Páginas

Mostrando postagens com marcador erros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador erros. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de janeiro de 2014

Livros que Mudam a Vida: Carcereiros


Eu devo começar o meu post sobre esse livro esclarecendo a motivação para comprá-lo. Primeiramente eu gosto do fato de o autor Drauzio Varella ser um ateu assumido, ainda que ele não faça disso uma bandeira. Eu já vi ele mencionando em uma entrevista ter sofrido preconceito por seu ateu e eu de alguma forma acredito estar dando algum tipo de contribuição para que esse tipo de preconceito acabe ao comprar livros do autor. Um pouco romântico da  minha parte, é verdade, mas ainda sim motivação suficiente para eu pegar o livro na livraria e considerar a compra. Evidente que o assunto em si me parece bastante interessante por si só, uma visão da vida dos carcereiros contada através da experiência de um médico que tem mais de 23 anos de trabalho voluntário em presídios do Brasil.
O livro é praticamente um complemento à Estação Carandirú, best-seller do mesmo autor que acabou gerando o filme Carandirú. Porém desta vez acompanhamos as histórias pelo ponto de vista daqueles que tentam manter a ordem e a segurança dentro dos presídios: os carcereiros.
Esse foi o primeiro livro de Varella que eu li e fiquei feliz em descobrir que o estilo do escritor é bastante agradável. O ritmo rápido e objetivo proporciona uma leitura envolvente e fascinante. Eu inclusive sugiro ele como re-introdução à leitura de livros de pessoas que perderam o hábito da leitura. Cada capítulo contem uma história ou assunto e o desfecho quase sempre é rápido, eficaz e contundente.
Varella apresenta uma grande obra quando fala sobre as condições precárias das cadeias brasileiras, a tratamento desumano dos prisioneiros e suas crueldades praticamente indescritíveis, os perigos constantes da profissão de carcereiro, os momentos de heroísmo de colegas de profissão, e o destino dos que sucumbem ao suborno.
Infelizmente a leitura acaba se tornando um pouco confusa quando Varella se dispõe a narrar acontecimentos vivenciados por carcereiros que por sua vez lhe contaram suas histórias, em algumas a transição dos pensamentos e impressões do autor para o relato em si não é tão fluído quanto se esperaria e fica ainda pior quando ele relata situações mais tensas que tem um desenrolar mais imediato e cuja a impressão é de que, apesar de extremamente interessantes, pertecem a outro livro.
Mas não se engane quanto a qualidade do livro, esses são erros menores que não comprometem o valor do conhecimento aqui passado.
Eu fiquei com a clara impressão de que o médico sobrepõe o escritor no caso de Varella e ele é na maioria das vezes conciso , claro e direto em suas informações. E quando ele decide usar esse connhecimento para deixar clara sua opinião sobre o problema das cadeias ele o faz com uma clareza e senso de realidade assustadores.

Eu sempre fui o tipo de criança que me fascinava com as histórias de vida de pessoas mais velhas e sempre adorava passar horas ouvindo um tio ou amigo dos meus pais relatar sobre sua profissão ou outros relatos que para mim traziam informações de um mundo desconhecido. Se você tinha um avô ou tio contador de histórias com uma vida interessante então você sabe exatamente o que encontrar no livro de Varella, um relato de vida que fascina aqueles que não tem conhecimento do que acontece por trás dos muros dos presidíos e possivelmente educa aqueles com uma simplória opinião pronta para esse tipo de problema.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sementes...


Você me bate, empurra e tenta me intimidar. Grita, xinga e tenta mais uma vez o golpe imundo de tentar apertar o fácil botão que aciona os meus medos mais óbvios. Somente um imbecil como você tentaria um golpe tão óbvio como esse. Algo tão banal, tão rasteiro.
Seus esforços físicos simplistas são percebidos por meus braços e nada mais. Você se tornou apenas uma carcaça ambulante na qual eu deposito todo o lixo e decepções causados por você mesmo. Ainda sim você insiste e com as mais tolas palavras insiste em tentar me controlar.
E eu como um robô pré-programado respondo a elas da forma esperada. Te bato, empurro e tento te intimidar. Você finge não ouvir e isso me enfurece ainda mais.  Eu uso os argumentos que eu sei que vão te convencer e você permanece calado. Então eu te lembro que o meu pior defeito é ser sua continuação. É ser tão ruim, tão egoísta como você.
Eu não desejo ser honesto, sincero e fiel, mas eu sou porque isso me distância de você. Essas não são sensações agradáveis para a mera extensão de você que eu sempre fui e essa é a única razão que essas qualidades tem algum valor para mim. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Livros Que Mudam A Vida: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Eu sou uma criança. Sei disso por que depois de passar quase toda a minha uma hora de intervalo de almoço escolhendo um livro na Saraiva escolhi o com a capa mais colorida.
Eu me devo uma certa indulgência e admitir que essa não era a minha intenção inicial. Eu queria comprar a biografia de Johnny Cash, quando isso não foi possível tentei algum livro de Christopher Hitchens. Quando essa possibilidade também não se concretizou me liberei em um safári literário que normalmente não trás bons resultados.
Avistei uma coleção de livros denominados "politicamente incorretos". Aparentemente eles estão tendo um bom volume de vendas pois não é a primeira vez que eu avisto um exemplar dessa coleção em um local de
destaque nas livrarias (mais tarde eu descobriria que eles estão na lista de mais vendidos da Revista Veja, isso teria despertado algumas desconfianças). Dei uma olhada no “Guia” da América Latina (havia também um sobre o Brasil) e identifiquei rapidamente algumas bobagens de direita sobre personalidades que construíram a história da América Latina. Quando eu digo bobagem eu não quero dizer que necessariamente duvido da informação de que Che Guevara queria matar trabalhadores vagabundos, apenas estou ciente de que a informação está ali para invalidar outras ações do homem, cuja validade poderiam ou não estar associadas a esse fato. Não que eu acredite que haja uma explicação válida para matar trabalhadores, independente de sua produtividade, mas isso não invalida automaticamente tudo que o homem fez ou pensou.
Sendo assim dispensei esse título e me interessei pelo “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, obviamente da mesma série, mas de um autor diferente. A contra-capa trazia novamente algumas informações bizarras sobre grandes filósofos. A última vez que me interessei por esse tipo de informação (curiosidades sobre grandes figuras históricas) descobri que Darwin tinha crises de vômito com medo da Teoria da Evolução e que Marx pedia dinheiro emprestado a amigos. Essas informações não me ajudaram no entendimento de seus
respectivos textos mas ajudaram a desmistificar essas personalidades para que eu pudesse ter mais confiança em entender (e analisar criticamente) o que eles diziam. Imaginei que seria positivo aplicar o mesmo princípio a Nietzsche, Platão e Foucault.
Eu estava redondamente enganado com o conteúdo do livro.
Em minha defesa eu devo dizer que obviamente a intenção do livro é de induzir o possível leitor ao mesmo erro que eu cometi. A arte da capa e mesmo as citações selecionadas na aba do livro tem a intenção de apresentar a obra como sendo um guia "no nonsense" sobre a história da filosofia.
Me decepcionei ao descobrir ainda na introdução que o o livro se trata de um caso contra o "politicamente correto" por parte do autor Luiz Felipe Pondé.
A lógica de Pondé pode ser resumida como "toda a forma de politicamente correto é hipócrita". Essa é uma analise cruel porém honesta e funciona razoavelmente bem. Infelizmente Pondé "estica" essa lógica para abraçar toda uma outra argumentação que não tem base alguma.
 Ele se identifica como politicamente incorreto, explica que tudo que é politicamente correto é errado e passa a entender que como ele é politicamente incorreto tudo que ele não gosta é politicamente correto, portanto errado... Entendeu? Essa lógica infantil é aplicada à esquerda política, as feministas, aos negros, aos gays, aos indíos, aos pobres e a todo grupo cujo senhor Pondé acredite (em uma esfera pessoal) que tem posições políticas de "mulherzinha". Tudo isso é classificado como "Politicamente Incorreto" ou "Praga PC" como ele chama. 
Não vem como surpresa perceber que o autor homem, rico, branco e heterossexual. Não que isso seja errado por si só, apenas não pode ser concebido como coincidência que tudo que é contrário a esse padrão apresentado pelo autor seja (na opinião dele) erroneamente apoiado por uma sociedade infestada pelo politicamente correto. 
Há pontos válidos comentados por Pondé como a menção de que os fundamentos da democracia (liberdade e igualdade) são contra-pontos que jamais permitirão um tipo de estrutura democrática eficiente. Porém esse lampejos de inteligência são soterrados por pérolas da imbecilidade como: "Todas as feministas são feias, por isso são feministas".
Há uma arrogância palpável que causa um certo repúdio muito real ao se ler o livro. Aparentemente ser politicamente incorreto perdeu todo o seu charme e foi substituído por simplesmente ser desagradável.
O tipo de atitude arrogante é até esperado de pessoas que dominam seu assunto com maestria, eu já me referia a pessoas que "conquistaram o direito de ser arrogantes", esse não é o caso de Pondé. Em determinado momento ele menciona ao que as americanas se referem a um homem considerado um bom partido como "keeper" e que isso se daria ao fato de este ser um homem que apresenta o perfil "mantenedor". Alguém teria a capacidade de mantê-las, sustentá-las e protegê-las. Sendo conhecedor do termo e já tendo ouvido a expressão proferida por diversas mulheres que não tinham essa visão eu posso com segurança afirma que a expressão "keeper" se refere a alguém ao qual se deve "manter", ou "segurar" devido a ser alguém bom demais. Isso poderia ser um simples erro de tradução mas Pondé constrói todo um capítulo e um conceito machista sobre essa tradução equivocada.
Eu poderia simplesmente dizer que o livro fosse evitado a qualquer custo mas o fato é que ele é ótimo para pensar. Normalmente leio livros com os quais eu concordo de antemão e percebi que quando discordamos do autor somos instigados a um pensamento mais crítico.
O grande valor desse livro reside em uma frase de Dudley Field Malone: "Eu nunca em minha vida aprendi nada de algum homem que concordasse comigo."

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Livros Que Mudam a Vida - A Posição missionária: Madre Teresa na Teoria e na Prática


"Quem seria tão vil para implicar com uma velhinha mirrada, encolhida, bem avançada em anos, que consagrou a sua vida inteira para os necessitados e desvalidos? Por outro, quem seria tão desinteressado a ponto de deixar de escrutinar a influência e as motivações de uma mulher que disse certa vez operar mais de quinhentos conventos em mais de 105 países - 'sem contar com a Índia'? Mártir solitária e fanática, ou presidente de uma multinacional missionária?
A escala se altera com a perspectiva, e a perspectiva se altera com a escala."
Assim se inicia o livro de Christopher Hitchens que propõe analisar as verdades por trás do mito da Madre Teresa. Publicado em 1995, bem no meio de uma década na qual Madre Teresa era figura constante quando se mencionavam trabalhos humanitários respaldados por celebridades como Princesa Diana, Hillary Clinton e Charles Keating. Hitchens disseca o fenômeno "Madre Teresa" e expõe várias facetas não tão nobres do trabalho da missionária e nos faz pensar em como atribuímos valor automático, a alguém que conhecemos tão pouco, apenas por causa da máscara da religião.



Introdução
Hitchens demonstra a facilidade com que Madre Teresa se desprendia de seu meio religioso e circulava pelo cenário político mundial enquanto apoiava e promovia déspotas e vigaristas notórios em troca de doações a sua cruzada.  Hitchens menciona (dois anos antes da morte de Madre Teresa) de que ela já era amplamente divulgada como forte candidata a beatificação a futuramente a santidade dada a amplitude de sua fama. Isso de fato ocorreria em 2003, quando o Vaticano reconheceu um suposto milagre dela na cura de um tumor de uma mulher indiana. Foi amplamente divulgado que o marido e alguns médicos da mulher informaram que o problema que afligia a mulher não era de fato um tumor e sim um cisto causado por uma tuberculose e que a cura havia se dado através de tratamento médico convencional, o que não impediu o Vaticano de continuar com o processo de beatificação. 


Um Milagre
Hitchens reconta seu encontro pessoal com Madre Teresa e explica a forma como ela e sua imagem se popularizaram a nível mundial. Ele demonstra que apesar das enormes dificuldades e de uma pobreza difícil de subestimar Calcutá não tem a apatia tão amplamente divulgada por Madre Teresa. Apesar de sua vida cotidiana difícil os "mais pobres dos pobres" não mendigam. Algo que sempre foi vendido pelo marketing de Madre Teresa e das Irmãs da Caridade.  
Enquanto Madre Teresa se opunha estoicamente a qualquer opção de controle de natalidade ela mantinha um pequeno orfanato que servia 12 camas a crianças que de outra forma teriam efetivamente morrido. O problema óbvio aqui é que a missionária acreditava que isso a permitia (de um ponto de vista moral) sua campanha incessante e a utilização de todo o seu "poder de celebridade" contra os metódos contraceptivos e isso em um país e em uma cidade que lidam com problemas extremos de super-população. 
Ainda que o trabalho de Madre Teresa tenha seus momentos de fascínio inegável sua orientação de que altruísmo e humanismo são "tentações" e que seu trabalho com os pobres só se da por única e exclusiva obediência a Deus, sendo que não pode haver gratificação no sentimento de realizar o trabalho em si acabam 
ofuscando o que poderia de fato ser uma qualidade redentora do trabalho da missionária.



Trabalho de Deus e Virtudes Heróicas
Nesse capítulo vemos a prática da teoria de Madre Teresa de que o sofrimento dos pobres é algo que ajuda o mundo. Hitchens mostra o relato do Dr. Fox, editor da The Lancet, uma das maiores publicações de medicina do mundo e que se interessou pelos aspectos médicos da ajuda oferecida passa a verificar o "tratamento", propriamente dito, oferecido pela missionária para os enfermos tratados. Eu achei tão impactante o relato que resolvi traduzi-lo na integra aqui: 
"Há médicos que ligam de vez em quando, mas geralmente as irmãs e voluntários (alguns dos quais
tem conhecimentos médicos) tomam decisões da forma que acham mais adequada. Eu vi um homem jovem que tinha sido admitido em más condições, com febre alta, e os medicamentos prescritos
tinham sido tetraciclina e paracetamol. Mais tarde um médico que o visitava o diagnosticou com malária. Não foi possível alguém ter verificado seu sangue? As investigações clínicas, foi-me dito, são
raramente permitidas. Que tal verificações simples que possam ajudar as irmãs e voluntários distinguir
o curável do incurável? Novamente não. Tal sistemática e abordagens são estranhos ao modo de operar da casa. Madre Teresa prefere providência ao planejamento, suas regras foram criadas para evitar qualquer tendência para o materialismo: as irmãs devem permanecer em condições de igualdade com os pobres. . . . Finalmente, o quão competentes são as irmãs em controlar a dor? Em uma visita curta, eu não poderia julgar o poder de sua abordagem espiritual, mas eu estava perturbado ao saber que o formulário não inclui analgésicos fortes. Junto com a negligência de diagnóstico, a falta de boa abordagem analgésica demonstram que Madre Teresa está claramente separada da condição de ajuda a pessoas doentes ou morrendo."
Uma observação contundente de Hitchens é que essas condições não eram encontradas em um hospital improvisado no meio de um campo de batalha mas em um hospital gerido por Madre Teresa por mais de quatro décadas e meia nas quais mais de três ela havia recebido generosas quantias de doações do mundo todo. 
Talvez o posicionamento da missionária seja facilmente revelado pela sua declaração de que: " o dom mais bonito que uma pessoa pode receber é poder compartilhar do sofrimento de Jesus Cristo". 
Em certa entrevista uma vez a própria Madre Teresa se traiu ao recontar o caso de uma mulher que tinha câncer terminal, sofria de dores insuportáveis "Você está sofrendo como Jesus na Cruz. Então ele deve estar te beijando." Alheia à ironia gritante do que estava dizendo a própria Madre Teresa disse a resposta da pobre mulher: "Então por favor peça para ele para de me beijar."
É interessante notar que ao se deparar com as doenças da velhice e problemas de coração a Madre Teresa se internou nas melhores e mais caras clínicas do Ocidente.  
Hitchens mostra o relato de Susan Shields ex-irmã da caridade que entre as diversas revelações diz que as irmãs eram instruídas a batizar secretamente aqueles que estavam morrendo e a sempre alegar pobreza mesmo que a conta bancária da instituição já tivesse mais do que 50 milhões de dólares dos quais nada era gasto em benefícios dos doentes. 
Hitchens também menciona nesse capitulo o envolvimento de Madre Teresa com Charles Keating que armou um dos maiores golpes de investimento da história americana e doou 1,4 milhões de dólares para o trabalho de Madre Teresa. Durante o julgamento dele Madre Teresa escreveu uma carta para a promotoria e para o juiz pedindo que o Sr. Keating fosse perdoado pelo que fez e que se perguntassem o que Jesus faria em seu lugar. 
O promotor do caso, Sr. Paul Turley, respondeu a Madre Teresa informando que Keating estava sendo julgado por roubar mais de US $ 250 milhões de mais de 17.000 investidores em seu negócio. Entre eles diversos pessoas humildes sem qualquer conhecimento do mercado financeiro, inclusive de um pobre carpinteiro que não falava inglês e que havia sido roubado das economias de uma vida toda. Ele concluiu sua carta perguntando a Madre Teresa:
"Pergunte a si mesmo o que Jesus faria se tivesse recebido os frutos de um crime, o que Jesus faria se estivesse na posse de dinheiro que havia sido roubado, o que Jesus faria se estivesse sendo explorado por um ladrão para aliviar sua consciência? Eu diria que Jesus teria prontamente e sem hesitações devolvido a propriedade roubada aos seus legítimos proprietários. Você deve fazer o mesmo. Você recebeu dinheiro obtido através de roubo e fraude. Não permita que ele a "indulgência" que ele deseja. Não guarde o dinheiro. Devolva-o para aqueles que trabalharam por ele e que o mereceram! Se você entrar em contato comigo eu vou colocar você em contato direto com os legítimos proprietários do dinheiro em sua posse." 
O Sr. Turley jamais recebeu resposta. 


Ubiquidade
Aqui vemos a história de Madre Teresa e suas ligações com a Albania e com a política do local. Hitchens questiona posicionamento claramente político de Madre Teresa em diversas questões polêmicas e bilaterais mesmo quando ela alega estar além de qualquer posicionamento político. E ao contrário do que poderiam defender seus seguidores e fãs, ela não se via envolvida nessas situações mas buscava ativamente envolvimento em questões polêmicas exaltando o sofrimento alheio, como quando em 1984 voou a cidade indiana de Bhopal para discursar a uma população que havia sido vítima de um grave crime perpetrado pela política irresponsável de uma empresa que acabou matando e vitimando milhares de pessoas. Antes mesmo de que qualquer culpado pudesse ser averiguado Madre Teresa estava no aeroporto da cidade dizendo aos outros: "Perdoem, Perdoem". Entretanto a sua mensagem de perdão universal não era tão facilmente aplicada já que ela anunciava publicamente que jamais permitiria a um casal ou mulher que houvesse praticado um aborto a possibilidade de adotar uma das crianças "dela".    


Posfácio
Finalmente Hitchens deixa claro, assim como no ínicio do livro, de que sua iniciativa de julgar a reputação de Madre Teresa por suas ações e palavras ao invés de julgar suas ações e palavras através de sua reputação, não se devem a implicância cega contra uma indefesa senhora que tenta simplesmente melhorar o mundo mas sim de alguém que agiu por mais de quarenta anos de uma forma que não é completamente clara para o mundo e influenciou (ou tentou influenciar) profundamente a política e costumes de várias sociedades, que acumulou amizades com vigaristas e opressores, que recebeu milhões em doações e nunca foi questionada sobre a utilização do dinheiro e que principalmente fez tudo isso sem necessariamente ajudar aos que realmente precisavam e contavam com ela, enquanto promovia um culto de dor e sofrimento e ajudava a tornar a vida daqueles em mais necessidade e mais desesperados cada vez mais atrasada e difícil.  

Madre Teresa morreu em 1997, em 2007 foram publicadas correspondências nas quais Madre Teresa havia deixado clara uma grave crise de fé que ela jamais havia comentado. 
"Onde está minha fé? Mesmo lá no fundo ... não há nada além do vazio e da escuridão ... Se Deus existe, por favor me perdoe. Quando tento elevar meu pensamento ao céu, há um vazio de convencimento tal que esses pensamentos retornam como facas afiadas a ferir minha alma ... Como é dolorosa esta dor desconhecida, eu não tenho fé. Repulsa, vazio, sem fé, sem amor, sem zelo, ... O que eu trabalho para? Se não há Deus, não pode haver alma. Se não houver alma então, Jesus, você também não é verdadeiro.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Verdade Sobre o Carnaval

Videozinho antigo do Youtube mas sempre bom de ser relembrado nessa época de Carnaval.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como Foi Formada a História do Velho Testamento.

Há algum tempo atrás encontrei esse video sobre a história da criação dos mitos que formam o Velho Testamento. Achei uma teoria tão importante e esclarecedora que pensei eu mesmo em legendar o video. Felizmente alguém mais teve a mesma idéia e eu posso compartilhar com vocês através do blog. O video é dividido em duas partes e um pouco complexo, afinal a própria junção de diferentes mitos que compõem esse livro é bastante complexa, mas com um pouco de atenção podemos ter uma versão bem mais interessante e realista do que veio a formar o Velho Testamento.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

French Micromanagement

Meu chefe microgerencia, é carente, infantil, arrogante e para piorar tudo francês. Ele é tão incoveniente que frequentemente eu sinto vergonha por ele. Um dos poucos momentos no qual a minha habilidade empática se torna uma ferramenta indesejável para mim. Baseado nele resolvia fazer esse post. Para que eu possa sempre lembrar de como os franceses são inteligentes e como o microgerenciamente é uma ferramenta fantástica de trabalho.







sexta-feira, 18 de novembro de 2011

No que as religiões acreditam?

Se você é católico (ou evangélico), assim como a maioria dos brasileiros é, você provavelmente não acha a a história da Bíblia bizarra como as pessoas com algum bom senso acham. Mas acredite em mim quando eu digo que você vê as diversas insanidades da Bíblia como plausíveis apenas porque está acostumado com elas. Para se ter uma idéia do quão absurda a história da Bíblia é vamos dar uma olhada no que algumas outras religiões da atualidade acreditam:


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Top 10 Últimas Palavras


São seus ultimos momentos de vida e você está prestes a pronunciar aquelas que serão as últimas palavras. O que dizer? Tentar resumir a sua vida? Passar uma mensagem a alguém? Deixar a incerteza se revelar. Seja lá o que for que passa na cabeça de uma pessoa nesses momentos eu reuni aqui as minhas 10 favoritas. Um pouco "tétrico" como diria minha noiva, mas eu sempre acho interessante analisar a perspectiva da morte. Eu acredito que no momento derradeiro da morte conseguimos ser verdadeiros e ali podemos verificar momentos reais de honra, medo, amor, dúvida e todos esses sentimentos incríveis que compõem a nossa existência.

Quando no leito de morte um padre pediu a Voltaire que utiilizasse seus úlitmos momentos para renuciar a Satanás, Voltaire respondeu:
"Meu bom homem, agora não é hora para fazer inimigos..."


"Vá em frente, saia - As últimas palavras são para tolos que não disseram o suficiente." (Para sua empregada, que pediu que ele lhe dizer suas últimas palavras para que ela pudesse escrevê-las para a posteridade.)  Karl Marx, 1883


"Eles não conseguiriam acertar um elefante a esta dist ..." (General John Sedgwick, Morto em batalha durante a Guerra Civil dos EUA.)  1864

"Não deixe isso acabar assim. Diga-lhes que eu disse alguma coisa." Pancho Villa, revolucionário mexicano,  1923

"Um último drink, por favor" - Jack Daniels (criador da famosa marca de bebidas)

"Nunca" Alexander Graham Bell:  ( Graham Bell estava morrendo, sua esposa surda sussurrou-lhe: "Não me deixe". Bell  respondeu escrevendo no ar "Nunca".

"Eu estou a ponto de - ou eu vou - morrer: qualquer uma das expressões está correta."
Dominique Bouhours, professor de gramática francês

"Surpreenda-me."  Bob Hope (falado com sua esposa quando perguntou onde ele queria ser enterrado).

"Por que choram? Vocês pensaram que eu era imortal?" Rei Louis XIV da França

"Eu vou dar uma volta lá fora. Posso demorar um pouco." Capitão Lawrence Oates (na expedição malfadada de Robert Falcon Scott a Antártida, ele estava sofrendo de lacerações causadas pelo frio e hipotermia. Enquanto seu grupo se abrigava de uma nevasca, Oates sentiu que ele estava diminuindo as chances de seus companheiros de sobrevivência. Oates voluntariamente deixou a barraca. Era seu aniversário de 32 anos. Ele nunca mais foi visto."

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

WikiLeaks - Rei Saudita fuma muito, recebe injeções de hormônios e usa Viagra excessivamente

Há algum tempo atrás tomei conhecimento do Wikileaks e achei o conceito fantástico. Liberar documentos secretos de governos, normalmente evidenciando maracutaias ou más intenções e um ou outro embraço diplomático parecia interessante e audaz. Depois disso veio o "fenômeno Assange". Eu prefiro não tomar parte no assunto mas com certeza me parece suspeito que o homem responsável pelo maior furo de informações governamentais do mundo seja convenientemente acusado de estupro poucas semanas depois de o Wikileaks começar a pegar pesado no governo americano. Pois muito bem, um dos videos divulgados pelo Wikileaks que eu primeiro tomei conhecimento foi o "Collateral Murder" que mostra um ataque americano que indiscriminadamente mata um grupo de iraquianos armados, civis (entre eles crianças), e dois jornalistas da Reuters.


Depois disso eu não acompanhei mais as manchetes sobre o Wikileaks, até entrar no Twitter há umas duas semanas atrás. Infelizmente o trabalho nobre que até então eu imaginava vinha sendo realizado por Assange e seus seguidores acabou se transformando em algo que se assemelha mais a uma revista de fofocas do que a um local que luta pela liberdade de informação.

Abaixo segue um conteúdo liberado essa semana que trata de informação americana sobre o Rei da Arábia Saudita:

"Um médico ocidental cujos deveres profissionais freqüentemente incluem consultas com membros da família real Saudita compartilhou com DCM em 11 de julho. Informação pessoal adquirida sobre o rei saudita Abdullah bin Abdulaziz de arquivo médico pessoal, incluindo a idade verdadeira do rei Abdullah e uso atual de medicação. Este médico foi chamado para realizar tratamento médico de rotina para uma das esposas do rei (ele tem quatro). Após a chegada, o clínico real acidentalmente entregou a este médico o arquivo médico do rei ao invés da esposa que ele estava a tratar, dando-lhe a oportunidade de rever o histórico médico pessoal do rei Abdullah.


2. (S / NF), refere-se que o Rei Abdullah tem 92 anos de idade (nascido em 1916), ele continua a ser um fumante inveterado, recebe regularmente injeções de hormônio e "usa Viagra excessivamente." o SAG sempre manteve qualquer informação pessoal dos membros da família real sigilosa, incluindo não fazer declarações públicas sobre a idade de um indivíduo.

3. (S / NF) COMMENT. Boatos indicavam a idade do rei entre 82-87. Ele é de fato mais velhos se esta informação é correta. O rei mantém uma agenda cheia de reuniões de trabalho uma variedade de líderes internacionais e ativamente envolvidos na administração dos assuntos do Reino. Nós, mais recentemente, vimos Rei Abdullah, há algumas semanas (Reftel), onde ele estava bastante jovial e animado, e parecia saudável. Da mesma forma, espera-se que ele esteja presente ativamente na próxima Conferência para o Diálogo Inter-Religioso, que ele organizou, marcada para Madrid em 16 de julho. Esta informação médica fornece alguns detalhes para a saúde do rei e da longevidade, e é fornecido a Washington para análise adicional."

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sequestro de Jaycee Lee Dugard

Eu sempre fiquei intrigado e morbidamente fascinado com histórias de sequestros muito longos. Eu estava viagjando pelo Wikipedia e me deparei com um artigo sobre Jaycee Lee Dugard. Ela foi sequestrada e permaneceu desaparecida por 18 anos. A história é muito interessante e como não há uma página dela em lingua portuguesa resolvi traduzir para postar aqui no blog:

Histórico dos Sequestradores

Phillip Craig Garrido nasceu no Condado de Contra Costa na Califórnia, em 5 de abril de 1951. Ele cresceu em Brentwood, onde se graduou na na Escola Liberdade em 1969. Seu pai, Manuel Garrido, que continua a residir em Brentwood, disse que seu filho era um "bom menino" quando criança, mas mudou radicalmente após um grave acidente de moto quando era adolescente, e mais tarde se tornou usuario de drogas.

Em 1972, Garrido foi preso e acusado de ter abusado sexualmente de uma menina de 14 anos de idade, mas o caso não foi a julgamento depois que a menina se recusou a depor. Em 1973, Garrido se casou com Christine Murphy, sua colega de ensino médio que alegou que Garrido era abusivo. Murphy alega que Garrido a sequestrou quando ela tentou deixá-lo.

Em 1976, Garrido sequestrou Katherine Callaway em South Lake Tahoe, Califórnia. Ele a levou para um armazém em Reno, Nevada, onde a abusou sexualmente. Quando um policial percebeu um carro suspeito estacionado no local até tarde da noite, ele resolveu investigar. Callaway então saiu correndo e pediu ajuda. Garrido foi preso imediatamente. Ele foi acusado e condenado por crimes em ambos os tribunais federais e estaduais. Em 1976 depois avaliação judicial psiquiátrica, Garrido foi diagnosticado com portador de um desvio sexual crônico e usuário de drogas. O psiquiatra recomendou que um exame neurológico fosse realizada porque o uso de drogas de Garrido poderia ser "responsável em parte" por seu desvio sexual. Garrido foi então avaliada por um neurologista. A impressão diagnóstica foi: "Exame neurológico normal".  No tribunal, Garrido testemunhou que ele se masturbou em seu carro ao lado de escolas, enquanto observava as meninas. Garrido foi condenado em 09 de março de 1977 e começou a cumprir uma pena de 50 anos em 30 de junho de 1977, na Penitenciária Leavenworth no Kansas.
Em Leavenworth, Garrido conheceu Nancy Bocanegra (Esse é realmente o sobrenome dela, não é um erro de tradução!!), que estava visitando um outro prisioneiro, seu tio. Em 05 de outubro de 1981, Garrido e Bocanegra se casaram em Leavenworth. Em 26 de agosto de 1988 ele recebeu liberdade condicional sob supervisão das autoridades federais. Os Garridos se mudaram para Antioquia, onde viveram na casa de sua mãe idosa, que sofria de demência. Como estava em liberdade condicional, Garrido foi monitorado, e usava uma tornozeleira com GPS, e foi visitado regularmente pela polícia.


Sequestro e Esforços de Busca
Em Setembro de 1990, Jaycee Dugard e sua família se mudaram para South Lake Tahoe. Na época do rapto, Jaycee estava na quinta série freqüentando a Escola Primária Meyers. Ela tinha 11 anos de idade.


Em 10 de junho de 1991 o padrasto de Jaycee, Carl Probyn, testemunhou o sequestro na esquina de sua casa. Ele viu duas pessoas em um Sedan cinza (possivelmente um monarca ou Mercury Zephyr) fazerem uma curva brusca na parada do ônibus escolar Jaycee estava esperando, e uma mulher forçar a garota no carro. Probyn, em seguida, tentou perseguir o carro em uma bicicleta, mas ele foi incapaz de alcançar o veículo. Alguns dos colegas de Jaycee também foram testemunhas do seqüestro. Suspeitos iniciais incluiram Probyn e Ken Slayton, pai biológico de Jaycee. Probyn passou por vários testes de polígrafo, e Slayton também foi rapidamente tirado da lista de suspeitos.

Poucas horas depois do desaparecimento de Jaycee, a mídia local e nacional convergia sobre South Lake Tahoe para cobrir a história. Em poucos dias, dezenas de voluntários locais ajudaram no esforço de busca, que envolveu quase todos os recursos da comunidade. Dentro de semanas, dezenas de milhares de folhetos e cartazes foram enviados a empresas em todo os Estados Unidos. Como a cor favorita Dugard foi rosa, a cidade inteira foi coberta com fitas cor de rosa como um lembrete constante de seu desaparecimento e um apoio demonstrado para a família por parte da comunidade.

A mãe de Jaycee, Terry Probyn, fundou um grupo chamado Esperança Jaycee, que dirigiu os voluntários e o esforço de angariação de fundos. Fitas cassete da canção Jaycee Lee (uma canção composta especialmente para ajudar nas buscas) junto com camisetas, moletons e botoms eram vendidos para arrecadar dinheiro para materiais de posters, as despesas de postagem, impressão e afins. As fundações Chil Quest International e o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas também foram envolvidos no esforço. Uma recompensa foi oferecida e exibida nos cartazes e folhetos. O caso do seqüestro também atraiu a atenção nacional e foi apresentado muitas vezes na televisão no programa Os Mais Procurados da América.

Os meses e anos subsequentes, foram um esforço contínuo de conscientização de segurança para crianças, eventos de captação de recursos e vigílias à luz de velas sempre visando manter viva a história e as esperanças de encontrar Jaycee.

Cativeiro
Os Garridos moravam em uma casa na Avenida Walnut no nordeste de Antioquia. Um vizinho dos Garridos disse que ele lembra, ainda criança, de ver Jaycee através de uma cerca no quintal dos Garridos logo após o seqüestro. Ele disse que ela se identificou pelo nome de "Jaycee" e que quando ele perguntou se ela morava lá ou foi apenas visitar, ela respondeu que ela morava lá. Nesse ponto, Philip Garrido saiu e levou-a para dentro. Os Garridos mais tarde construiram uma cerca de privacidade em torno da propriedade, que já tinha várias árvores de grande porte no quintal.
De abril a agosto de 1993, Phillip Garrido foi devolvido à prisão federal por violação da condicional.

Jaycee Lee Dugard deu a luz a duas filhas de Phillip Garrido, nascidas em agosto de 1994 e em novembro de 1997.  Durante seu tempo juntos como uma família, Jaycee se apresentou a todos como a filha dos Garridos e descreveu as meninas mais jovens como as irmãs menores. Suas duas filhas também diziam que ela era sua irmã mais velha. 

Garrido tinha uma gráfica, onde Jaycee atuou como artista gráfica. Ben Daughdrill, um cliente do negócio de impressão de Garrido, afirmou que ele conheceu e conversou por telefone com Jaycee e que ela fez um trabalho excelente. Durante este tempo, Jaycee tinha acesso ao telefone da empresa e uma conta de e-mail. Um dos clientes do negócio de impressão indicou que ela nunca deu a entender sobre o seqüestro da infância ou sua verdadeira identidade.

Enquanto estava em Antioquia, Garrido também manteve um blog associado com o que ele chamou de "Igreja Desejo de Deus". No blog Garrido disse que ele tinha o poder de controlar sons com sua mente. Garrido pediu a várias pessoas, incluindo clientes, para assinar depoimentos confirmando que eles testemunharam sua capacidade de "controle de som com a minha mente" e um dispositivo que ele desenvolveu "para os outros testemunharem esse fenômeno."

Na época do fim do sequestro em 2009, Jaycee vivia em um alojamento no quintal atrás da casa de Phillip Garrido. O espaço privado do quintal incluídas galpões (um dos quais foi isolado acusticamente e usado como um estúdio de gravação na qual Garrido cantava e gravava temas religiosos e românticos), duas tendas. A área foi cercada por árvores altas e um muro de 1,8 m de altura. Uma entrada para o quintal  foi coberto por uma lona. Privacidade no quintal era reforçada por tendas e dependências, bem como um carro velho semelhante ao utilizado no rapto.


Policiais visitaram a residência pelo menos duas vezes nos últimos anos, mas não deram mais do que uma rápida olhada no quintal. Quando a polícia investigou, eles encontraram no diversos objetos típicos de criança, incluindo livros e brinquedos, entre as tendas e abrigos. Energia elétrica era fornecida por cabos de extensão. Jaycee Dugard era vista na casa e, às vezes atendia a porta da frente. Enquanto a família era reservada, as meninas eram eventualmente vistas jogando no quintal ou como passageiras no carro de Garrido. Garrido afirma ter educado em casa as duas meninas.

Uma tia de Jaycce, Tina Dugard, e uma ex-sócio dos Garridos, Cheyvonne Molino, têm comentado que as filhas de Jaycee pareciam saudáveis. Tina Dugard disse que após conhecê-las após a sua reaparição, elas "sempre pareciam e se comportavam como crianças normais". Molino falou sobre as vezes que ela se encontrou com elas enquanto eles estavam em cativeiro ", que em sua presença as garotas nunca agiram roboticamente" e não usavam roupas fora do comum.


Oportunidades Perdidas de Resgatar Jaycee
A Polícia não conseguiu fazer a conexão que Jaycee Lee Dugard foi sequestrada em South Lake Tahoe, no mesmo local que Garrido sequestrou, em 1976, Katherine Callaway Hall.


Em 22 de abril de 1992, menos de um ano após o seqüestro, um homem ligou para o Departamento de Polícia do Condado de Contra Costa de um posto de gasolina em Oakley, Califórnia, menos de dois quilômetros da casa dos Garridos em Antioquia. O homem relatou que viu Jaycee no posto de gasolina olhando fixamente para um cartaz criança desaparecida de si mesma. O autor da chamada, em seguida, relatou ter visto ela entrando em um carro amarelo grande, possivelmente um Dodge. Em 2009, após a liberação de Jaycee, um carro amarelo velho foi recuperada na propriedade de Garrido. A placa não foi relatada na chamada de 1992 e o autor do chamador, a menina, e o carro foram embora no momento em que a polícia chegou. O autor da ligação não se identificou, e a polícia não levou o assunto adiante.

Em junho de 2002, os bombeiros responderam a um chamado de um jovem com uma lesão no ombro que ocorreu em uma piscina na casa dos Garridos. Esta informação não foi transmitida para o escritório de liberdade condicional, que não tinha registro de qualquer jovem ou uma piscina no endereço Garrido.

Em 2006, um dos vizinhos Garrido é chamou de 911 para informá-los que havia tendas no quintal de Garrido e que crianças viviam lá e que Garrido era "psicótico" com vícios sexuais. O vice-xerife falou com Garrido na frente da casa por aproximadamente 30 minutos e saiu depois de dizer-lhe que haveria uma violação do código, se as pessoas estavam vivendo fora da propriedade. Depois que Jaycee foi encontrada em agosto de 2009, a polícia local emitiu um pedido de desculpas. 

Em 04 de novembro de 2009, o Escritório da Califórnia do Inspector-Geral emitiu um relatório, que enumerou vários lapsos pelo Departamento Correcional da Califórnia e Reabilitação que contribuíram para o cativeiro continuou de Jaycee. A principal constatação foi a de que Garrido foi incorretamente classificado como necessitando apenas de supervisão de baixo nível e todos os outros lapsos foram derivadas a partir dele. Em seu relatório, o inspetor-geral detalha um caso em que um agente de liberdade condicional encontrou uma menina de 12 anos de idade, na casa de Phillip Garrido, mas aceitou a explicação de Garrido que "ela era filha de seu irmão e [o agente] não fez nada para verificar isso".

Reaparecimento
Em 24 de agosto de 2009, Garrido visitou o escritório de San Francisco do FBI e deixou um ensaio de quatro páginas contendo suas idéias sobre religião e sexualidade, sugerindo que ele tinha descoberto uma solução para problemas de comportamento como o seu passado de crimes. O ensaio descreveu como ele tinha curado seus próprios comportamentos sexuais criminais e como essa informação poderia ser usada para auxiliar na cura de outros predadores sexuais por "controlar os impulsos que levam os seres humanos a cometer atos disfuncionais". No mesmo dia, Phillip Garrido foi para a Universidade de Berkeley na Califórnia, no departamento de polícia buscando permissão para realizar um evento especial cristão no campus como parte de seu programa "desejo de Deus". Ele falou com a gerente de eventos especiais Lisa Campbell. Ela percebeu seu comportamento estranho e pediu que ele marcasse uma visita para o dia seguinte, o que ele fez, deixando seu nome no processo. Na manhã seguinte, 25 de agosto, Campbell notificou a policial do campus Ally Jacobs sobre a reunião mais tarde naquela manhã com Garrido, e suas preocupações. Jacobs fez uma verificação de antecedentes, soube que Garrido estava em liberdade condicional por estupro, e decidiu participar da reunião. Garrido chegou com duas meninas, a quem apresentou como suas filhas. Na reunião, Jacobs sentiu que o comportamento das meninas era incomum, e telefonou para o escritório de liberdade condicional para transmitir suas preocupações. Como ninguém atendeu, ela deixou um relatório da reunião na secretária eletrônica.


Depois de ouvir a mensagem gravada por Jacobs, dois agentes da condicional foram até a casa de Garrido, mais tarde naquele dia. Na chegada, o algemaram e revistaram a casa, porém encontraram apenas sua mulher Nancy e sua mãe idosa em casa. Em seguida, os agentes da condicional levaram Garrido de volta para o escritório de liberdade condicional. No caminho, Garrido disse que as duas meninas que haviam acompanhado a Berkeley "eram filhas de um parente, e ele tinha permissão de seus pais para levá-las para a universidade." Embora o escritório de liberdade condicional houvesse proibido Garrido de se aproximar de menores apenas um mês antes, os agentes negligenciaram essa violação. Depois de analisar o seu arquivo com um supervisor, eles levaram-no para casa e ordenaram que ele voltasse para o escritório novamente no dia seguinte para discutir a sua visita à Berkeley e esclarecer sobre as duas meninas.

Garrido chegou ao escritório de liberdade condicional em Concord em 26 de agosto com sua esposa, Nancy, as duas meninas e Jaycee Lee Dugard, que foi apresentada como "Allissa". Quando eles chegaram, seu agente de condicional estava no telefone com Jacobs para obter uma descrição mais detalhada de sua interação com Garrido e as duas meninas. Jacobs informou o oficial de que as meninas estavam chamando Garrido de "papai", mas o agente da condicional acreditava que Garrido não tinha filhos. O agente da condicional, em seguida, decidiu separar Garrido das mulheres e meninas para obter uma identificação.

Jaycee, mantendo sua identidade falsa como "Allissa", declarou que ela era a mãe das meninas. Quando o agente da condicional disse que ela parecia muito jovem para ser a mãe e perguntou a idade dela "Alyssa (Jaycee) disse que ela tinha 29 anos, rindo, explicando que muitas vezes ouvia aquele comentário e que as pessoas acreditavam que ela era irmã das meninas", afirma o relatório. Como o questionamento contínuo, Jaycee e Nancy Garrido ficaram agitadsa e queria saber por que eles estavam sendo interrogados. Quando o agente da condicional explicou que eles estavam investigando a visita de Garrido ao campus da Universidade com as duas meninas, Dugard disse que ela sabia que Garrido tinha levado as meninas para o campus e que ela também sabia que ele era um criminoso sexual em liberdade condicional que havia seqüestrado e estuprado uma mulher. "Ela acrescentou que Garrido era um homem mudado e uma grande pessoa que foi bom para seus filhos. Allissa posteriormente afirmou que ela não queria fornecer qualquer informação adicional e que ela poderia precisar de um advogado."

Mais tarde, foi sugerido que Jaycee estava começando a mostrar sinais clássicos de síndrome de Estocolmo durante seu interrogatório.

O agente de liberdade condicional, então, pediu a Garrido, em outra sala, para explicar a relação entre ele e "Allissa" e as duas meninas. Garrido disse que todos os três eram suas sobrinhas, filhas de seu irmão em Oakley. "Garrido afirmou que os pais se divorciaram, as meninas estavam morando com eles e outras pessoas, e ele não sabia o endereço do seu irmão ou número de telefone", afirma o relatório. O agente da condicional voltou para as mulheres e insistiu em ver a identificação de "Allissa", mas Jaycee respondeu que ela "tinha aprendido há muito tempo a não transportar ou fornecer qualquer informação pessoal a ninguém." Ela também disse que ela precisava de um advogado. Neste ponto, o agente da condicional chamou a polícia.

O relatório continua: "Enquanto esperavam a policia chegar, Jaycee disse que lamentava que ela havia mentido. Ela explicou que era de Minnesota e tinha se escondido durante cinco anos de um marido abusivo. Ela disse que "tinha pavor de ser encontrada, e essa foi a razão pela qual ela não poderia dar o agente de liberdade condicional qualquer informação". Dois oficiais de polícia continuaram o questionamento de Jaycee, que manteve sua identidade falsa e a história que ela contou para o agente de liberdade condicional. Na outra sala, um sargento da polícia questionou Garrido, que finalmente admitiu que ele era o pai das duas meninas. Quando o agente de liberdade condicional retomou seu interrogatório de Garrido, ele admitiu o seqüestro e estupro de "Allissa". Sob interrogatório, Jaycee revelou sua verdadeira identidade e confirmou que ela tinha sido seqüestrada e estuprada por Garrido.

Garrido e sua mulher foram então presos. Um agente especial do FBI colocou Jaycee no telefone com sua mãe, Terry Probyn. Jaycee conserva a guarda de seus filhos e logo se reuniu com sua mãe. 

Consequências
Nos dias seguintes ao retorno Jaycee, Carl Probyn, padrasto, confirmou que ela e suas filhas estavam saudáveis e inteligentes, e a reunião estava indo bem e seria um processo lento. Ele disse que sua enteada tinha desenvolvido um vínculo emocional significativo com Phillip Garrido, e que as meninas choraram quando souberam da prisão de seu pai. De acordo com a tia de Jaycee Dugard, Tina Dugard,  as duas meninas são "inteligentes, articuladas, meninas curiosos que têm um futuro brilhante pela frente." Ernie Allen, presidente do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, disse que o reaparecimento de Jaycee é um evento importante para as famílias de outras crianças desaparecidas por muito tempo, porque mostra que há esperança, mesmo em casos de longo prazo.

Três semanas após sua libertação, Jaycee Dugard fez um pedido para obter o controle dos animais de estimação que foram retirados da casa onde ela foi mantida em cativeiro. Em 14 de outubro de 2009, a revsita People publicou em sua capa a primeira foto de Jaycee Dugard como uma adulta. As memórias de Jaycee "Uma Vida Roubada", foram publicadas em 12 de julho de 2011.


Procedimentos Legais
Em 28 de abril de 2011, os Garridos se declararam culpados de seqüestro e estupro.
Em 02 de junho de 2011, Philip Garrido foi condenado a 431 anos, sua esposa recebeu 36 anos de prisão.

Jaycee, que não compareceu ao julgamento, enviou uma declaração por escrito que foi lida no tribunal:

"Eu não quis estar aqui hoje, porque eu me recuso a perder mais um segundo da minha vida em sua presença. Eu escolhi que minha mãe lê-se isto para mim. Phillip Garrido, você está errado. Eu nunca poderia dizer isso a você antes , mas eu tenho a liberdade agora e eu estou dizendo que você é um mentiroso e todas as suas chamadas teorias estão erradas. Tudo o que você já fez para mim foi errado e um dia eu espero que você possa ver isso. O que você e Nancy fizeram foi errado. Você sempre justifica tudo para servir a si mesmo, mas a realidade é e sempre foi, que você faz os outros sofrerem por sua incapacidade de controlar a si mesmo. Não há Deus no universo que iria perdoar suas ações. Para você, Phillip, eu digo que sempre fui uma coisa para a sua própria diversão. odiei cada segundo de cada dia, de 18 anos por causa de você e da perversão sexual que você forçou em mim. Para você, Nancy, eu não tenho nada a dizer. Ambos podem economizar suas desculpas e palavras vazias. Para todos os crimes que vocês cometeram espero que você tenha muitas noites sem dormir como eu tive. Sim, quando eu penso em todos aqueles anos, eu fico com raiva porque você roubou minha vida e a vida de minha família. Felizmente eu estou fazendo o certo agora e não vou mais viver em um pesadelo. Tenho amigos maravilhosos e familiares em torno de mim. Algo que você nunca pode tirar de mim novamente. Você não importa mais."
 
Acordo com  o Estado da California
Em julho de 2010, o Estado da Califórnia aprovou uma resolução de U$ 20 milhões para Jaycee Dugard, para compensá-la por "vários lapsos do Departamento de Correções [o que contribuiu para] o cativeiro continuo, agressão sexual e mental e abuso físico." O acordo, parte do AB1714, foi aprovado pela Assembléia Estadual da Califórnia por 70 votos contra 2, e pela Senado do Estado da California por 30 contra 1. O Juiz da Suprema Corte de São Francisco Daniel Weinstein, que mediou o acordo, afirmou que a resolução foi tomada para evitar uma ação judicial que seria uma "invasão de privacidade e uma pior publicidade para o estado."


O projeto de lei foi assinada pelo governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger em 9 de julho de 2010.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Preparativos para o Casamento, Despedida de Solteiro e Top 5

Então, eu me caso pela primeira vez em no ano que vem. Há diversos preparativos em andamento e me parece que a percepção do tempo para homens e mulheres é completamente diferente. Vejamos, nós estamos praticamente iniciando Julho e o casamento é em Fevereiro. Isso significa que há oito meses entre o hoje e o "sim". Eu acho que isso é bastante tempo, porém segundo a minha noiva já estamos bastante atrasados. Alguém diz em Julho que está atrasado para o Natal? Pois é foi o que pensei. Mas, enfim estamos correndo e tentando ajeitar tudo o mais rápido possível porque obviamente 240 dias não são o suficiente para se planejar um casamento.
De verdade, não me parece tão complicado. Já temos o local e a opção do que servir já foi definida e daí em diante não me parecia tão difícil, mas acabou ficando...
Repentinamente eu me vejo cercado por decisões que não apenas me escapam a importância, elas parecem um campo minado cercado por perigosas respostas que podem ser apenas uma armadilha colocada lá para que você possa deixar transparecer a sua falta de sensibilidade. No fim é tudo um jogo armado pelas mulheres para te testar até o último momento antes do altar. Elas fazem perguntas para as quais obviamente já têm a resposta e Deus te ajude se você não der a resposta que ela estava esperando.
- Amor, qual dessas lembrancinhas você prefere?
-Hum, eu acho que gostei dessa daqui...
-Não, acho que você não viu essas daqui. Essas são melhores, vamos ficar com essa.
Repentinamente eu me sinto como Steve Martin em o Pai da Noiva e a única opção ao colapso mental é embarcar nessa barca e deixar rolar. Obviamente, isso só funciona até eu descobrir que o bolo de casamento na verdade tem uma maquete e que o aluguel do vestido da noiva é mais caro que o meu Xbox. Ai toda promessa de sanidade sai pela janela e só com muito amor mesmo. Particularmente eu acho que se um cara hoje em dia decide se casar ele deveria ser homenageado e mal pagar uma rodada de chopp com os amigos e não ter que se stressar com detalhes de casamento, não me tomem por machista, as mulheres poderiam ter o mesmo direito mas há algo no DNA delas que faz com que elas tenham um prazer enorme nesse ritual extenuante. Bom, como o mundo não concorda comigo e o noivo acaba sendo relegado a uma parte coadjuvante da história. A noiva passa o grande dia desfrutando do "dia da noiva", sentada no salão de beleza sendo paparicada e recebendo toda a atenção. O noivo? Eu gostaria de dizer que eu fico em um mega-bar jogando Kinect e dando risada com meus amigos mas acredito que isso esteja longe de ser a verdadeira programação do dia do casamento.
A essa altura estou feliz de poder me casar de all-star e smoking conforme eu quero.
Mas é claro que todo o processo que é cansativo e enfadonho para o noivo e excitante e espetacular para as mulheres acaba sendo vingado pois todo o homem tem o direito sagrado e escrito na convenção universal de direitos de um homem dando adeus aos seus erros do passado: a Despedida de Solteiro.
Eu ainda não sei como será a minha, provavelmente muito mais calma do que seria necessário para ser memorável, mas ainda sim adequada a uma despedida de de solteiro.
Em homenagem a todos aqueles que puderam dar o último adeus a sua vida pregressa aqui vai um top 5 das melhores despedidas de solteiro que já deram suas graças nas telas do cinema.

5º Noivas em Guerra
 Bom, de nenhuma maneira essa é uma lista machista e definitivamente Noivas em Guerra merece seu lugar na lsita. Kate Hudson e Anne Hathaway se enfrentam em uma disputa de dança muito sexy em um clube de strippers masculinos. Ainda que o tema do filme não seja o paraíso das feministas (duas amigas brigando para ter o casamento dos sonhos) ele prova que as mulheres merecem e sabem ter uma despedida de solteira tão extravagante quanto os homens.


4º American Pie 3- O Casamento

Se você for casar ninguém melhor do Stiffler para planejar a sua despedida de solteiro mesmo que ele não tenha sido convidado para o casamento. Ainda que e esse seja o cápitulo mais fraco da trilogia (vamos desconsiderar as desnecessárias sequências direto para dvd) a despedida de solteiro organizada para Jim, que esta prestes a se casar com Michelle, é o ponto alto do filme.


3º Se Beber, Não Case 2
 Ainda que não seja o mais original dos filmes, a trama é totalmente derivativa do primeiro, Se Beber, Não Case 2 tem uma das mais selvagens despedidas de solteiro de todos os tempos e isso não significa que tudo seja no bom sentido. Seja organizando uma revolta nas ruas de Bangkok ou sequestrando monges esses caras levam a tradição da despedida de solteiro a sério. As vezes sério demais...

2º Se Beber, Não Case
 Através desse filme uma nova geração foi lembrada que quando um homem dá adeus a sua vida de solteiro apenas uma despedida com estilo pode fazer jus a esse momento e nada mais estiloso do que Las Vegas. A irmandade de lobos consegue o que todos gostariam uma noite incrível e nenhuma memória no dia seguinte, não fosse pelo desaparecimento do noivo e o surgimento de um tigre e um bebê tudo estaria bem. 

1º A Última Festa de Solteiro 
 Uma das melhores comédias dos anos 80, esse é grande mestre das despedidas de solteiro. Aqui Tim Hanks ainda era um jovem inconsequente e seus papéis eram rasos e engraçados na mesma proporção. Você sabe que tem uma festa única quando no meio da festa um burro está cheirando cocaína. Aqui tem de tudo, prostitutas, dançarinas, mafiosos, drogas, ex-namorados, ex-namoradas e até ex-homens.
Então amigo, você vai casar? Siga o excelente conselho do amigo de Tom Hanks em "A Última Festa de Solteiro":
"Vamos fazer uma despedida de solteiro com garotas e armas e caminhões de bombeiro e prostitutas e drogas e bebidas! Todas as coisas que fazem a vida valer a pena!!!"


Brincadeirinha amor! Provavelmente eu vá ter apenas um café da manhã pré-casamento conforme sugerido por Stu em Se Beber, Não Case 2...

sábado, 25 de junho de 2011

Isqueiro Zippo e Namorada

Há muito tempo que eu queria ter um isqueiro. Um empecilho considerável nessa intenção era que eu não fumava. Esse pequeno obstáculo foi superado durante esse ano. Bom, uma vez que a fumaça começou a tomar conta dos meus pulmões eu comecei um casual e desprazeroso relacionamento com isqueiros BIC e assimilados. Infelizmente gnomos também são fãs de isqueiros BIC e eles sempre dão um jeito de pegá-los e eu acabava comprando uns três por semana. A solução foi comprar um isqueiro mais "style". Melhor ainda quando você consegue começar com o pé direito e comprar um para você e outro como primeiro presente para a sua nova namorada (que por um bônus é fumante). Eu estava em Rivera visitando o meu pai e deu uma passada nos free-shops. No Sineriz tinha um estande muito bacana de isqueiros Zippo. Aqui em Porto Alegre em sempre via os modelos por uns R$ 100,00 e nunca me motivei a comprar. Lá eles estavam por U$ 25,00 cada e resolvi comprar dois. O meu foi bastante fácil de escolher e fui de AC/DC Back in Black que é um CD que eu adoro e a música homónima é melhor ainda. Já para a namorada foi um pouco mais difícil. Bom, na verdade nós ainda não estavamos namorando. Estavamos naquela fase de termos ficado algumas vezes e estarmos ansiosos se íamos acabar namorando ou não. Obviamente eu estava querendo que a coisa engrenasse (caso contrário não estaria comprando um presente bacana, né?) e queria passar a mensagem adequada com o isqueiro. Bom, primeiro o isqueiro em si deixava claro que eu não me incomodava que ela fumasse e seria uma companhia para essas horas. Segundo a figura teria que ser adequada e transmitir a mensagem certa. Havia alguns com corações e mensagens mais obviamente românticas, mas nessa altura eu não queria me mostrar um romântico exacerbado e não achava que ela fosse muito romântica também (o futuro trataria de desnudar essas noções) e resolvi continuar procurando.

Tinha algumas outras opções mais descoladas: camuflado do exército, com furo de bala, caveira, mas nenhuma delas me pareceu apropriado. Dois que me pareceram bem legais foram os dois últimos do estande. Um tinha uma clássica "Bola 8" e outro um dragão vermelho tribal. Por um bom tempo eu fiquei tentado a escolher o Bola 8, e quando eu digo "bom tempo" eu quero dizer um realmente longo tempo. O meu cunhado Francisco sofreu a agonia de me acompanhar enquanto eu escolhia e acho que ele queria arrancar os próprios olhos depois de 2 horas escolhendo isqueiros. Enfim, eu considerei que o "Bola 8" poderia passar a mensagem errada, tipo, "a bola da vez" e essa era justamente o tipo de mensagem que eu não queria que ela entendesse. Considerei o dragão vermelho e achei interessante. Recentemente eu havia lido "A Garota com Tatuagem de Dragão" e a protagonista me lembrava de uma certa forma a minha possível-futura-namorada: interessante, alternativa, com aquela combinação irresistível de perigo e mistério. Então o dragão vermelho tribal foi escolhido. Muito bem, tudo certo. Eu retorno de viagem, peço ela em namoro e eles viveram felizes para sempre...

O isqueiro? Bom, eu dei para ela, ela adorou o presente, se emocionou e entendeu a mensagem, mas fez um pequeno comentário quando eu disse que estava indeciso entre ele e a "Bola 8": ""Humm, Bola 8... A bola que termina o jogo. Essa teria sido uma mensagem bem forte..."
Mulheres...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Top 10 Filmes Ruins Que Eu Adoro

Há filmes ruins e filmes bons. Também há os filmes que eu gosto e os filmes que eu não gosto. Infelizmente essas duas categorias não se encaixam perfeitamente. Há filmes que eu sei que foram ruins e que foram malhados pela crítica e que tem falhas horrendas e elas são apontadas e de fato fazem sentido. No entanto eu não consigo deixar de gostar de alguns filmes que mesmo sendo ruins eu gosto de assistir. É quase como um prazer com culpa, mas ainda sim um passatempo delicioso. Vamos ao meu Top 10 filmes que são ruins e mesmo assim eu adoro. 

1º O Falcão Está À Solta
Hudson Hawk é um filme ruim não há dúvida nisso. Ouvir Bruce Willis cantar ao lado de Danny Aiello nãoé uma boa pedida. Mas ver Bruce Willis ter um papel ultra-cool nessa comédia de ação repleta de exageros sempre me anima. Os diálogos são os mais cafonas possíveis quando o filme pretende se levar a sério, mas quando as piadas entram em cena o filme decola.


2º Aprovados
 Depois de uma enxurrada de filmes sobre estudantes americanos prestes a entrarem na faculdade eu imaginei que não poderia mais me interessar por mais nenhum deles. Os dois primeiros "American Pie", "Mal Posso Esperar" e "Superbad" eram completamente suficientes para me satisfazer e explorar o tema. Quando o trailer de Aprovados mencionava que o filme era dos mesmos produtores de American Pie isso só piorou a situação. No entanto eu tive a felicidade de assistir o filme com alguns amigos e comprovei que ele era realmente engraçado apesar de não ser necessariamente original. O filme é de fato pobre ao recorrer as mesmas piadas de sempre, mas seus protagonistas tem o que falta a maioria das outras comédias adolescentes: carisma. Justin Long começou a ser levado mais a sério como protagonista depois desse filme e garantiu uma muito bem vinda aparição em Duro de Matar 4, mas quem rouba o filme é Adam Herschman como Glen.

3º O Homem da Máscara de Ferro
Exige um esforço consciente e avassalador para transformar um filme com uma história tão boa (baseada no livro de Alexandre Dumas) e um elenco inacreditável (Leonardo DiCaprio, Jeremy Irons, John Malkovich, Gerard Depardieu, Gabriel Byrne e Hugh Lauri) em um filme tão ruim. A interpretação de Di Caprio é um desastre, ele interpreta o rei da França com um sotaque Nova-iorquino, o diretor Randal Wallace (roteirista oscarizado por Coração Valente) faz com que todos os momentos de emoção sejam exagerados como se isso não pudesse ocorrer naturalmente com o seu seleto grupo de atores. Mesmo assim eu adoro o filme, como não gostar desse fantástico grupo de Mosqueteiros? Quer dizer, Malkovich e companhia são os Mosqueteiros! Não interessa se eles estão em um filme ruim, o que interessa é que eles estão na tela, juntos e dizendo: "Um por todos e todos por um".

4º O Guerreiro Americano e Guerreiro Americano 2
Nossa, o guerreiro americano!!! Bom eu não quanto a vocês mas eu certamente passei algumas boas tardes da minha infância fingindo ser um ninja depois de assistir ao Guerreiro Americano interpretado por Michael Dudikoff. Steve James está hilário como o melhor amigo do protagonista e candidato a Rambo. Esses dois filmes são tão ruins que aos 9 anos eu já sabia que existia algo ligeiramente errado com o roteiro e direção dos filmes porém eu não me importava e aparentemente nem os atores ou o diretor do filme se importavam porque todos os pontos clichés (que acabavam sendo os mais divertidos) que normalmente seriam consertados no segundo filme, na verdade foram ampliados e esse desprendimento é que faz o filme ser tão legal. Fora isso estamos falando de um ninja ocidental, se Michael Dudikoff poderia ser um ninja, todos nós podíamos também e isso sempre me deixava feliz.

5º Future Zone e Future Force
Bom, esse vai ser um pouco difícil de lembrar. Talvez nem todos tenham visto mas os que viram certamente vão lembrar. David Carradine interpreta um policial do futuro durão e com uma mão cibernética. Basicamente esse é o roteiro do filme. Eu garanto que para quem assistir a esses dois filmes hoje em dia a diversão é garantida. Future Force originalmente foi lançado em 89, como o filme acabou tendo um lucro moderado (devido aos baixos custos de produção e roteiro) uma sequência foi encomendada e lançada poucos meses depois: Future Zone. O filme continua bom, apenas o tempo se encarregou de transformar o gênero de ação para comédia.

6º Showgirls
Em qualquer lista de piores filmes do mundo eu garanto que Showgirls estará lá. Eu também garanto que seu lugar é merecido. Mas sempre que eu assisto a Showgirls eu entendo a razão de sua existência e fico grato por ela. Paul Verhoeven e Joe Eszterhas haviam realizado Instinto Selvagem e se convenceram de que a formula do sucesso era simples: quanto mais sexo mais sucesso. Desnecessário dizer que  o filme foi um fracasso, mas Verhoeven nunca foi comedido com seu filme. Ele foi até o limite. Nenhum outro lançamento de porte mundial conseguiu ter tantas cenas de sexo quanto esse filme. Esse filme merece seu lugar de destaque por sua importância para uma geração pré-internet e que nem sempre conseguia ficar acordada para assistir o Cine Band Privê.

7º Violação de Conduta
Primeiro eu sempre fui um grande fã de John Travolta e um grande fã de John McTiernan. Travolta não precisa de apresentação e Mctiernan tem um currículo invejável ( Predador, Duro de Matar, Caçada ao Outubro Vermelho, Duro de Matar - A Vingança e Thomas Crown - A Arte do Crime) e além deles Samuel L. Jackson está no filme, não que ele seja garantia de sucesso mas é sempre um fator interessante.
Ainda sim Violação de Conduta é um desastre. E esse é o primeiro filme no qual o diretor (durante os comentários no dvd) explica exatamente o porque de o filme não prestar. Violação de Conduta basicamente se trata de uma série de interrogatórios realizados por Travolta e Connie Nielsen para descobrir por que quase todo um grupo de soldados americanos foi morto durante um exercício no Panamá. Até ai tudo bem o problema é que todas as versões são contraditórias e todos os personagens tem pelo menos duas versões do que aconteceu. O problema é que no final há mais um reviravolta inesperada e extremamente forçada que claramente trapaceia o espectador. O motivo para isso? McTiernan confessa que procurou o roteirista e disse que ele não poderia matar determinado personagem (peça chave para o enredo) porque ele gostava demais do ator!!! Sério! Assista Violação de Conduta e desligue a tv uns cinco minutos antes do fim e você terá visto um filme bom e uma ótima atuação de Travolta, continue assistindo e você terá visto um dos maiores atentados a inteligência do espectador.

8º Comando Para Matar
E se Rambo 2- A Missão tivesse sido interpretado por Arnold Shwarzenegger? E se Freddi Mercury fosse o vilão em um filme? Comando responde a ambas as perguntas. O roteiro parece ter sido escrito por uma criança de cinco anos mas é diversão do ínicio ao fim. Mas é justamente isso que torna o filme interessante. Em certo ponto do filme ele invade uma loja de armas e passeia com um carrinho de compras pegando um arsenal de armas e munições, ele pula de um avião em movimento e é capaz de farejar seus inimigos. Não tem como o filme ficar mais legal depois disso. A tagline do filme já diz tudo: "Em algum lugar, de alguma forma, alguém irá pagar" ou seja, nãoimporta a história, o importante é que Schwarzenegger vai matar um monte de gente. 

9º Howard - O Super Herói
George Lucas deixou o posto de presidente da Lucasfilm para escrever a história de um pato de outro planeta que vem para a terra e se mete em altas aventuras (como diria o narrador da sessão da tarde). Considerado o fundo do poço da carreira de Lucas, Howard O Super Herói, é um desastre ambulante é extremamente divertido e ruim. Jefrey Jones como Dark Overlord é o que realmente me diverte e o monstro da batalha final é um dos meus favoritos até hoje. Quando eu era criança a versão dublada me matava de medo. Mas o que eu mais gosto no filme é que Howard é um mulherengo e o filme termina com ele e Lea Thompson em sua cama prestes a fazerem sexo. Uma mulher e um pato! Não tem como alguém superar isso em um filme para crianças.

10º Atração Explosiva
Atração Explosiva não é nada mais do que um veículo para tentar lanças a carreira de atriz da então mega-modelo Cindy Crawford. O roteiro é cheio de clichés e Crawford não consegue interpretar abslutamente nada. Mas o filme tem boas sequências de ação e uma boa trilha sonora. Obviamente o que mais me faz gostar dele é a cena de sexo de Baldwin e Crawford. Quantas vezes no cinema podemos ver uma super-modelo atirando em um vilão enquanto transa com o mocinho.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...