Páginas

terça-feira, 24 de maio de 2011

Groover Séries - Game of Thrones


Então muita gente está falando da nova série da HBO, Game of Thrones e eu resolvi dar uma olhada. Vi o trailer no YouTube e não me pareceu grande coisa, mas como eu tenho precisado de inspiração para um novo personagem de RPG achei que essa poderia ser a série certa. O fato de ser alardeada como um  tipo de "Os Sopranos na Terra-Média" me soou interessante e talvez também rendesse algumas intrigas políticas que eu pudesse usar em minha campanha de Dungeons & Dragons.


Bom, a série é bastante interessante. Entre as coisas que me chamaram a atenção até o momento é a inteligência da abertura que mistura com perfeição a idéia do título da série com a necessidade de explicar ao espectador a geografia do mundo de Westeros, algo que nem mesmo o Senhor dos Anéis fez tão bem. Por falar em Tolkien está se criando uma discussão de fanboys na internet sobre qual obra seria melhor, eu não vou entrar no mérito, mas aparentemente as adaptações das respectivas obras compartilham mais do que o amor de seus fãs. Sean Bean dá o ar de sua graça em ambas as obras e deixem-me dizer que isso faz toda a diferença para Game of  Thrones. O ator não nos entrega o seu melhor trabalho mas com certeza nos deixa perceber que Game of  Thrones está acima da média. Mark Addy como Rei Robert Baretheon me convenceu de que ele sempre foi sub-aproveitado em Hollywood. Mas quem realmente chamou a minha atenção aqui foi Peter Dinklage como Tyrion Lannister, eu nunca havia visto ele fora de um papel cômico e com certeza o diminuto ator tem um enorme talento. O resto do elenco entrega um trabalho mediano com nada que me chame a atenção, a exceção de Iain Glen como o cavaleiro Jorah Mormont que acompanha a horda dos Dothraki, ele sempre é uma presença interessante em termos de interpretação . A única decepção em relação a interpretação fica por conta de Lena Headey, como a Rainha Cersei Lannister quem tem um caso de amor incestuoso com o seu irmão. Headey já mostrou que pode ser uma ótima atriz como a rainha Gorgo em 300 e até mesmo como Sara Connor na infeliz série "Terminator: The Sarah Connor Chronicles", mas até agora não mostrou a que veio, mesmo com um material tão bom nas mãos.



A minha segunda decepção com a série vem da falta de uma trilha sonora expressiva. Particularmente esse tipo de ambientação merecia algo mais épico e marcante e honestamente Ramin Djawadi, responsável pela trilha de Homem de Ferro e Fúria de Titãs e conhecido discípulo do mestre Hans Zimmer, deveria estar apresentando um trabalho mais coeso na série.
O ponto primordial até o momento e que me faz considerar a série como algo positivo é a produção. Obviamente houve um grande empenho em fazer tudo parecer real e esse esforço tem dado resultado. Não há cenários pobres ou efeitos visuais de má qualidade, o nível aqui é de primeira.

 
Eu ainda estou no quinto episódio, mas a história não é o que eu chamaria de complicada, porém me parece que há um grande número de eventos significativos para a história que se desenvolveu antes do ínicio da série e só é rapidamente mencionado. De fato, eu só entendi a profundidade da história quando pesquisei no Wikipédia a respeito:
"Quinze anos antes do inicio da história, os Sete Reinos estão divididos por uma guerra civil, também conhecida como A Rebelião de Robert e A Guerra do Usurpador. O príncipe Rhaegar Targaryen seqüestrou Lyanna Stark, despertando a ira da família da moça e de seu noivo, Lorde Robert Baratheon. O Rei Louco, Aerys II Targaryen, executou o pai e o irmão mais velho de Lyanna, quando ambos exigiram o retorno da moça. O segundo irmão de Lyanna, Eddard, uniu-se ao seu amigo de infância Robert Baratheon e Jon Arryn, com quem ele havia sido criado quando criança, declarando guerra contra os Targaryens, assegurando aliança com a Casa Tully e a Casa Arryn através de uma rede de casamentos (Lorde Eddard com Catelyn Tully e Lorde Jon Arryn com Lysa Tully). A poderosa Casa Tyrell continuou a apoiar o rei. A guerra civil teve seu auge com a Batalha do Tridente, onde o príncipe Rhaegar foi assassinado em batalha por Robert Baratheon. Os Lannisters finalmente concordaram em apoiar o rei Aerys, porém tornaram-se contra ele brutalmente, saqueando a capital Porto Real. Jaime Lannister da Guarda Real executou o rei Aerys e a Casa Lannister jurou lealdade a Robert Baratheon. Os Tyrell e os remanescentes fiéis aos Targaryens renderam-se e Robert Baratheon foi declarado rei dos Sete Reinos. Infelizmente, durante a guerra, Lyanna Stark faleceu, aparentemente de algum mal; Robert Baratheon então casou-se com Cersei Lannister para concretizar a aliança.

Apesar da vitória de Robert, o filho e a filha mais novos do rei Aerys, chamados Viserys e Daenerys foram levados para o outro lado do oceano por homens leais aos Targaryens. Depois da guerra a Casa Martell escolheu o caminho do exílio, já que a irmã do Príncipe Dorean Elia (mulher do príncipe Rhaegar) foi assassinada juntamente com seus filhos na tomada da capital Porto Real.

Seis anos depois o Rei Robert provou sua determinação ao derrotar os rebeldes do Lorde Balon Greyjoy de Ilha de Ferro. Os dois filhos mais velhos de Balon foram mortos e seu filho mais novo, Theon, foi colocado aos cuidados do Lorde Eddard Stark, como seu protegido."

O fato de muita coisa não ser explicada não me parece um erro e sim um posicionamento dos criadores na série. Não há no ínicio de cada episódio um "anteriormente em Game of Thrones". A história simplesmente segue sendo contatada mesmo que seja intrinsicamente ligada ao eppisódio anterior. O espectador que se vira para descobrir o que aconteceu caso tenha perdido o que aconteceu antes, e eu gosto disso.
Agora é esperar pelos próximos capítulos e torcer que a série continue melhorando.
Um grande abraço.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Animais de Estimação - Vida e Morte

Eu sempre gostei de animais de estimação, porém algumas espécies jamais entraram nessa lista. Eu já tive cachorros, coelhos, porquinhos-da-índia, papagaios e passarinhos. Bem simples e nada fora do normal, eu nunca fui o tipo de cara que apareceria com uma iguana ou uma cobra de estimação. Tudo começou com a Princesa, uma doberman cuja habilidade mais lembrada por todos da família é que ela era capaz de abocanhar pedaços de banana em pleno ar, utilizavamos essa tática para inserir as pílulas do remédio para vermes dela nos pedaços de banana e ela engolia sem hesitar.
Infelizmente a Princesa também tinha um traço peculiar: nas vezes em que ela deu cria, ela acabava comendo os próprios filhotes quando ia lambê-los após o parto. É eu sei... Mas se você honestamente achou que esse seria um post bonitinho sobre bichinos de estimação me pegou na semana errada. Continuando... Se não me falha a memória a Princesa morreu com um corte no ventre que acabou infeccionando depois de ela se machucar em um arame solto no pátio.
Ah lembrei que na verdade nem tudo começou com a Princesa, antes dela houve o lendário Dartangnan. Um pastor alemão de quem eu tenho poucas lembranças mas é figura onipresente em todas as fotos da minhas infância. Ele era realmente um belo cachorro e carrega a honra de ter sido batizado com o único nome que a minha mãe e o meu pai conseguiram pensar que era realmente bonito. Mas, conforme meus pais, um carteiro esteve em nossa casa e teria deixado o portão aberto, Dartangnan fugiu e foi atropelado a algumas quadras da minha casa. Eu deveria colocar a história dele antes da Princesa para fazê-lo justiça mas já estou bem adiantado no post e não vou reescrever o ínicio, então vamos prosseguir...
Depois da Princesa  veio o Charlita, um vira-lata. Ele era extremamente inteligente e fiel. Foi a primeira vez que eu percebi que um animal poderia ser um companheiro e amigo. Eu tinha entre uns 5 e 6 anos e lembro de boas memórias desse cachorro. O que mais me lembro dele é que conseguia andar uma distância considerável em duas patas e minha mãe sempre se referia a ele como "ela" (um traço que ela manteve com todos os outros animais que eu tive, se era uma cadela ela dizia "ele" seguindo sempre assim sem nunca acertar o sexo de nenhum animal).
A tragédia se abateu sobre o nosso mundo idílico quando o meu pai começou a cria perus no quintal de casa. Sim, perus. Ele chegou a ter mais de 100. Eu não os ponho nessa lista por dois motivos: primeiro, ele não eram meus animais; segundo, eu os odiava. Bom, os problemas começaram quando o Charlita descobriu que gostava de caçar os filhotinhos de perus. Em um ato de sadismo que na época eu não achava condenável ele começou a comer as cabeças dos peruzinhos. Meu pai não achou a atitude muito saudável e acabou matando Charlita.
Depois disso foi inevitável darmos um tempo nos cachorros e acabamos com um coelho gigante. Bom, o coelho não era do tamanho da casa, mas essa era a definição de raça que eu ouvia quando perguntavam que tipo de coelho era aquele. Chico era o nome dele e apesar de não ser realmente gigante ele era de fato enorme, aos 7 anos eu não conseguia segurá-lo no colo. Uma idéia peculiar da época foi fazer uma gaiola bem grande para Chico e depois de um tempo colocamos um casal de porquinhos-da-india. No ínicio Chico com seu tamanho imponente era o soberano do recinto e os porquinhos o tratavam com a pompa e deferência de um verdadeiro soberano porém em pouquissimo tempo os porquinhos-da-india se multiplicaram tanto que o Chico já não saia mais de sua casinha e parecia bastante acuado. Uma verdadeira insurreição foi organizada pelos porquinhos e o soberano Chico foi destronado. Com o tempo foi necessário começarmos a doar os porquinhos porém o Chico nunca mais foi o mesmo. Eu não lembro exatamente o seu fim, mas acredito que meu pai tenha dado ele para outra família ou que ele tenha simplesmente morrido de velhice, amargurado e com lembranças de seus dias de glória.
Ainda afastados do mundo canino resolvemos ter uma papagaio. Ele foi comprado pelo meu pai em uma viagem e logo de início nos trouxe bastante alegria. O nome? Chico. Obviamente não haviamos superado o episódio com o coelho e Chico II nos parecia um nome apropriado. O papagaio ficava livre na casa e nós o soltavamos nas árvores do pátio e ele sempre voltava com voôs curtos. Ele não conseguia falar nada além de seu próprio nome e a característica que eu mais admirava nele é de que ele sentia o medo das pessoas ao tentar dar o dedo para que ele subisse. Se a pessoa tivesse medo na hora de estender a mão para ele, ele bicava a pessoa. Se houvesse confiança no ato ele subia calmamente e permanecia ali passivamente. O convívio dele conosco chegou ao fim quando ele saiu para um voô e nunca mais voltou.
Mais tarde ainda não haviamos nos desligado completamente da figura do Chico (o papagaio) e acabamos com um pequeno periquito. Com a criatividade em alta resolvemos batísa-lo de Chico. Já era o terceiro animal na nossa casa com o mesmo nome, mas nossas bizarrices não pararam por aí. Começamos a confundir o periquito com o papagaio que havia fugido e começamos a criar o periquito como se fosse um papagaio. Ele voava solto dentro de casa e depois de algum treino começou a repetir seu nome. Os problemas de Chico III começaram quando resolvemos arrumar para ele um esposa. Não chegamos a batízá-la então ela ficou formalmente conhecida como Periquita. Depois de deixá-los uma semana juntos começamos a ficar ansiosos para que eles pusessem ovos e a família aumentasse. Assim, a cada cinco minutos um membro diferente da família abria a casinha dos passarinhos para ver se havia um ovinho ali. A pressão do lar e da perda de privacidade devem ter pesado para o pobre Chico pois o ninho nunca viu um ovinho sequer e tanto o Chico quanto sua Periquita acabaram morrendo. E dizem que casamento não mata....
Depois do nosso passeio pelo mundo das aves resolvemos excursionar novamente no mundo canino. Agora sim eu teria um cachorro e poderia escolher o nome. Fui agraciado com um Husky Siberiano, fiquei muito feliz e lhe dei o nome de Conan, uma escolha obviamente inspirado pela figura lendária do Cimério guerreiro que eu tanto acompanhava nas edições de "A Espada Selvagem de Conan" do meu primo Sandro. Conan foi um meio termo entre companheiro e arruaceiro, ele nunca foi muito calmo e foram raras as vezes nas quais eu consegui passear com ele, mas por outro lado ele sempre foi muito ativo e parecia bastante feliz. O fim das aventuras do cão bárbaro chegaram ao fim quando ele entrou em baixo da casa e comeu veneno que era destinado aos ratos que estavam no porão.
Depois do Conan, tivemos uma outra figura lendária. Commodus, o cachorro do demônio! O Commodus era uma mistura esquisita de raças e parecia um hibrído entre um buldog e um pastor alemão, baixinho e completamente preto. O Commodus era um bom companheiro e eu e meus amigos acabavamos brincando bastante com ele. Mas Commodus começou a revelar seu lado sobrenatural quando saíamos para passear na Morada do Vale, o bairro onde cresci. Bom, como eu sabia é normal os cachorros marcarem seu território urinando, mas Commodus ia um pouco além: ele urinava em toda a Morada do Vale! E o que acontecia quando ele não tinha mais urina? Ele mijava sangue! Sério! Sim, eu sei... Provavelmente eu deveria ter levado ele ao veterinário, mas diga isso a minha mãe. Naquela época era mais um caso para um exorcista do que para um veterinário... Por via das dúvidas decidimos não levar Commodus para para passear mais. Depois de alguns meses, o Gerson, um antigo integrante dos Groovers, foi na minha casa e deixou o portão aberto e o Commodus acabou fugindo. 
 Então durante muito tempo eu fiquei sem animal de estimação. Eu acredito que por pelo menos uns 6 anos. Bom, nesse tempo a minha vida mudou bastante e eu não moro mais com meus pais. Não moro mais em uma casa e não sou mais solteiro. Tudo isso afeta bastante a vida de uma pessoa. Quando eu conheci a Fabi, minha noiva e fomos morar juntos ela deixou claro desde o ínicio que gostava de animais e que adorava mais ainda gatos. Eu sempre fui de uma família de adoradores de cachorro e aves, ambos inimigos naturais dos cachorros, então eu meio que deixei o assunto por ai mesmo. Mas depois de um tempo juntando a necessidade de agradá-la com a saudade de um bichinho, a falta de movimento no apartamento (que acaba sendo muito grande para apenas duas pessoas) e observando qual tipo de animal se encaixava melhor no perfil da nossa atual moradia resolvemos adotar um gatinho. A Fabi sempre quis ter um gatinho preto chamado Salem. Por causa da Sabrina, A Feiticeira. Aparentemente todo mundo conhece essa série e só eu que não, então sempre que ela menciona a Sabrina eu sorrio e digo que entendi... Bom, de qualquer forma adotamos o Salem. 
 Fomos na Veterínaria Águia aqui em Porto Alegre e eles nos indicaram que falássemos com o pessoal do Movimento Gatos da Redenção, fomos muito bem atendidos pelo pessoal e acabamos achando o Salem. Um gatinho totalmente preto de dois meses de idade. Ele foi extremamente carinhoso conosco e ficava sempre grudado em nós. Eu realmente tenho que admitir que eu nunca tive uma relação tão afetuosa com animal como eu tive com o Salem. Um verdadeiro companheiro. Eu sempre critiquei as pessoas que tratam de animais como se fossem seus filhos mas devo dizer que eu finalmente consegui vislumbrar como elas se sentem e como esses animaizinhos acabam ocupando um lugar tão importante em nossas vidas. Infelizmente o Salém tinha uma doença grave e acabamos perdendo ele. Chegamos a interná-lo em uma clínica veterinária mas não adiantou. Eu fiquei bastante triste e a Fabi inconsolável. Bom, o tempo foi passando e acabamos vendo que haviam outros animaizinhos que precisavam de nossa ajuda e acabamos adotando dois gatinhos: o Boris e a Pandora. Eles estão bem saudáveis e são grandes companheiros. Bom, por enquanto é isso e obrigado por compartilharem da história dos meus animais de estimalção comigo. Um grande abraço.

Ps.: Eu adicionei o link do blog do Movimento Gatos da Redenção e vou adicionar eles permanentemente na barra de indicações de blog.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ADAPTAÇÃO (Adaptation, 2002)

"Está bem, mas aviso que não vai ter sexo, nem armas, nem perseguições de carros, nem personagens aprendendo grandes lições da vida, fazendo as pazes ou superando obstáculos no final. O livro não é assim e a vida não é assim". Essa é uma das falas mais interessantes de Charlie Kaufman (personagem de Nicolas Cage no filme Adaptação.

Acabei de assisitir Adaptação e, para resumir a minha impressão geral do filme, tenho que juntar os pedaços do meu cérebro espalhados pela sala. Antigamente se dizia "leia o livro, assista o filme" como o último pacote de interação com uma história. Depois de Adaptação isso se tornou "leia o livro, assista o filme, se informe sobre as pessoas envolvidas no filme". A obra rapidamente entrou para a minha lista de favoritos e, apesar de algumas poucas falhas em relação a ritmo, é simplesmente um dos roteiros mais inteligentes que eu já vi. Por um certo aspecto, a história não é tão complicada e usa o velho truque de misturar realidade com ficção, o que sempre teve um charme extra para mim.

Charlie Kaufman (Nicolas Cage) é um roteirista chamado para adaptar o livro "O Ladrão de Orquídeas" da autora Susan Orlean (Meryl Streep). O livro retrata a vida de John Laroche (Chris Cooper) um orquidófilo que foi preso enquanto retirava espécies raras de orquídeas de uma reserva natural no estado da Flórida. Kaufman está passando por uma depressão e não consegue enxergar nada de relevante na história para que ela seja adaptada para as telas. Seu irmão gêmeo irresponsável, Donald, acaba de se mudar para sua casa e decide de uma hora para outra se tornar roteirista. Enquanto Charlie tenta desesperadamente superar sua crise de bloqueio de escritor e fazer um roteiro original e criativo, Donald escreve um roteiro totalmente cheio de clichês e obtém sucesso. Charlie sofre pressões da Columbia Pictures por seu prazo ter estourado para entregar a adaptação do livro de Susan. Sem achar saída para a adaptação, Charlie põe a sua própria história junto com a adaptação e começa a escrever sobre si mesmo adaptando o livro em um filme.
Essa é apenas a ponta do iceberg, de uma trama completamente maluca, original e genial. Os pontos mais interessantes do filme não estão dentro dele e se apresentam apenas quando conhecemos a história das pessoas envolvidas no filme. O roteirista do filme é Charlie Kaufman, roteirista vencedor do Oscar e responsável por Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. A primeira cena do filme mostra Kaufman no set de Quero Ser John Malkovich, filme dirigido por Spike Jonze, justamente o diretor de Adaptação. Na vida real, Kaufman foi procurado pela Columbia Pictures e pediram a ele que adaptasse o livro "O Ladrão de Orquídeas" da reporter Susan Orlean do The New Yorker. Kaufman não conseguia e escreveu a história de si mesmo adaptando o roteiro. Donald Kaufman, na verdade, não existe e foi criado por Charlie como um personagem para o filme. O incrível é que ninguém sabia disso e todo o marketing do filme foi feito como se ele fosse uma pessoa real, o próprio cartaz do filme dizia "Dos roteiristas Charlie e Donald Kaufman", mas não para por aqui, Donald foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado na 75º edição do Oscar.
A primeira metade do filme segue a adaptação no estilo de Charlie, de forma criativa e interessante, mas não vai a lugar algum e a história não evolui. Quando Charlie finalmente decide seguir os conselhos de seu irmão o filme acelera o ritmo e a história flui mas fica repleto de clichês e reviravoltas forçadas. Assim, a história original, apresentada em "O Ladrão de Orquídeas" é totalmente deixada de lado e Kaufman cria sua própria versão dos fatos. Essa é a primeira vez que eu vejo a falta de criatividade em si ser usada de forma criativa e a favor da história, ao invés de apenas como refúgios para o espectador mediano que já sabe o que esperar de uma ida ao cinema.

Nicolas Cage entregou sua última grande performance no papel dos gêmeos Kaufman antes de entrar em uma interminável maré de filmes medíocres, chegando a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo filme. Meryl Streep também foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante e Chris Cooper ganhou a estatueta como Melhor Ator Coadjuvante. Brian Cox está perfeito como o palestrante de um curso de roteiristas que aconselha Kaufman a nunca usar "narração em off", enganar o espectador com o final ou recorrer ao "deus ex machina", todos recursos que Kaufman utiliza em seu roteiro.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Top 10 Filmes Ruins Que Eu Adoro

Há filmes ruins e filmes bons. Também há os filmes que eu gosto e os filmes que eu não gosto. Infelizmente essas duas categorias não se encaixam perfeitamente. Há filmes que eu sei que foram ruins e que foram malhados pela crítica e que tem falhas horrendas e elas são apontadas e de fato fazem sentido. No entanto eu não consigo deixar de gostar de alguns filmes que mesmo sendo ruins eu gosto de assistir. É quase como um prazer com culpa, mas ainda sim um passatempo delicioso. Vamos ao meu Top 10 filmes que são ruins e mesmo assim eu adoro. 

1º O Falcão Está À Solta
Hudson Hawk é um filme ruim não há dúvida nisso. Ouvir Bruce Willis cantar ao lado de Danny Aiello nãoé uma boa pedida. Mas ver Bruce Willis ter um papel ultra-cool nessa comédia de ação repleta de exageros sempre me anima. Os diálogos são os mais cafonas possíveis quando o filme pretende se levar a sério, mas quando as piadas entram em cena o filme decola.


2º Aprovados
 Depois de uma enxurrada de filmes sobre estudantes americanos prestes a entrarem na faculdade eu imaginei que não poderia mais me interessar por mais nenhum deles. Os dois primeiros "American Pie", "Mal Posso Esperar" e "Superbad" eram completamente suficientes para me satisfazer e explorar o tema. Quando o trailer de Aprovados mencionava que o filme era dos mesmos produtores de American Pie isso só piorou a situação. No entanto eu tive a felicidade de assistir o filme com alguns amigos e comprovei que ele era realmente engraçado apesar de não ser necessariamente original. O filme é de fato pobre ao recorrer as mesmas piadas de sempre, mas seus protagonistas tem o que falta a maioria das outras comédias adolescentes: carisma. Justin Long começou a ser levado mais a sério como protagonista depois desse filme e garantiu uma muito bem vinda aparição em Duro de Matar 4, mas quem rouba o filme é Adam Herschman como Glen.

3º O Homem da Máscara de Ferro
Exige um esforço consciente e avassalador para transformar um filme com uma história tão boa (baseada no livro de Alexandre Dumas) e um elenco inacreditável (Leonardo DiCaprio, Jeremy Irons, John Malkovich, Gerard Depardieu, Gabriel Byrne e Hugh Lauri) em um filme tão ruim. A interpretação de Di Caprio é um desastre, ele interpreta o rei da França com um sotaque Nova-iorquino, o diretor Randal Wallace (roteirista oscarizado por Coração Valente) faz com que todos os momentos de emoção sejam exagerados como se isso não pudesse ocorrer naturalmente com o seu seleto grupo de atores. Mesmo assim eu adoro o filme, como não gostar desse fantástico grupo de Mosqueteiros? Quer dizer, Malkovich e companhia são os Mosqueteiros! Não interessa se eles estão em um filme ruim, o que interessa é que eles estão na tela, juntos e dizendo: "Um por todos e todos por um".

4º O Guerreiro Americano e Guerreiro Americano 2
Nossa, o guerreiro americano!!! Bom eu não quanto a vocês mas eu certamente passei algumas boas tardes da minha infância fingindo ser um ninja depois de assistir ao Guerreiro Americano interpretado por Michael Dudikoff. Steve James está hilário como o melhor amigo do protagonista e candidato a Rambo. Esses dois filmes são tão ruins que aos 9 anos eu já sabia que existia algo ligeiramente errado com o roteiro e direção dos filmes porém eu não me importava e aparentemente nem os atores ou o diretor do filme se importavam porque todos os pontos clichés (que acabavam sendo os mais divertidos) que normalmente seriam consertados no segundo filme, na verdade foram ampliados e esse desprendimento é que faz o filme ser tão legal. Fora isso estamos falando de um ninja ocidental, se Michael Dudikoff poderia ser um ninja, todos nós podíamos também e isso sempre me deixava feliz.

5º Future Zone e Future Force
Bom, esse vai ser um pouco difícil de lembrar. Talvez nem todos tenham visto mas os que viram certamente vão lembrar. David Carradine interpreta um policial do futuro durão e com uma mão cibernética. Basicamente esse é o roteiro do filme. Eu garanto que para quem assistir a esses dois filmes hoje em dia a diversão é garantida. Future Force originalmente foi lançado em 89, como o filme acabou tendo um lucro moderado (devido aos baixos custos de produção e roteiro) uma sequência foi encomendada e lançada poucos meses depois: Future Zone. O filme continua bom, apenas o tempo se encarregou de transformar o gênero de ação para comédia.

6º Showgirls
Em qualquer lista de piores filmes do mundo eu garanto que Showgirls estará lá. Eu também garanto que seu lugar é merecido. Mas sempre que eu assisto a Showgirls eu entendo a razão de sua existência e fico grato por ela. Paul Verhoeven e Joe Eszterhas haviam realizado Instinto Selvagem e se convenceram de que a formula do sucesso era simples: quanto mais sexo mais sucesso. Desnecessário dizer que  o filme foi um fracasso, mas Verhoeven nunca foi comedido com seu filme. Ele foi até o limite. Nenhum outro lançamento de porte mundial conseguiu ter tantas cenas de sexo quanto esse filme. Esse filme merece seu lugar de destaque por sua importância para uma geração pré-internet e que nem sempre conseguia ficar acordada para assistir o Cine Band Privê.

7º Violação de Conduta
Primeiro eu sempre fui um grande fã de John Travolta e um grande fã de John McTiernan. Travolta não precisa de apresentação e Mctiernan tem um currículo invejável ( Predador, Duro de Matar, Caçada ao Outubro Vermelho, Duro de Matar - A Vingança e Thomas Crown - A Arte do Crime) e além deles Samuel L. Jackson está no filme, não que ele seja garantia de sucesso mas é sempre um fator interessante.
Ainda sim Violação de Conduta é um desastre. E esse é o primeiro filme no qual o diretor (durante os comentários no dvd) explica exatamente o porque de o filme não prestar. Violação de Conduta basicamente se trata de uma série de interrogatórios realizados por Travolta e Connie Nielsen para descobrir por que quase todo um grupo de soldados americanos foi morto durante um exercício no Panamá. Até ai tudo bem o problema é que todas as versões são contraditórias e todos os personagens tem pelo menos duas versões do que aconteceu. O problema é que no final há mais um reviravolta inesperada e extremamente forçada que claramente trapaceia o espectador. O motivo para isso? McTiernan confessa que procurou o roteirista e disse que ele não poderia matar determinado personagem (peça chave para o enredo) porque ele gostava demais do ator!!! Sério! Assista Violação de Conduta e desligue a tv uns cinco minutos antes do fim e você terá visto um filme bom e uma ótima atuação de Travolta, continue assistindo e você terá visto um dos maiores atentados a inteligência do espectador.

8º Comando Para Matar
E se Rambo 2- A Missão tivesse sido interpretado por Arnold Shwarzenegger? E se Freddi Mercury fosse o vilão em um filme? Comando responde a ambas as perguntas. O roteiro parece ter sido escrito por uma criança de cinco anos mas é diversão do ínicio ao fim. Mas é justamente isso que torna o filme interessante. Em certo ponto do filme ele invade uma loja de armas e passeia com um carrinho de compras pegando um arsenal de armas e munições, ele pula de um avião em movimento e é capaz de farejar seus inimigos. Não tem como o filme ficar mais legal depois disso. A tagline do filme já diz tudo: "Em algum lugar, de alguma forma, alguém irá pagar" ou seja, nãoimporta a história, o importante é que Schwarzenegger vai matar um monte de gente. 

9º Howard - O Super Herói
George Lucas deixou o posto de presidente da Lucasfilm para escrever a história de um pato de outro planeta que vem para a terra e se mete em altas aventuras (como diria o narrador da sessão da tarde). Considerado o fundo do poço da carreira de Lucas, Howard O Super Herói, é um desastre ambulante é extremamente divertido e ruim. Jefrey Jones como Dark Overlord é o que realmente me diverte e o monstro da batalha final é um dos meus favoritos até hoje. Quando eu era criança a versão dublada me matava de medo. Mas o que eu mais gosto no filme é que Howard é um mulherengo e o filme termina com ele e Lea Thompson em sua cama prestes a fazerem sexo. Uma mulher e um pato! Não tem como alguém superar isso em um filme para crianças.

10º Atração Explosiva
Atração Explosiva não é nada mais do que um veículo para tentar lanças a carreira de atriz da então mega-modelo Cindy Crawford. O roteiro é cheio de clichés e Crawford não consegue interpretar abslutamente nada. Mas o filme tem boas sequências de ação e uma boa trilha sonora. Obviamente o que mais me faz gostar dele é a cena de sexo de Baldwin e Crawford. Quantas vezes no cinema podemos ver uma super-modelo atirando em um vilão enquanto transa com o mocinho.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

The Hobbit - Making Of


No fim do ano "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" completa dez anos. Sim, dez anos! Incrível, eu me pergunto como uma década se passou sem que a trilogia jamais tenha deixado de ser um lançamento na minha cabeça. Eu ainda assisto aos filmes (ou pelo menos grandes sequências deles) a cada dois ou três meses. Para mim essa é simplesmente a trilogia mais completa e incrível já feita.
Mas como tudo que é perfeito pode ser desfeito, lá vem uma sequência de prequels que eu não tenho certeza se admiro ou repudio e possivelmente não poderei me definir até que Dezembro de 2012 tenha chegado. O ponto positivo é que Peter Jackson está de volta a comando da produção e firmemente sentado na cadeira do diretor depois de Guillermo Del Toro der amarelado. Recentemente o ator britânico Robert Kazinsky abandonou as filmagens alegando motivos pessoais. Ele interpretaria o anão Fili e parece ter deixado a produção em bons termos. "É com o coração triste que as coisas levaram a esse caminho" ele alegou no twitter lamentando que motivos pessoais o tenham obrigado a deixar a produção". Mas rumores sobre a tribulada produção do filme tem corrido pela mídia pelo última década. Mas agora finalmente já há aquela certeza da data e a emoção da espera. Há alguns dias atrás foi lançado por Peter Jackson um video dos bastidores da filmagem, ele confirma que o filme será em 3D e mostra até alguns atores ensaiando, perfeito para ir entrando no clima do filme e lembrarmos da trilha sonora e dos cenários originais (Valfenda e o Condado estão definitivamente de volta), até mesmo Ian Mckellen E Andy Serkis aparecem nas filmagens.

sábado, 23 de abril de 2011

Groover Séries - Community

Fazia algum tempo que eu não me viciava em uma série. Arquivo X, Lost, House e The Office foram algumas das poucas séries que realmente me chamaram a atenção. Séries de comédia conseguirem fazer isso é algo um pouco mais raro. Claro que temos bons exemplos disso, eu citei anteriomente The Office certamente existem outras, mas esse fator "viciante" é mais comum para mim em séries dramáticas (ainda que Arquivo X, Lost e House apresentassem suas pitadas de humor). Justamente por isso tem sido uma surpresa bem grande o quanto eu tenho gostado de Community. A série tem um humor muito irreverente, cheio de referências culturais a filmes e outras séries de televisão, um elenco afiado e roteiros muito "espertos". Eu quero chamar a atenção para essa parte, com certeza você não aprenderá nada de novo ou útil assistindo a essa série, não há nada de inteligente na série, mas a utilização de meta-linguagem sobre como os personagens percebem as próprias vidas como sendo parecidas com as de uma série é impagável, o que de fato é muito esperto. É a única série ou filme no qual as referências ao Twitter ou Facebook não parecem forçadas. Outro enorme trunfo do programa foi ter ressuscitado Chevy Chase que não me fazia rir assim desde Férias Frustradas. Agora o que realmente importa em uma série de tv de comédia é que ela te faça rir e isso eu garanto "Community" é simplesmente hilária. Eu nunca gargalhei tanto assistindo a uma série de tv e os episódios "Modern Warfare" da primeira temporada e "Advanced Dungeons & Dragons" da segunda são os mais engraçados que eu já assisti. Vale a pena assistir.

Ps: Uma dica, esse site tem os episódios legendados e com um tamanho de arquivo bem pequeno.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Livros Que Mudam A Vida - Mais Pesado Que O Céu

Bom, já fazia algum tempo que eu não lia um livro bom e interessante e Mais Pesado Que o Céu, a biografia de Kurt Cobain, resolveu o problema. Para dizer a verdade eu sou um grande fã de biografias, mas nunca tinha lido nenhuma de um astro do rock. A conturbada vida (e morte) do líder do Nirvana certamente é uma história interessante, e a leitura fica ainda mais fluída graças ao talento do escritor Charles R. Cross que consegue construir uma narrativa realista e romântica ao mesmo tempo. O título do livro é o mesmo da turnê que o Nirvana fez na Europa junto com o TAD, sendo uma referência tanto ao peso do vocalista do TAD quanto ao som pesado do Nirvana.
Com todo o cínico prazer que acompanha a leitura da biografia de um astro podemos aprender detalhes obscuros e lamentáveis de Kurt Cobain. Eu não tinha a menor idéia que o envolvimento de Kurt com a heroína havia sido tão grande, ou que ele sentia uma profunda aversão pela maioria dos compromissos sociais do Nirvana. Esses e outros detalhes são esmiuçados com esmero por Cross que entrega uma história pesada mas fácil de ler. O único porém fica justamente por conta do detalhamento excessivo. O livro foi bastante critícado por Cross incluir suas impressões pessoais sobre como Kurt estaria se sentindo como fato. Ainda que isso realmente leve a uma impressão parcial da história, funciona muito bem pois é realizada de forma competente por Cross. Há muitos comentários na Internet dizendo que essa seria a versão da história  "aprovada" por Courtney Love, e de fato o retrato pintado da rockeira é bem mais afetuoso do que se viu na mídia na década de 90. Uma decepção do livro, mas não necessariamente uma falha, é que o lado musical é bastante ignorado. Acredito que o que mais me interessava na leitura era descobrir como certas músicas e letras se "encaixavam" na vida do ícone de uma geração, mas infelizmente fora algumas citações sobre About a Girl e Smells Like Teen Spirit o assunto passa bastante desapercebido. Além dos dados curiosos (e quase inacreditáveis) sobre a vida de Cobain, ele morava dentro do carro pois não tinha dinheiro para alugar uma casa quando "Smells Like Teen Spirit" estava no topo das paradas, o que realmente impressiona no livro é o envolvimento de Cobain com as drogas. Nos últimos 20 anos aprendemos a contra-gosto a ter uma tolerância maior a casos extremos como o de Kurt (que acabou se suicidando), aprender a história de alguém desde o nascimento até o fundo do poço do vício de heróina de certa forma traz de volta o choque da questão de um assunto que há muito tempo deixou de ser novidade.

Dica de trilha sonora para leitura: obviamente Nevermind e In Utero.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...