Você me bate, empurra e tenta me intimidar. Grita, xinga e tenta mais uma vez o golpe imundo de tentar apertar o fácil botão que aciona os meus medos mais óbvios. Somente um imbecil como você tentaria um golpe tão óbvio como esse. Algo tão banal, tão rasteiro.
Seus esforços físicos simplistas são percebidos por meus braços e nada mais. Você se tornou apenas uma carcaça ambulante na qual eu deposito todo o lixo e decepções causados por você mesmo. Ainda sim você insiste e com as mais tolas palavras insiste em tentar me controlar.
E eu como um robô pré-programado respondo a elas da forma esperada. Te bato, empurro e tento te intimidar. Você finge não ouvir e isso me enfurece ainda mais. Eu uso os argumentos que eu sei que vão te convencer e você permanece calado. Então eu te lembro que o meu pior defeito é ser sua continuação. É ser tão ruim, tão egoísta como você.
Eu não desejo ser honesto, sincero e fiel, mas eu sou porque isso me distância de você. Essas não são sensações agradáveis para a mera extensão de você que eu sempre fui e essa é a única razão que essas qualidades tem algum valor para mim.
“Senhor Deus, por favor ajude-me. Por favor, eu imploro. Ajude um pobre pecador como eu. Por favor me dê forças para enfrentar essa prova tão dolorosa e pesada que se coloca diante de mim nesse momento.”
Eu me encontro em um dos momentos que levam as pessoas a pronunciar esse tipo de frase e ainda sim escrevê-la exige um esforço criativo legítimo para que eu possa sequer considerar quais as palavras preencheriam esse tipo de mensagem.
Eu não gostaria de me encontrar em uma situação desesperadora, porém esse tipo de acontecimento me fornece uma visão particular desses momentos e um contato mais próximo com a motivação de pessoas nessas condições.
A minha falta de motivação para que eu não acredite nesse tipo de prece/súplica não vem de um mal direcionado sentimento de orgulho, ainda que eu acredite que esse tipo de mensagem necessite de desnecessária identificação do solicitante como alguém simplório, errado e arrependido, porém a minha indisposição para esse tipo de solicitação desesperada é a simples falta de propósito para isso.
Não haverá uma intervenção divina para mim ou para quem eu proponho, e isso independe da maneira como eu levei a minha vida ou como ele tenha levado a dele, e em algum lugar do mundo alguém que tenha vivido seguindo fielmente todas as arbitrárias e ilógicas (e muitas vezes cruéis) regras da religião poderia fazer as mesmas súplicas e mesmo assim não receberia qualquer tipo de intervenção sobrenatural.
Qualquer tipo de mudança inesperada na ordem natural é fruto da mera chance estatística de isso acontecer de qualquer outra maneira. Vez após vez percebemos o que é estatisticamente improvável como sendo sobrenatural. O que nos leva a imaginar se não temos como alterar as chances do que seria improvável de acontecer a nosso favor. E qual a única coisa que podemos fazer? Qual a única coisa que podemos fazer para transformar algo intangível e improvável em algo concreto e certeiro? Desejar. Desejar que isso se torne realidade. Mas talvez desejar seja algo muito simples. Nós estamos acostumados a desejar diversas coisas simples durante o dia e nenhuma delas acontece. Talvez a resposta seja um pouco mais além. Talvez não seja apenas desejar que seja verdade, talvez nós devêssemos dar o benefício da dúvida ao destino e acreditar que isso irá de fato se tornar realidade. Talvez a resposta seja acreditar em algo como se fosse verdade antes mesmo de sabermos se isso é verdade. Isso é a fé.
Mas ainda sim isso não concretiza o desejo. Talvez por que estejamos acreditando de antemão em algo simples de se acreditar. Talvez nossa fé pudesse ser melhor demonstrada se acreditarmos em algo mais improvável. Talvez se acreditarmos em mitos que desafiam tudo aquilo que presenciamos e verificamos desde o nosso nascimento... Talvez então nossa fé seja o suficiente para que possamos mudar as probabilidades o suficiente para que um evento extremamente improvável ocorra em nosso favor.
No fundo trocamos a possibilidade de um favor extremamente improvável (a vida de um filho, a cura de um pai, a vida eterna) pela crença inquestionável em algo absurdo.
Coincidentemente, o método utilizado acaba tornando a realização do favor inverificável, e a crença absurda em algo que pode ser facilmente monetizado.
Uma das características de um golpe é que ele funciona melhor quando a vitima esta mais fragilizada e nunca em minha vida eu fui tão procurado por religiosos tentando me converter quanto nesse momento.
Peço desculpas aos leitores mas depois de considerar alguns minutos percebi que não há outra maneira de explicar a minha situação a não ser descrevê-la diretamente.
Meu pai está internado em estado grave na UTI do Hospital Dom João Becker de Gravataí há alguns dias e no último domingo ele foi desenganado.
Ele é o que eu definiria como ateu não-praticante, ele não acredita em Deus mas procura não interferir com a crença de ninguém. Escrevendo isso percebo que jamais sofri qualquer tipo de influência dele em relação a religião. Quando minha mãe insistia que eu fosse a missa ou a catequese ele jamais proferiu uma palavra de incentivo ou de reprovação e a própria revelação de que ele era ateu só foi feita para mim muitos anos depois que eu mesmo já havia me definido como tal para toda a família.
Quando eu vejo ele no leito da UTI e trocamos olhares temos um entendimento, talvez único em nossa família, de que nossa história acabará lamentavelmente ali. Não há promessas de continuações, ou ilusões de nuvens e harpas, há apenas a importância do que foi feito e construído até aquele momento. Estamos comprometidos com nossa consistência e esse é o legado de nossa relação, pelo menos no que diz respeito a nossa escolha religiosa.
OK, obviamente isso não vai acrescentar absolutamente nada na sua vida mas eu achei interessante. Encontrei um desses sites que faz um previsão de como você vai parecer daqui a 20 anos baseado no seu estilo de vida. Há alguns sites mais perfeccionistas nessa tarefa que fazem um questionário mais complexo e extenso, mas esse que eu estou indicando é um dos mais rápidos e simples de usar, vale como diversão.
Testei com a minha foto e a da minha esposa:
E já que estavamos mais velhos aqui vai a fotos dos filhos, conforme esse outro site que simula a aparência da criança baseado nas traços dos pais:
Hoje em dia, em um tempo no qual somos rápidos em classificar pessoas baseados nos seus posicionamentos a respeito de algumas questões sobre a sociedade como um todo, há algumas questões que eu realmente concordo que fazem com que possamos definir algumas linhas básicas sobre aquele com quem estamos conversando.
Ainda que esse seja um tipo de julgamento apressado e superficial, quantas vezes recorremos a ele no nosso dia-a-dia?
Em um tempo no qual mantemos amizades através do Facebook, contamos nossas atividades rotineiras no Twitter e assistimos videos e comentamos (e muitas vezes debatemos) sobre eles no YouTube ao invés de com a pessoa que está ao nosso lado, esse é o tipo de julgamento predominante. Quantas vezes você já olhou o perfil de uma pessoa no Facebook esperando descobrir que tipo de pessoa era aquela que você ainda não conhecia profundamente.
Obviamente, quando eu tenho tempo de conhecer alguém, entender suas ideologias, princípios e experiências que o levaram a algum tipo de posicionamento esse tipo julgamento se torna incorreto e dispensável. Mas caso você me conheça de vista, compartilhe apenas um rápido papo ou troque uma ideia simplória, até que eu tenha a oportunidade de te conhecer melhor eu vou julgar o tipo de pessoa que você é baseado nas suas opiniões sobre homossexualidade, racismo, aborto, política, religião e outras questões sociais da mesma esfera.
Alguém poderia dizer que já que vamos julgar alguém precipitadamente deveriámos nos focar em questões mais "preto no branco" como: "Como você trata outras pessoas" ou algo mais direto (e ingênuo) como: "Você pratica o bem ou o mal?" Mas a questão é que todos nós mentimos sobre essas perguntas mais básicas.
Já as perguntas sobre homossexualidade, racismo, aborto, política e religião não tem um certo e errado automático e revelam bastante da sua personalidade enquanto eu não tenho a oportunidade de entendo o ser complexo que você é.
Sendo assim aqui vai uma série de posts denominada "Definições" nos quais eu dou a oportunidade de as pessoas que não me conhecem mas acompanham o meu blog de formarem suas opiniões apressadas e superficiais a meu respeito baseadas nos tópicos que eu sugeri. Vamos começar com o aborto.
Eu sou a favor do aborto e a princípio essa é uma posição difícil de defender. Nas primeiras instâncias não há nada que um método contraceptivo não resolvesse com bem menos estardalhaço mas a minha questão aqui não é com a vida dos fetos. A razão de eu ser a favor do aborto é outra.
Uma vez o meu professor de sociologia me perguntou sobre qual seria a minha opinião a respeito do aborto, eu respondi que era a favor. Depois ele me deu o exemplo de uma criança que nasceu isolada do mundo em uma ilha (possivelmente uma sequência menor de "A Lagoa Azul") e não conseguia se comunicar com o resto de nós, e de repente ela fosse encontrada e reintegrada a nossa sociedade. Eu permitiria que essa criança, já em seus 12 anos, fosse morta. Eu prontamente respondi que não. Ele afirmou então que eu era contra o aborto. Ele seguiu adiante explicando que eu era contra a execução de uma criança, que obviamente deseja viver, mas que ainda não tinha condições de comunicar esse desejo e que tinha que contar com o empenho de terceiros para garantir que ela sobrevivesse.
A questão que o meu professor sabiamente ignorou naquele dia foi a questão da disputada consciência dessa criança. Eu vou seguir o exemplo dele e manter o mesmo distanciamento dessa questão, já que nem mesmo a ciência consegue chegar a um consenso e eu realmente não me importo com esse ponto. Mas permitam-me explicar o porque eu não me importo falando o porque eu acho que a pessoa que diz que se importa também não se importa. Todos que dizem que a vida começa na concepção e que estão defendendo bebês, porque vocês mulheres que não tem filhos e querem desesperadamente salvar esses embriões nos úteros de outras mulheres não vão até uma clinica de fertilidade e saem de lá portando um belo embrião preenchido com um espermatozoide dentro do seu útero? Esses mesmos embriões serão jogados fora em um prazo de cinco anos (milhares já foram jogados) e ninguém , nem a igreja, nem a polícia, nem políticos dá a mínima para isso. Mas quando a fulana, negra, pobre e sem recursos quer fazer a mesma coisa com o que está dentro dela todas essas máquinas de sabedoria são as primeiras a querer culpar essa mulher e jogá-la na cadeia.
Eu me preocupo com a mulher. É uma escolha dela, que diz respeito ao corpo dela e que ninguém mais deveria botar o bedelho, a não ser é claro o pai da criança, mas mesmo assim em uma proporção menor do que a mãe.
Particularmente eu me sinto na obrigação de esclarecer que eu não faria um aborto, ou obviamente seria extremamente contra uma mulher que carregasse uma criança minha o fizesse. Mas isso não significa que eu não entendo as razões de outras pessoas para tomarem essa atitude.
Acho que o vídeo abaixo, que mereçe toda a divulgação que você puder dar, esclarece o meu ponto:
Então é isso: Oi, eu sou o Vinicio, sou a favor do aborto. Muito prazer.
Eu ia enviar um e-mail para uma amiga minha e estava procurando uma foto de bebê triste e acabei encontrando uma de bebê zangado que eu achei impagável. O mais legal foi descobrir que já fizeram várias montagens com a foto do garoto. Achei tão engraçado que resolvi postar aqui.
Estilo Michael Moore
Exterminador do Futuro
Fuzileiro
As crianças hoje em dia estão cada vez piores!
Hulk Hogan não morreu!
Você também não entende Laranja Mecânica?
Só faltou o burro!
Cruzes!
Venha para o lado negro da força! Nós temos biscoito...
Eu passei os últimos três anos sem falar com o meu pai. Nos desentendemos e cada um foi para o seu lado sem mencionarmos ou admitirmos para os outros o quanto essa distância nos machucava. Há algum tempo atrás a saúde dele piorou bastante acredito que a situação só tenha piorado.
Eu sempre disse a todos que perguntavam quem era o meu herói, que o meu maior herói era o meu pai. Sabe, são aqueles pequenos momentos que fazem com que essa relação entre pai e filho se torne única e imensuravelmente especial. Eu ainda lembro do meu aniversário de 7 anos quando eu havia pedido uma bicicleta o ano todo e no meio da festa ele apareceu com a bicicleta. Não foi o presente em si que me fez guardar a lembrança e sim o fato de que quando eu chorei de emoção por ter ganhado o presente ele chorou também.
Aquela foi a primeira vez que eu percebi que havia uma conexão entre pai e filho que não poderia ser quebrada. Hoje, eu tenho que admitir, é extremamente doloroso para mim observar a fragilidade dele perante o peso dos anos.
Eu fico considerando o tempo que perdemos e o quanto foi difícil para mim reunir as forças para dizer a ele que eu me orgulhava muito que ele fosse meu pai. Meu pai sempre foi bastante prático e não perdia tempo dizendo o que deveria ser feito, ele simplesmente ia lá e fazia. Ele nunca foi muito eloquente e sempre se mostrou muito pragmático, foi justamante por isso que me marcou muito quando um dia, me aconselhando sobre como superar as preocupações que estava tendo, ele disse: "Nunca olha pra baixo, olha sempre no horizonte". Todo dia quando eu acordo eu penso nessa frase.
Pensando nisso resolvi compilar um Top 10 com as melhores músicas sobre pais e filhos, sempre há mensagens poderosas nessas canções inesquecíveis.
No título de cada música está o link para o download de cada uma delas.
Essa é a minha canção favorita sobre as diferenças sobre pais e filhos. A música apresenta as diferenças de opinião entre pai e filho, com uma parte da letra representando o pensamento do pai e a outra do filho. O que mais eu gosto nela é que além de uma excelente música ela deixa claro que nenhum dos dois lados está enganado mas ambos tem opiniões completamente diferentes. A música mostra a conversa entre um pai que não entende o desejo de um filho de romper e formar uma nova vida, e o filho que não consegue se explicar, mas sabe que é hora de ele buscar seu próprio destino.O autor da canção é Cat Stevens, que mais tarde se converteu ao islamismo e passou a se chamar Yusuf Islam.A gravação original é de 1970, eu achei no youtube o video de Yusuf Islam cantando a música recentemente enquanto sua esposa e filha observam com seu neto no colo. Com certeza muitas jovens ouviram Cat Stevens na condição de filhos buscando sua independência para forjar seu destino e hoje escutam Yusuf Islam enquanto aconselham prudência nas escolhas de seus filhos.
Essa é uma das músicas mais emocionantes do U2. Bono a compôs para o seu pai que morreu de câncer em 2001, a primeira vez que ela a cantou foi no funeral dele.
É uma canção com uma letra poderosa e me lembra de como o papel de responsabilidade acaba se invertendo ao longo dos anos e como em diversos momentos temos vontade de dizer aos nossos pais a mensagem de Bono: deixe-me cuidar um pouco de você agora.
3º Father And Daughter
E embora eu não possa te convencer que não há nada de assustador escondido sob a sua cama
Eu vou ficar de guarda como um cartão postal de um Golden Retriever
E nunca te deixarei até você ficar com um bom sonho em sua cabeça
Eu me lembro que essa música foi indicada ao Oscar uns anos atrás, ela fazia parte da trilha sonora do filme "The Wild Thornberrys". A música fala obre o amor de um pai por uma filha enquanto ele a incentiva a seguir sua intuição e promete que estará sempre lá quando ela precisar. Eu lembro de ter pensado que caso algum dia eu tivesse uma filha esse seria o tipo de pai que eu gostaria de ser.
"Se vais embora por favor não te detenhas
Sigas em frente não olhes para trás
Que assim não vais ver a lágrima existente
Que molha o rosto do teu velho meu rapaz"
Bom o meu pai é gaucho, da fronteira, e eu não poderia deixar de incluir essa música. Eu não costumo escutar muitas músicas tradicionalistas (apesar de admitir que muitas delas são lindas), mas essa é especial para mim. Eu lembro que quando o meu pai chegava do trabalho ele costuma sentar na varanda e ficamos ouvindo as músicas do Oswaldir e Carlos Magrão. Eu era muito jovem e não entendia muito bem o significado da música, mas hoje percebo que todos nós acabamos passando por esse momento descrito na música e acabamos nos afastando gradualmente para vivermos nossa vida.
Durante muito tempo eu escutei essa música sem prestar a atenção na letra e sempre gostei muito da balada. Um dia resolvi escutar com mais atenção e percebi que se tratava de uma forte história sobre como um pai sem tempo acaba sempre prometendo que irá passar algum tempo com seu filho mas nunca consegue, mesmo assim o filho se mostra orgulhoso de seu pai, enquanto promete a ele que quando crescer quer ser igual a ele. No fim da história o pai já velho liga para seu filho, agora finalmente com tempo, e pergunta a ele se ele quer passar algum tempo com o velho pai. O filho já adulto responde que adoraria mas infelizmente não tem tempo. O pai termina concluindo, com pesar, que seu filho de fato cresceu e se tornou como ele.
Eu sou um grande fá de Johnny Cash, além de suas ótimas músicas que foram se tornando cada vez mais velhas e tristes. Ao pesquisar a sua discografia mais jovem eu percebi que ele também tinha muitas canções que eram engraçadas e que contavam histórias irreverentes. O que sempre me impressiona é que essa música é muito engraçada mas consegue ser emocionante ao mesmo tempo. Emocionar uma platéia com uma música engraçada é algo extremamente difícil e se levarmos em consideração que a gravação que eu tenho de Johnny Cash é de ele fazendo isso dentro de uma prisão de segurança máxima para uma platéia de detentos. A história da música trata de um garoto chamado Sue. Depois de muitos anos ele parte em busca de vingança contra o seu pai por o ter batizado com um nome de mulher. Ele encontra seu pai em um bar eles têm uma briga feroz, e o pai fala seus motivos para o filho. A música serve como uma ótima lembrança de mesmo as atitudes de nossos pais que temos certeza que são apenas para nos magoar vão se revelar um dia como apenas mais um empurrão dos muitos que recebemos deles para vencermos no mundo.
"Bom, meu pai saiu de casa quando eu tinha 3 anos,
E ele não deixou muita coisa para mamãe e nem para
Mim,
Só este velho violão e uma garrafa vazia de bebida.
Agora eu não o culpo porque ele fugiu e se
Escondeu,
Mas a coisa mais malvada que ele já fez,
Foi antes de partir, quando ele veio, e me chamou
Com o nome de Sue.
Bem, ele deve ter achado que era uma piada,
E isso deu em muitas risadas de um monte de amigos,
Parecia que eu tinha que lutar a minha vida
Inteira.
Alguma namorada poderia rir e eu ficava vermelho,
E algum cara ria e eu quebrava a cabeça dele,
Eu tenho que lhe dizer, a vida não é fácil para um
Garoto chamado sue.
Eu cresci rápido e cresci malvado,
Meu início foi difícil e meus movimentos
Tornaram-se
Mordazes,
Eu vaguei de cidade à cidade para esconder minha
Vergonha.
Mas eu me fiz um juramento para a lua e as
Estrelas,
Eu procuraria os bordéis e bares,
E mataria aquele homem que me deu aquele nome
Horrível.
Bem, era gatlandburg em meios de junho,
Eu mal cheguei na cidade e minha garganta estava
Seca,
Pensei: eu vou parar e tomar uma bebida.
Num velho saloon numa rua de lama,
Ali estava numa mesa sentado,
O cachorro imundo e sarnento que me chamou de sue.
Bem, eu soube que aquela cobra era meu doce papai,
Através uma uma foto velha que minha mãe tinha,
E eu conhecia aquela cicatriz no seu rosto e seus
Olhos maus.
Ele era grande e curvado, e grisalho e velho,
E eu olhei pra ele e meu sangue gelou, e eu disse,
"Meu nome é Sue! como você vai? agora você
Morrerá!"
Sim, isto foi o que eu disse a ele.
Bem, eu o acertei forte no meio dos olhos,
E ele caiu, mas para minha surpresa,
Veio com uma faca e cortou fora um pedaço da minha
Orelha.
Eu quebrei uma cadeira atravessando seus dentes,
E nós quebramos a parede e saímos na rua,
Chutando e socando na lama e no sangue e na
Cerveja.
Eu lhe digo que eu lutei como um homem forte,
Mas eu realmente não consigo lembrar quando,
Ele chutou como uma mula e mordeu como um
Crocodilo.
Eu o escutei rindo,
Ele foi pegar sua arma mas eu peguei a minha
Primeiro,
Ele ficou lá olhando para mim e eu o vi sorrir.
A ele disse, "filho, este mundo é cruel,
E se um homem quer viver tem que ser durão,
E eu sabia que não poderia estar lá para lhe
Ajudar.
Então eu lhe dei esse nome e disse adeus,
Eu sabia que você teria que se endurecer ou morrer
E foi esse nome que lhe ajudou a ser forte.
Agora você só lutou uma luta idiota,
E eu sei que você me odeia e você tem direito,
De me matar agora e eu não o culparei se você o
Fizer.
Mas você tem que me agradecer antes de eu morrer,
Pela pedra no seu estômago e pela cuspida no seu
Olho,
Porque eu sou o filho da puta que te chamou de
Sue".
Bem, o quê eu poderia fazer, o quê eu poderia
Fazer?
Bem, eu fiquei sem ar e joguei minha arma fora,
O chamei de pai e ele me chamou de filho,
E eu voltei com um ponto de vista diferente.
Eu penso nele agora e sempre,
Toda vez que eu tento e toda a vez que eu ganho,
E se eu tiver um filho,
Eu acho que o chamarei de,
Bill ou george, qualquer coisa menos Sue!
Eu ainda odeio aquele nome!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Bom eu não posso dizer que sou um grande fã de Fábio Junior, mas tenho que admitir que essa é uma música realmente única. Várias das frases acabam por definir o meu próprio relacionamento com o meu velho. Emocionante, sem dúvida.
Pela primeira vez que o medico te colocou em meus braços
Eu sabia que morreria antes que acontecesse algum mal a você
No entanto perguntas surgem em minha mente, eu serei homem suficiente?
Essa música sempre foi clássica, mas foi Will Smith que a transformou em uma mensagem de amor para seu filho. Nos dias de hoje onde o rap é repleto de palavrões e violêcia é extremamente agradável e reconfortante ver que com talento e dedicação é possível criar músicas de sucesso sem apelação. O clipe é agradável e retrata vários artistas negros com seus filhos.
Faço o meu melhor para para alimentá-lo e eu faço o que é certo
Eu tento encontrar as palavras que eu lhe direi
Quando você vier para casa hoje à noite
Seal sempre foi responsável por várias músicas emocionantes e bem embaladas e essa não foge a regra. Trilha do filme À Procura da Felicidade, a música fala sobre como o caminho do homem é traçado de forma diferente ele se torna pai e como um pai cria um filho esperando que ele mesmo um dia se torne um bom pai.
Apesar de ser uma das músicas de Eric Clapton que não fez muito sucesso eu tenho um carinho especial por ela. Clapton perdeu o pai que nunca conheceu em 85 e também sofreu a trágica morte de seu filho Conor, em 91. Clapton faz uma observação muito comovente ao concluir que de fato conheceu seu pai através dos olhos de seu filho.
Eu sempre tive uma forte admiração por todos aqueles personagens que não eram os protagonistas de seus respectivos veículos, mas de alguma forma acabavam roubando a cena e não seguindo a trilha pré-determinada dos eventos. Há algo de fascinante naquele personagem que é designado a fazer parte de algo e transforma a forma como você percebe determinado seriado, filme, livro ou qualquer outra plataforma de comunicação. Evidentemente eu não sou o único com essa admiração e acho até que não somos poucos por aí. Ainda que eles não se resumam a esse estereótipo, uma grande parte destes personagens são anti-heróis, mas a totalidade deles atuou para mim como um caminho para fugir do comum e satisfazer a minha necessidade de diferencial. Vários personagens apresentaram esse tipo de personalidade nos mais variados tipos de mídia que eu acompanhei. Em Cavaleiros do Zodíaco, nós tínhamos a figura (hipnotizante para mim) de Ikki de Fênix. Ele só aparecia de vez em quando nos episódios (quase sempre para salvar o irmão Shun) e mesmo assim cada aparição trazia algo novo e desafiador. Eu lembro que o background do personagem citava um treinamento na "Ilha da Morte" (na qual ele foi parar tomando o lugar do seu irmão) e o amor do personagem havia sido a filha do seu treinador carrasco a qual era morta pelo próprio pai com um golpe que visava Ikki. Agora eu pergunto alguém lembra da história do Seya? Em Lost, o protagonista é Jack, o doutor com suas crises de responsabilidade e comprometimento, enquanto para mim o personagem mais interessante é Sawyer, o trapaceiro que novamente tem um background muito mais interessante. Nada como um filho vingativo que assume a identidade do responsável pela morte dos seus pais e acaba se tornando justamente aquilo que ele procura. Uma referência óbvia é Han Solo, um coadjuvante fadado a permanecer na sombra do protagonista Jedi, LukeSkywalker, o piloto coreliano se mostrou um personagem muito mais interessante e marcante do que o protagonista da primeira trilogia de Guerra nas Estrelas.
Eventualmente, esse tipo de admiração me levou a apreciar outros artistas que eram por si sós astros em seus respectivos meios e protagonistas de seus campos de atuação, mas não exatamente escolhas óbvias para alguém com o meu perfil. JohnnyCash e HansZimmer servem como perfeito exemplo no âmbito musical. O primeiro um cantor cuja carreira de mais de 50 anos é um marco americano, mas nenhuma de suas músicas jamais chegaria a uma rádio brasileira. Já o alemão HansZimmer não é tão obscuro, qualquer pessoa com algum interesse mediano por trilhas sonoras o conheceria. Porém não poderíamos classificá-lo como uma escolha óbvia pela sua música em si e não apenas pelo fenómeno de marketing que acompanha um filme. Todas essas figuras agem como um anti-protagonista, eles não são o exato contrário do protagonista, mas eles preenchem as lacunas aonde os personagens principais não podem ir. Mas o ponto interessante é até onde esses personagens me inspiraram e influenciaram a minha vida até esse ponto. Refletindo brevemente a respeito, imagino que a porção tenha sido muito maior do que o recomendado, sendo possível até mesmo relacionar a minha obsessão com decadência ao inicio da admiração por esse tipo de personagem. Talvez possa parecer um pouco exagerada a noção de que esse tipo de admiração específica por um determinado estereótipo viesse a orientar o rumo da minha vida, mas a minha criação foi ausente o suficiente para me proporcionar isso. Não que isso seja uma lamentação em relação aos meus pais, alguém tão narcisista quanto eu só pode achar positiva uma característica que me tornou o que eu sou. O fato é que eu nasci depois da crise de meia-idade dos meus pais e isso me deu uma maior liberdade. Liberdade essa que eu acabei direcionando na parte motivacional e me inspirando a seguir esses exemplos, digamos assim, mais interessantes. Assim acabou se tornando inevitável que como o caminho trilhado por essas diferentes personalidades fictícias eu procurei por preencher as lacunas da minha própria história com meus próprios atos. Em outras palavras eu não deixaria outra pessoa ficar com as vagas interessantes que ficariam entre as minhas ações. Para todos os atosimpensados que eu cometi, sempre houve essa presença espectral de um Vinicio que fez todas as outras escolhas. Houve um Vinicio que realmente se dedicou ao estudo e ao desenvolvimento acadêmico enquanto eu mergulhei de cabeça no rpg. Isso sempre foi ponderado por mim (retroativamente) nas mais diversas áreas da minha vida e quanto mais penso nisso mais exemplos me saltam a mente. Eu penso no Vinicio que não foi a festa no dia antes do Provão do Enem e não dormiu na prova. Penso no Vinicio que terminou o cursinho pré-vestibular e entrou em uma faculdade conceituada da UFRGS, penso no Vinicio casou com a Jéssica, penso no Vinicio que não foi expulso de casa, penso no Vinicio que se reconciliou com o seus pais. Todos esses fariam o papel de protagonista no meu destino, cumprindo o papel esperado por eles e tendo algum dilema moral a respeito disso. Mas o fato é que não me restava outra opção a não ser seguir as minhas fortes influências baseadas nos personagens com quem eu tanto queria me identificar. Nenhum deles jamais faria essas escolhas responsáveis, o que me restava eram caminhos alternativos à essas rotas óbvias. Fugas para o Uruguai, festas inoportunas, irresponsabilidades mal diluídas, mágoas carregadas além da necessidade, todas elas cumpriram o seu papel em me afastar do caminho comum e me transformar em alguém que tivesse a qualidade mais importante do mundo para mim: ser alguém ao qual eu posso admirar através do meu gosto deturpado. Pensem o que quiserem, mas a verdade é que no fim do dia, sozinho no meu quarto carregando a sombra desse exército de Vinicios que me acompanha eu ainda posso parar e pensar: "Sabe de uma coisa? Eu ainda sou o cara mais legal dessa sala!"
Eu eu tenho pensado muito sobre as vantanges de não ter filhos. Basicamente a minha teoria é de que quanto mais velho se fica maior a vontade de se ter filhos. Apesar de eu achar que essa é um péssimo motivo por si só para ter filhos, devo estar preparado para essa ocasião. Afinal, como disse Elton Jhon "It's the Circle of Life" (ah, sobre um post anterior meu sobre funeral vocês acreditam que essa é uma das dez músicas mais tocadas em funerais americanos?). Mas voltando a ausência do bebê, eu comecei a pensar que eles são (no meu caso) a diferença entre uma vida de classe média e a boa e velha vida de classe baixa, suburbana e miserável, pegadora de ônibus e todos esses ítens charmosos que eu adoro. Por enquanto obviamente eu não tenho condições ou mesmo estrutura para ter um filho. Mas se meus planos estiverem corretos, isso deve se resolver até o fim do ano. Aí vem a questão: por que não ter filhos? Sim, eu sei que há milhares de respostas lógicas para essa questão todas elas me dizendo que ter filhos é o ínicio do pesadelo.
Eu não posso evitar de pensar a respeito de porque as pessoas são impulsionadas a essa vida de casamento e filhos? E como isso pode mudar de forma tão rapidamente... Até onde eu sei eu sempre fui o mais promíscuo dos meus amigos. Acho que na outra ponta estaria o Derek, não importa o que ele diga sempre acho que ele não seria capaz de dormir com alguém sabendo que iria magoar aquela pessoa. Ainda sim dadas essas caracteristícas, aqui estou eu escrevendo sobre ter filhos e casar. Quando um homem pensa em casar e (tecnicamente) viver feliz para sempre com alguém que ama ele sempre deve calcular a vida daqui a 20, 30 anos. Daqui a 30 anos eu terei 54. Seguindo as duas suposições eu poderia ou estar casado, com alguns filhos, investindo cada centavo do meu dinheiro no futuro das crianças ou eu poderia estar solteiro, sem filhos e também investindo cada centavo do meu dinheiro no futuro de algumas outras crianças, digamos universitárias gostosas de 19 a 23 anos. Hey, é tudo ouro para mim! Mas acho que as duas situações tem suas complicações, a vida de casado vai acabar com a sua energia e muito provavelmente comprometer a sua identidade, apartir dali você não é mais "Vinicio", não mesmo, você se torna o "Pai!" ou "Idiota que esqueceu de comprar o leite". Já na solteirice madura você acaba passando por mais situações humilhantes do que de costume (em relação a cantadas é quase uma volta a 8º série), sem falar que as situações inverossímeis que você costuma se meter não diminuem, apenas a sua energia diminui. Mas para aqueles que tem as mesmas dúvidas que eu, um pequeno lembrete visual.