trazer estragos muito maiores. Mas o ponto mais básico da questão é que pesar o bem ou mal causado por uma instituição não conclui ou atesta a veracidade da mesma. Então além da minha indignação com os maus causados pela religião, há a questão do óbvio embuste religioso, mesmo quando a religião é utilizada com boas intenções o seu resultado é torpe e prejudicial. Eu reconheço que diferentes tipos de religião tem tipos de defeitos práticos diferentes (ainda que possivelmente derivados dos mesmo erros) e que uma acusação feita contra os preceitos católicos não se aplica direta ou necessariamente aos budistas, ou muçulmanos. Novamente eu reforço que por questão de espaço eu não cito essas religiões aqui (ainda que com o tempo eu pretenda retomar o assunto).

Depois disso vem algumas frases sobre digamos, algumas características universais de Deus. E eu concordo que todos que acreditam em Deus concordam com essas características.

"O que os homens incluíram em sua “lenda” não é de Sua autoridade."
Hum, eu não tentaria levar Deus a um tribunal caso seja isso que vocês estejam pensando. Como eu já disse anteriormente eu não julgo Deus. Até porque eu não acredito em Deus. Mas há um looping lógico que é apresentado na idéia de vocês que eu, infelizmente, sou obrigado a acreditar tem a função de tornar mais difícil contrariar a idéia. O Deus que você me apresente é o Deus que não tem nenhuma ligação com textos sagrados e portanto doutrinas. Um Deus "Einsteinano" ou "ideológico" como já foi chamado. Esse Deus preenche a mesma lacuna que "mistério" ou "ainda não identificado" ocuparia. Como eu disse aqui tudo vira semântica e eu não tenho nada contra esse "Deus". Stephen Hawkins diz que a Física Quântica pode "ler a mente de Deus" e é ateu. Acho que fica claro aqui que esse "Deus" não me oferece nenhum perigo pois ele não oferece a nenhum dos seus crentes caminhos para preconceito ou intolerância. Essas pessoas podem cometer esses atos mas daí eles claramente não foram influenciados pela doutrina religiosa. Eu não tenho e jamais terei nada contra esse tipo de Deus, se tanto o próprio motivo de chamar isso de Deus, mas nada mais. Porém como eu disse antes essa definição não encontra nenhum respaldo dentro do conceito de Religião, que é o que eu realmente sou contra. E aqui eu não posso deixar de já me adiantar e responder ao João sobre a origem da palavra religião. Realmente a etmologia da palavra é inegavelmente muito mais interessante do que a sua definição atual (ainda que eu não a considere completamente inofensiva), mas eu estou falando de doutrina religiosa. Visando um texto mais abrangente eu me permito a utilização da palavra religião para definir isso. E eu acredito, infelizmente, que 99,9% das pessoas compreendem que quando eu critico a religião eu estou criticando a doutrina religiosa seja ela qual for.

Bom, voltando ao Derek, depois de esclarecermos sobre qual Deus estamos falando eu concordo com as opiniões de que o Deus "Einsteinano" não pode ser considerado culpado pelos atos cometidos em seu nome. Bom, aqui reside o problema. De fato, nenhum "ato" é cometido em nome desse Deus, pois para ele simplesmente não existem doutrinas. Nem ao menos o caráter benigno pode lhe ser atribuído. Esse Deus se torna portanto irrelevante para a nossa discussão. O único Deus que me interessa é o Deus das escrituras, o deus da religião.
Quanto ao argumento de que todas as leis (que acabam por definir o certo e o errado) vieram de doutrinas religiosas, o que certamente é discutível pois aspectos básicos e inerentes ao ser humano como a sobrevivência, são observados por essas leis e contundentemente precedem qualquer tipo de religião, ou mesmo aspectos modernos previstos em leis como o direito a privacidade (presente na constituição) e que não encontra qualquer respaldo em qualquer aspecto religioso. Mas mesmo que esse fosse o caso esse argumento seria inadmissível pois mesmo as leis (originadas de constumes) que tiveram origens religiosas foram ponderadas sob outros aspectos e a maior prova disso é que algumas sobreviveram a esse escrutínio e outras simplesmente foram abandonadas.

Ser ateu e dizer que Deus é ruim por causa de algumas religiões é tão leviano e malicioso quanto dizer que alguém cometeu algum crime porque era ateu e “não tinha Deus no coração”.
Eu não tenho o que discordar da frase acima, mas apenas para ter certeza de que não há uma implicação desnecessária do meu posicionamento na conotação dela eu gostaria de salientar que isso não representa o que eu defendo, que sendo o que é eu admito pode descuidadamente ser confundida com a frase acima.
Primeiro por que existem dois "Deuses" nessa discussão. Um que eu chamo de Deus "Einsteinano" e que realmente não se aplica na questão e outro o Deus (principalmente o da Bíblia, mas eu reforço que existem outros diversos exemplos) das religiões. Esse segundo Deus, não é ruim simplesmente porque seus seguidores fazer coisas ruins, ele é ruim porque seus seguidores fazem coisas horríveis respondendo aos entendimentos desse Deus e eu não estou falando aqui dos maus intencionados que deturpam a suposta mensagem desse Deus, eu estou falando da mensagem original, inalterada por interpretações subjetivas, eu estou falando do óbvio, (também mas não somente) das ordens diretas de Deus e Jesus na Bíblia. 

Vamos a resposta do João:

Tentarei ser mais breve dessa vez:

Primeiro: Eu sugeri que buscasse a "origem da palavra religião", não o seu sentido no dicionário, que é falho. Religião vem do latim 'religare' e significa tão somente "religar". O homem ao longo do tempo atribui o sentido de se ligar à divindade, mas na antiguidade, tinha o sentido mais amplo de uma conexão com outros seres (animais, plantas e pessoas) Nesse contexto, a palavra religião por si só é algo muito positivo.

Segundo: Peço cuidado ao me chamar de crente, pois hoje em dia isso denota alguém que crê cegamente numa fé qualquer. Sou muito mais cético do que imaginas, pois, pelo contrário, duvido de tudo, antes de assumir algum discurso. Como costumo dizer, minha fé em Deus, independe de dogmas.

Terceiro: A lógica filosófica se distingue da lógica comum. Ela não se baseia em tecnismos, medições ou números, como a lógica matemática, ela preenche, através da 'dedução' aquilo que a ciência não responde, pois o universo é muito mais do que aquilo que vemos.

Quarto: quanto a saber quando Jesus falou de evolução... bem, eu diria que em todas as passagens, mas partamos da sua mensagem maior "Ama o próximo como a ti mesmo". Nesse ponto o Cristo quebra o paradigma do "olho por olho" e diz que não devemos apenas "não fazer mal", mas que devemos evoluir e "fazer o bem". 'Não fazer o mal' e 'fazer o bem', são coisas bem distintas. Jesus falava por parábolas para que sua mensagem pudesse ser entendida em todos os tempos e porque sabia que, naquela época, que nem todos compreenderiam sua mensagem. Uma de suas frases que dá mais uma ideia da questão da evolução, para teres ideia é "Nem só de pão vive o homem", ou seja, não basta alimentar o corpo (se focar nas coisas materiais), é necessário alimentar o espírito também (adquirir cultura, conhecimento). Meu amigo, sugiro que, mais do que ler a bíblia, estude-a, em seu contexto histórico, além de ler mais de Sócrates e Platão, de onde está a maior bagagem cristã, além de outros filósofos... Nossa vida é uma dualidade de três coisas: Corpo e mente trabalham para compreendermos filosofia, religião e ciência; e essas três coisas não podem ser desassociadas.

Quinto: quanto ao debate sobre o fanatismo ateu, é perigoso você acusar de imoral aquilo que a muitos pessoas tem como modelo mais perfeito de moralidade, não só o Cristo, mas qualquer outro líder religioso. Não é apenas um pensamento crítico, pois não foi fundamentado e é necessário. Portanto, peço que diga onde, nesses conceitos, está a imoralidade do Cristo para qualquer modelo de sociedade, moderna ou antiga (o conceito de pecado, redenção, responsabilidade, o amor compulsivo, livre arbítrio unilateral.) e onde o Cristo cometeu este deslize? Para uma crítica à sua postura são necessários fundamentos, senão, tornam-se apenas argumentos vazios.

Meu caro amigo Vinício, espero que mais do que simplesmente cavar por argumentos a fim de refutar a mim e ao Derek, reflita profundamente sobre cada vírgula. Não quero converter ninguém a nada, mas algumas coisas são mais simples do que parecem.

Forte Abraço.

Vamos a resposta:
1º Acho que me empolguei e já respondi essa no texto do Derek.

2º Peço desculpas por me utilizar desse rótulo tão difamado nos dias de hoje. Eu continuarei o usando no entanto tão somente no sentido de "aquele que crê". Eu admito que não me ocorre outra nomenclatura e eu facilmente abriria mão dela caso eu econtrasse (ou me fosse sugerida) uma tão facilmente reconhecida que denotasse apenas o sentido original.

3º Eu devo confessar que me sinto decepcionado. Eu esperava mais do que "dedução" e abandono de ferramentas tão essenciais como tecnismos, medições ou números. Eu concordo que o univeros é muito mais do que aquilo que vemos. Mas como uma velha máxima esclarece: Só porque algo não tem uma explicação natural não quer dizer que tenha uma sobrenatural.

4º Por questão de espaço eu pretendo debater a mensagem de Jesus em um post a parte, mas muito em breve. Eu também tenho que confessar que me senti um pouco ofendido com a sua idéia de que eu não leio Platão e Sócrates o suficiente. Eu já escrevi um texto sobre Sócrates e Jesus, traçando a comparação de que ambos falharam em deixar textos de suas próprias mãos e existindo apenas através de relatos secundários. Porém eu diria ainda que Platão (principalmente levando em consideração o fim do relato sobre Sócrates) é leitura obrigatória para qualquer ateu.

5ºAh, aqui eu não poderia concordar e discordar mais de você ao mesmo tempo mas, felizmente para a minha sanidade, são em pontos diferentes. Como eu argumentei antes eu não cheguei a apresentar os argumentos para essas colocações e eu agradeço por você finalmente levar em consideração esse ponto antes de classificar essas idéias. Apesar de ao não apresentá-las eu estar me utilizando do mesmo pré-conceito (tão comumente estendido a figura de Jesus) de que determinados argumentos são bons porque alguém diz que eles são sem a necessidade de expô-los. De qualquer forma eu pretendo expô-los em um post muito em breve.

Quanto a ser perigoso eu "acusar de imoral aquilo que a muitos pessoas tem como modelo mais perfeito de moralidade, não só o Cristo, mas qualquer outro líder religioso" eu tenho que perguntar como isso pode ser perigoso? A própria noção de que questionar algo amplamente aceito é perigoso denota o quão frágil e potencialmente não verdadeiro aquele ideal é. A descrição "modelo mais perfeito de moralidade" pode ser aplicada, sem alterações à visão do povo japonês sobre o Imperador durante a 2º Guerra Mundial. E similar a cristo ele não era apenas "o mais perfeito modelo moral" ele também era divino. Se a sua orientação fosse seguida ele jamais teria sido obrigado pelas forças aliadas a anunciar pelo rádio (depois da rendição do Japão) que ele na verdade não era um deus. O que essa perigosa idéia de desafiar o modelo mais perfeito de moralidade (concretizada nesse caso) causou ao Japão? Fez eles abandonarem uma subserviência e inquestionabilidade prejudicias e se tornar uma das nações mais desenvolvidas do mundo.

Infelizmente eu me vejo obrigado a discordar da última afirmação, ainda que eu entenda que ela é composta por boas intenções.

Primeiro eu devo dizer que acredito que você não esteja tentando converter ninguém e espero que você acredite que eu também não quero "des-converter" ninguém.

Agora eu não esperaria que você me encorajasse a fazer "mais do que simplesmente cavar por argumentos a fim de refutar a você e ao Derek". Justamente por não buscar nada além de um debate entre ideologias diferentes eu não pretendo fazer absolutamente nada mais do que apresentar argumentos e ter uma boa e saudável discussão com meus amigos. Insinuar, ainda que sutilmente, que há algo místico por trás de um dos lados dispostos nesse embate é se utilizar da mesma curtina infeliz que a religião sempre se cobriu.

Um grande abraço.
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